Texto de Franciane Costa – Nada será como antes

Nada vai ser como antes, eu sei. Mas é que esse é meu refúgio, não consigo dizer isso olhando nos olhos e escrevendo sei que você não vai ler.

Eu ainda sinto que poderíamos ter sido felizes e esse ‘sido’ no passado me consome inteira, aprendi que nada vai mudar mesmo você voltando disposto a continuar, agora é tarde, o dia já amanheceu lá fora e acabei acordando sozinha.

Mas sabe, é que dói tanto seguir essa rotina sem você, e quando mudo os hábitos, acabo lembrando que faço isso numa tentativa desesperada de te tirar da minha vida, de te esquecer.

Hoje era dia de ir pra sua casa, comer macarrão, e depois assistir aquele seriado que você me ensinou a gostar. E só de tentar esquecer já estou lembrando.

Quando toca Laura Pausini é inevitável não lembrar da sua cara de nojo, era até engraçado te ver fazendo aquelas caretas todas.

Quando perguntam por você não sei o que responder. O que você diz quando perguntam por mim? Sempre fica um silencio constrangedor, não sei se devo dizer a verdade, é que na real ela ainda dói e tenho a impressão que vai latejar pelo resto dos meus dias.

Me fazias feliz e só agora vejo isso, mas eu achava que merecíamos viver.

Humanos são estranhos neh?!

Sempre achamos que no futuro é que está a felicidade, sempre naquilo que ainda está por vir. Hoje me pergunto se realmente virá ou se foi para sempre.

É que na verdade a balada era mais divertida com você, até minha tristeza era mais feliz contigo.

Não sei porque to escrevendo essas coisas, mas é que nunca senti isso e talvez por falta, também.

Faz falta seu carinho, sua compreensão, suas comparações toscas, suas caretas hilárias, suas palavras de consolo, seu riso alto.

Tudo isso era único e agora eu não tenho mais.

(Imagem: banco de imagens Google)

Para Nico Fidenco

Ele se foi, mas sua canção o fez eterno entre nós

Mi vuoi lasciare e tu vuoi fuggire
Ma sola al buio tu poi mi chiamerai

Ti voglio cullare, cullare posandoti
Sull´onda del mare, del mare
Legandoti a un granello di sabbia
Così tu, nella nebbia piú fuggir non potrai
E accanto a me tu resterai
Ahi, ahi, ahi, ahi

Ti voglio tenere, tenere
Legata come un raggio di sole, di sole
Così col suo calore, la nebbia svanirà
Ed il tuo cuore riscaldarsi potrà
E mai piú freddo sentirà

Ma tu, tu fuggirai e nella notte ti perderai
E sola, sola, sola nel buio, mi chiamerai

Ti voglio cullare, cullare
Posandoti sull´onda del mare, del mare
Legandoti a un granello di sabbia
Così tu, nella nebbia piú fuggir non potrai
E accanto a me tu resterai

Ti voglio tenere, tenere
Legata come un raggio di sole, di sole
Così col suo calore, la nebbia svanirà
Ed il tuo cuore riscaldarsi potrà
E mai piú freddo sentirà

Ma tu, tu fuggirai e nella notte ti perderai
E sola, sola, sola nel buio, mi chiamerai

Ti voglio cullare, cullare
Posandoti sull´onda del mare, del mare
Legandoti a un granello di sabbia
Così tu, nella nebbia piú fuggir non potrai
E accanto a me tu resterai
Ahi, ahi, ahi, ahi

Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 08 – Olavo Bilac

Olavo Bilac (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criou a cadeira nº. 15, que tem como patrono Gonçalves Dias.

Eram seus pais o Dr. Braz Martins dos Guimarães Bilac e D. Delfina Belmira dos Guimarães Bilac. Após os estudos primários e secundários, matriculou-se na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, mas desistiu no 4º. ano. Tentou, a seguir, o curso de Direito em São Paulo, mas não passou do primeiro ano. Dedicou-se desde cedo ao jornalismo e à literatura. Teve intensa participação na política e em campanhas cívicas, das quais a mais famosa foi em favor do serviço militar obrigatório. Fundou vários jornais, de vida mais ou menos efêmera, como A Cigarra, O Meio, A Rua. Na seção “A Semana” da Gazeta de Notícias, substituiu Machado de Assis, trabalhando ali durante anos. É o autor da letra do Hino à Bandeira.

Fazendo jornalismo político nos começos da República, foi um dos perseguidos por Floriano Peixoto. Teve que se esconder em Minas Gerais, quando frequentou a casa de Afonso Arinos em Ouro Preto. No regresso ao Rio, foi preso. Em 1891, foi nomeado oficial da Secretaria do Interior do Estado do Rio. Em 1898, inspetor escolar do Distrito Federal, cargo em que se aposentou, pouco antes de falecer. Foi também delegado em conferências diplomáticas e, em 1907, secretário do prefeito do Distrito Federal. Em 1916, fundou a Liga de Defesa Nacional.

Sua obra poética enquadra-se no Parnasianismo, que teve na década de 1880 a sua fase mais fecunda. Embora não tenha sido o primeiro a caracterizar o movimento parnasiano, pois só em 1888 publicou Poesias, Olavo Bilac tornou-se o mais típico dos parnasianos brasileiros, ao lado de Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.

Fundindo o Parnasianismo francês e a tradição lusitana, Olavo Bilac deu preferência às formas fixas do lirismo, especialmente ao soneto. Nas duas primeiras décadas do século XX, seus sonetos de chave de ouro eram decorados e declamados em toda parte, nos saraus e salões literários comuns na época. Nas Poesias encontram-se os famosos sonetos de Via Láctea e a “Profissão de Fé”, na qual codificou o seu credo estético, que se distingue pelo culto do estilo, pela pureza da forma e da linguagem e pela simplicidade como resultado do lavor.

Ao lado do poeta lírico, há nele um poeta de tonalidade épica, de que é expressão o poema “O caçador de esmeraldas”, celebrando os feitos, a desilusão e a morte do bandeirante Fernão Dias Paes. Bilac foi, no seu tempo, um dos poetas brasileiros mais populares e mais lidos do país, tendo sido eleito o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, no concurso que a revista Fon-Fon lançou em 1º. de março de 1913. Alguns anos mais tarde, os poetas parnasianos seriam o principal alvo do Modernismo. Apesar da reação modernista contra a sua poesia, Olavo Bilac tem lugar de destaque na literatura brasileira, como dos mais típicos e perfeitos dentro do Parnasianismo brasileiro. Foi notável conferencista, numa época de moda das conferências no Rio de Janeiro, e produziu também contos e crônicas.

(Fonte: Academia Brasileira)

Nel mezzo del camin

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.


Um beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior... Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...


Em uma tarde de outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...


Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

A Lua (Memória)

Linda, soberana, instigante, surge a Lua em seu esplendor.

Há quantos milênios ela se apresenta no firmamento, e sempre tão bela, tão jovem, com tanto esplendor. Qual será seu segredo para nunca envelhecer, jamais aparentar cansaço, nunca perder o brilho?

Olho, maravilhada, para a Lua. Há quantas décadas ela me fascina, me atrai, praticamente me obriga a procurá-la no céu a cada anoitecer, a cada madrugada?

Nós, míseros seres humanos, imperfeitos, feiosos, desbrilhados… Tentamos ajudar a natureza com tratamentos, roupas, disfarces, mas não conseguimos enganar nem a nós mesmos.

Quando em nosso outono, o vento da vida vem e nos espalha como folhas secas que se desprendem dos galhos, temos a certeza da decadência física. Não importa o que fomos na juventude, envelhecemos monstros.

No entanto, ao final de cada entardecer, a Lua volta a seu ponto máximo. E brilha.

A cada noite mais brilha, orgulhosa de sua beleza eterna, rejuvenescida a cada anoitecer.

E, quando amanhece, um pouco pálida, ela se retira e desaparece, para surgir ainda mais exuberante no começo da nova noite.

A Lua está sempre sozinha. Linda, fascinante, a todos atrai, mas a ninguém pertence.

Solitária, quiçá celibatária, marcando presença e deixando saudade, parece que a Lua é feliz.

Queria ser uma lua.

(Imagem: foto de Maria Alice)

Poesia da casa – Anoitece (Memória)

Quando o dia se esvai, tudo é silêncio,
e a noite, suave, traz a lua e seu encanto 
na hora em que nada mais se espera,
penso em tudo enquanto penso em nada;
eu me recolho no vazio de minha alma,
para deixar fluir toda essa ternura
e sonhar que não há tristezas na vida
e ter a certeza de que estamos juntos.
Que vontade eu sinto de você,
que saudade eu sinto de nós dois;
venha me tocar do jeito que só você me tocou,
venha me falar as palavras que só você já falou,
venha, meu amor, ser meu ninho e serei seu aconchego,
venha me amar da forma que nunca ninguém me amou.

(Imagem: foto de Maria Alice)

Um coração novo

Era preciso muita delicadeza
Uma lixa muito fininha
Pelica nas mãos para segurar
E lixar, e polir, cada centímetro
Sem apertar, sem ferir
Mas sem deixar nada para trás
Conseguiu limpar inteiro
Tirou as marcas do tempo
As marcas das mãos brutas
Que um dia o tocaram
As cicatrizes de tantos sofrimentos
Os riscos deixados pelas traições
As manchas deixadas por quentes lágrimas
As depressões que as mágoas causaram
E, depois de tudo recuperado,
Com todo o cuidado
Abriu o fundo do peito
E recolocou no lugar
Um coração agora renovado

(Imagem: banco de imagens Google)