Dia de poesia – Pedro Duarte Domingos Martins

No meu coração carrego histórias
Na minha memória guardo memórias 
No livro da vida, já escrevi tanto
E cada capítulo tem o seu encanto

A vida é uma estrada sem fim 
Sem lugar certo onde ficar 
E em cada coração deixei um pouco de mim

Na minha alma trago sentimentos escondidos 

Os corações que conquistei
Desejos proibidos em momentos jamais esquecidos

Sei que a vida é feita de momentos 
E o coração se alimenta de sentimentos 
Mas nunca conheci nenhuma mulher 
Apenas pela palavra prazer

Em cada coração
Aprendi uma lição

As alegrias que partilhei 
Os sorrisos que roubei

E em cada poema uma história 
Em cada verso uma memória 
E se não fiquei, não foi por não te querer

O meu coração ainda tem tanto por escrever

E talvez um dia encontre um lugar 
Um lugar para ficar 
Encontre alguém que me faça sentir 
Que não me deixe partir 

Um amor além de qualquer explicação
Duas almas que noutra vida se apaixonaram
E que finalmente se encontraram
E desse amor formaram um só coração

(Imagem: banco de imagens Google)

Poesia da casa – Sem depois

Náufragos do eterno desejo do amor
Você espera que eu lhe dê um depois
Que haja uma história para juntos vivermos
Mas se nem para mim eu tenho esse depois, 
Como o poderia dar ou prometer a você?

Naufrágio de minha vida, só escombros
Vivo no agora da areia antes da onda do mar
Que tudo apaga, tudo leva, tudo destrói
Antes do vento forte vindo de qualquer lado
Que tudo desmancha, tudo carrega, de tudo dispõe

Naufrágio do meu amor, só saudades
Não tenho esse depois para oferecer
Não tenho um futuro para programar
Sou o agora, sou apenas esse instantâneo, 
Simplesmente sou o que não permanece

Naufrágio do meu passado, só lembranças
De tudo o que não ficou, passou com o tempo
Que não perdoa, não volta e não permite
E nos deixa, sem norte, sozinhos no escuro 
Na eterna noite dos desamados

Náufragos de um depois que não existe
Venha sonhar comigo por alguns tempo
Segurar por um fugidio instante a sensação de viver
E gozar da vida sem depois, a vida-agora
E ser feliz no instante presente, sem futuro

Náufragos de nós mesmos, só distância
Venha voar comigo e desfrutar esse instante
De saber que podemos viver sem o controle da vida
Conhecer a beleza da paixão sem cobranças
E o encanto de viver um grande amor sem depois...

(Imagem: foto de J.F. Michelet)

Dia de poesia – Mia Couto – Aprendiz de ausências

Morrer
como quem deságua sem mar
e, num derradeiro relance,
olha o mundo
como se ainda o pudesse amar.

Morrer
depois de me despedir
das palavras, uma a uma.

E no final,
descontada a lágrima,
restar uma única certeza:

não há morte
que baste
para se deixar de viver.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de saudade e poesia – (43 anos sem) Vinicius de Moraes – Os inconsoláveis

Desesperados vamos pelos caminhos desertos
Sem lágrimas nos olhos
Desesperados buscamos constelações no céu enorme
E em tudo, a escuridão.
Quem nos levará à claridade
Quem nos arrancará da visão a treva imóvel
E falará da aurora prometida?
Procuramos em vão na multidão que segue
Um olhar que encoraje nosso olhar
Mas todos procuramos olhos esperançosos
E ninguém os encontra.
Aos que vêm a nós cheios de angústia
Mostramos a chaga interior sangrando angústias
E eles lá se vão sofrendo mais.
Aos que vamos em busca de alegria
Mostramos a tristeza de nós mesmos
E eles sofrem, que eles são os infelizes
Que eles são os sem-consolo...

Quando virá o fim da noite
Para as almas que sofrem no silêncio?
Por que roubar assim a claridade
Aos pássaros da luz?
Por que fechar assim o espaço eterno
Às águias gigantescas?
Por que encadear assim à terra
Espíritos que são do imensamente alto?

Ei-la que vai, a procissão das almas
Sem gritos, sem prantos, cheia do silêncio do sofrimento
Andando pela infinita planície que leva ao desconhecido
As bocas dolorosas não cantam
Porque os olhos parados não veem.
Tudo neles é a paralisação da dor no paroxismo
Tudo neles é a negação do anjo...
                ...são os Inconsoláveis.

(Imagem: banco de imagens Google)