O ciúme

Dorme ponte, Pernambuco, Rio Bahia

Só vigia um ponto negro: o meu ciúme

O ciúme lançou sua flecha preta

E se viu ferido justo na garganta

Que nem alegre, nem triste, nem poeta

Entre Petrolina e Juazeiro canta

…………………………………………………

Sobre toda estrada, sobre toda sala

Paira, monstruosa, a sombra do ciúme

(Caetano Veloso)

 

Jalousie

Gelosia

קנאה

Eifersucht

Ljubomora

ζήλια

Celos

Zorgojn

غيرة

Féltékenység

Jealous

ねたみ

Cemburu

Ревность

Žárlivost

Kıskançlık

Isso é apenas uma amostra. O monstro destruidor de vidas existe em todos os cantos do mundo, em todas as línguas, em todos os povos.

Junto com a paixão, acredito que seja o sentimento mais devastador da alma humana.

Enquanto a paixão eleva o ser à potência máxima do prazer e da felicidade, o ciúme o rebaixa ao último degrau da indignidade, destruindo quem sente e quem é o objeto dele.

Quando se ouve – estou morrendo de paixão, temos diante de nós um ser humano encantado por outro ser. Mas se ouvir – matei por paixão, esse ser vil está mentindo. Matou por ciúmes. Ninguém mata por paixão.

E o que é exatamente o ciúme?

Para François de La Rochefoucauld, « O ciúme, o receio de deixar, o medo de ser deixado, são as dores inseparáveis do declínio do amor.”, enquanto Ivan Teorilang o define como “um dos mais infelizes sentimentos inerentes ao ser humano. Ele magoa, fere, destrói e mata, e se pode ter estas características, como associar isso ao amor?”.

Afirma o professor Eugenio Mussak que “não é errado sentir ciúmes.”, sendo que existem dois tipos de ciúmes, o externo e o interno, sendo o externo aquele que a pessoa dá causa, mediante provocação da outra pessoa, enquanto o ciúme interno decorre da própria insegurança ou falta de autoestima. E que “errado é transformar o ciúme em uma compulsão irracional”.

Na minha amadora e modesta opinião, não são dois tipos de ciúmes.

Quem se relaciona com uma pessoa vil que se dedica a despertar o sentimento do ciúme, e não põe um ponto final, simplesmente não tem autoestima. Não se ama. Ou seja, não há ciúme externo.

O ciúme é só interno. Nascido da insegurança, falta de autoestima, sentimento de inferioridade. Uma pessoa que na infância foi alvo de muita exigência, muitas críticas, ou agressões, quando adulto não terá ferramentas para desenvolver a autoestima suficiente para ter segurança em relacionamentos amorosos.

E esse sentimento de inferioridade com relação aos outros seres do mesmo sexo o fará imaginar sempre que está “perdendo” para o outro. Seja na posição social, seja, no desempenho profissional, seja no relacionamento pessoal com outras pessoas.

O ciúme é como a forte enxurrada – destrói tudo o que encontra pela frente. Arrasta a dignidade dos envolvidos. Acaba com o relacionamento. Deixa um rastro de sofrimento atrás de si.

Tudo, na maioria das vezes, gerado por uma ideia, uma simples suposição.

O ciumento se afunda na própria insegurança e começa a ver o que não existe. Parte de falsas premissas e obtém resultados equivocados.

Vive envenenado e envenenando. Até conseguir arrebentar a outra pessoa, que acabará por se afastar como autopreservação. Então dirá: “Eu estava certo. Estava sendo traído.” E ponto final.

Não há cura para o ciúme nem antídoto para um relacionamento que o ciúme já envenenou.

O relacionamento acaba – seja pela destruição física, seja pela derrota emocional do outro. E o ciumento terá o destino de viver sozinho, porque ninguém é obrigado a aguentar esse inferno que o ciúme traz consigo.

Se o céu é para todos, a ninguém é dado ter um inferno particular, só para si…

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