
Espaço para Maria do Rosario Pedreira

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Desde cedo, devemos ensinar às crianças o essencial: que o Sol nasce a Leste e se põe a Oeste, que ao apontar a mão direita para o Leste, o rosto se volta para o Norte e as costas para o Sul.
Que a água de um rio sempre corre em direção ao mar, que a Lua desponta a Leste e se esconde a Oeste. E se não houver Lua, há uma estrela-guia, que aponta o Norte e revela a latitude.
Que quanto mais alta estiver a Estrela Polar no horizonte, mais longe estamos do Equador. E que, ao avistar um pássaro sobrevoando o mar, sabemos que há terra onde ele voa.
Ensine-os a respeitar e amar os animais, as árvores, a terra e os elementos que nos sustentam.
Que esses saberes venham antes de um celular, pois a tecnologia se apaga e o sinal se perde… mas a sabedoria, essa jamais será perdida.
Não deixemos que se perca essa conexão essencial.
(Imagem: banco de imagens Google)

O que seria da vida sem música? Mas Música de verdade, com M.
Estou assistindo, pela milésima vez, aos concertos do violoncelista Hauser – em Zagreb e em Pula, Croácia, sua terra natal.
Simplesmente encantador. Fascinante.
Você se deixa transportar e consegue ir junto com a melodia.
Orquestras maravilhosas. Músicos dedicados.
Não resta qualquer dúvida que a melhor música do mundo e os melhores profissionais são do leste europeu. Eles nasceram para a música verdadeira.
Logo que acabou a URSS eu fui conhecer o lado de lá da “cortina de ferro”. Lembro-me de uma tarde em Bratislava. Eu estava apaixonadamente encantada com aquele povo. Lindos, gentis, extremamente pobres em sua maioria. O comunismo saqueara e explorara o país e o povo. Quando acabou, quase nada restava aos habitantes locais, além da cultura que nunca deixaram de lado. Mas a vontade de refazer o país era grande e eles lutavam para o reerguerem. E o fizeram, sendo atualmente um país próspero. Mas estive lá em outro tempo: menos de um ano depois do “divórcio de veludo”.
Esse dia, de calma para ficar flanando na linda capital, pude presenciar turmas de crianças nos horários de entrada e saída da escola. Todos uniformizados, andavam pelas ruas e praças, carregando seu material escolar E um instrumento.
O que mais me chamou a atenção foi ver as crianças levando seus instrumentos musicais. Violões, flautas, violinos, celos, praticamente todos portavam um estojo de um instrumento. Ou seja, a música era matéria curricular do ensino fundamental.
Quase todos os grandes compositores imortalizados na arte pura da música erudita nasceram nessa região do continente Europeu. E os povos ainda cultivam a música naquelas paragens.
Basta assistir a um concerto e se entende o valor que dão à música. O público comparece massivamente ao local. Crianças pequenas, adolescente, jovens, adultos, idosos. Todos assistindo com atenção e educação. Valorizando a música como arte e expressão de união. Porque são as mesmas sete notas que compõem todas as melodias conhecidas. Todos os povos do mundo falam a mesma língua quando se trata de música. Há uma única escala, independe da sua representação.
Enquanto flutuo com a angelical música apresentada no concerto, tenho de suportar a modinha que algum vizinho obriga a todos escutarem, na sua festinha aqui no salão na frente de casa, mostrando a falta total de nível da educação que recebeu.
Esse é o lado triste da vida…
(Imagem: Hlavne Namestie, banco de imagens Google)


Linda, soberana, instigante, surge a lua em seu esplendor.
Há quantos milênios ela se apresenta no firmamento, e sempre tão bela, tão jovem, com tanto esplendor. Qual será seu segredo para nunca envelhecer, jamais aparentar cansaço, nunca perder o brilho?
Olho maravilhada para a Lua. Há quantas décadas ela me fascina, me atrai, praticamente me obriga a procurá-la no céu a cada anoitecer, a cada madrugada?
Nós, míseros seres humanos, imperfeitos, feiosos, desbrilhados… Tentamos ajudar a natureza com tratamentos, roupas, disfarces, mas não conseguimos enganar nem a nós mesmos.
Quando em nosso outono o vento da vida vem e nos espalha como folhas secas que se desprendem dos galhos, temos a certeza da decadência física. Não importa o que fomos na juventude, envelhecemos monstros.
No entanto, ao final cada entardecer, a Lua volta a seu ponto máximo. E brilha.
A cada noite mais brilha, orgulhosa de sua beleza eterna, rejuvenescida a cada anoitecer.
E, quando amanhece, um pouco pálida, ela se retira, desaparece, para surgir ainda mais exuberante no começo da nova noite.
A Lua está sempre sozinha. Linda, fascinante, a todos atrai, mas a ninguém pertence.
Solitária, quiçá celibatária, marcando presença e deixando saudade, parece que a Lua é feliz.
Queria ser lua.
(Imagem: foto de Maria Alice)