
Com a palavra, Lu Nascimento

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


El alba anuncia su llegada
en el resplandor del horizonte
y yo dejo escapar,
como una enamorada, con pena
al sueño de la noche
que impune se desnuda
de la oscuridad de la luna
para abrazar sin reparo
al amanecer salvaje,
todo sucede entre sombras
que en la penumbra se quedan,
los susurros del silencio
que hablan de deseo
y de la pasión, de la noche,
la luna es testigo
más revelar secretos,
no puede.
El alba anuncia su llegada,
con el eco de su silencio
escondiéndose los murmullos
de la noche excitada,
mas las prisas de los sueños
se quedan, en el crepitar
del fuego invisible
que indómito enciende
el silencio que elige.

Toda a entrega em Amor
Não é Tempo Perdido...
Sim, o futuro é incerto
Aos que amam
Aos que querem amar
Aos que duvidam do amor
Mas se há partilha
Se há união
Afecto, entrega, paixão...
Como poderá ser perda de tempo?
Todos fazemos tentativas
Ninguém sabe o que o amanhã trará
E o momento desfrutado
É ganho
Vivido, saboreado
O aceitamos em mútua entrega
Então... Porquê?
Porque no fim a dor absorve
E anula tudo o que se viveu?
Porque não se aceita
Como bênção, como belo
E se destrói...
Somos o que levamos no coração
E se uns guardam em memória
Com carinho, o tempo vivido
Outros, tão contrários
Em mágoa, lhe chamam " Tempo perdido"...
Eita, vô, que pensei que o senhor não quisesse mais falar comigo…
Eu? O que Eu tenho feito? O senhor sabe direitinho porque daí o senhor vê tudo o que acontece aqui. Eu que deveria perguntar o que o senhor tem feito por aí…
Ei, ei, não precisa ficar bravo. Sei que não devo perguntar nada do que é aí do outro lado do espelho. Que quando eu atravessar, eu ficarei sabendo…
O que está acontecendo aqui embaixo? Se o povo está endoidecendo e entrando em guerras e mais guerras? Vixi, nem sei por onde começar...
Não, a guerra da Ucrânia ainda não acabou. Verdade, continua.
Eu sei que essa guerra já deu o que tinha de dar, não tem o menor sentido, mas os caras lá estão vivos, só os meninos morrem e a mães choram. Então enquanto existirem meninos para mandar morrer no front, acho que não vai parar. Um horror.
Os conflitos entre islamitas e população não têm fim no Congo, Moçambique, Somália, Niger, Mali e Burkina Faso. Às vezes penso que Deus esqueceu aquele povo. Muito sofrimento.
É verdade, parece que não vai acabar nunca…
Outras? Sim, Mianmar, Iêmen, Sudão do Sul, Síria. Fratricidas. Todas.
E agora esse conflito Irã-Israel que tomou outras proporções com a entrada dos EUA e seu quase invencível poderio bélico.
Não sei, vô. Não sei onde vai parar… mas, penso sem nem pensar muito para não ser considerada subversiva: o quanto os fabricantes de armas e munições estão lucrando com essas guerras???? Por que interessa eternizar esses horrores?
Vô, vamos falar de assuntos mais leves? Já está difícil enfrentar o mundo explodindo bombas para todos lado…
A política interna? Uma piada. Piada triste, reconheço, momento tenso, mas não dá para entender nada mesmo. Não é só o senhor que está confuso…
Pensa uma coisa: estamos vivendo no caos. E, por mais incrível que possa parecer, estamos nos adaptando ao caos. Não temos leis. Não temos segurança jurídica. Não temos segurança pública. Não temos segurança tributária… mas estamos vivos.
A família? Ah, essa sempre ótima, aumentando para todos os lados, com mais casamentos anunciados, mais tetranetos chegando… graças a Deus nossa família sobrevive e atravessa essas águas às vezes tumultuadas, mas chega em águas calmas. O exemplo que o senhor a vovó deixaram e nossos pais seguiram, nos deram força e união suficiente para continuarmos como uma verdadeira família.
Então, vô, o mês de Março chegou e já está quase acabando. Seu mês predileto?
Acredito, o senhor gostava tanto dos dias de chuva, e março é quase inteiro feito de chuvas… Ah, e seu santo de devoção, São José, dia 19… sim, padroeiro dos pais e das famílias.
Vou tentar levar lírios brancos para o altar de São José em seu nome. E, sim, pode deixar, rezarei pela nossa família.
Pois é, acabando o verão, vamos encarar um novo e agradável outono. E assim vivendo, esperando a hora de nos reunirmos novamente na casa do Pai.
Como assim, já está indo e nós já conversamos muito? Há tanto tempo o senhor não vinha, eu estou com saudade?
Desde quando aí tem horário? Puseram toque de recolher no paraíso?
Não, vô, não é deboche, mas o senhor fica tanto tempo sem aparecer e vem com pressa de ir? Nem matei minha saudade.
Está bem, entendo. Mas venha mais vezes. Gosto de conversar com o senhor.

Do meio da mata vem um chamado
O canto fantástico do peito-de-aço
Que não se confunde nem nunca se cala
Mas chama de longe, atravessa o espaço
O canto fantástico do peito-de-aço
Que canta distante seu canto de mata
Mas chama de longe, atravessa o espaço
Não é só um canto, é uma bravata
Que canta distante seu canto de mata
Junto da companheira, não mostra cansaço
Não é só um canto, é uma bravata
Que só canta livre, não canta no laço