
Para pensar 54

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Entre a paz e o desespero,
a ordem e o caos
Entre todas as forças,
centrífugas e centrípetas,
Estáticas e dinâmicas,
elétricas e magnéticas,
Entre todas as formas,
côncavas e convexas,
Esféricas e angulares,
planas e geométricas
Entre a física e a química
Entre todas as posições,
Todos os mundos e vidas,
Só fui encontrar a paz
Na concha do seu abraço
(Imagem: banco de imagens Google)
Gostei da luz dos olhos dele. Gostei que estava me encantando, gostei de não poder me encantar e mesmo assim estar me encantando… (Tati Bernardi)

A vida só vale a pena ser vivida se houver paixão. Paixão verdadeira, aquela coisa de pura adrenalina. Ansiedade, taquicardia, náusea… tudo isso faz parte da paixão. Mas, qual a origem da paixão, seja por uma pessoa, uma atividade, um objeto? De onde surge a paixão, qual seu ponto de partida?
O encanto.
O encantamento. Alumbramento. Feitiçaria. Arrebatamento.
Seja qual for o termo usado, a paixão nasce do encanto ou do encantamento.
Não há como se apaixonar sem se encantar.
E o que encanta? A beleza? A riqueza? A facilidade? Não sei. Aí está o grande mistério. Não é por acaso que enfeitiçar é sinônimo de encantar.
Nas lendas há sempre um encantamento, ligado à ideia de feitiçaria – o canto das sereias, o veneno na maçã, o sono da Bela Adormecida, a desgraça do protagonista de A Bela e a Fera…
Mas aqui, na nossa triste e cinza realidade, não é fácil encontrar feiticeiras. Nem fadas nem sereias nem bruxas malvadas…
Mas o encanto sobrevive a toda essa crueza da vida real. E nos encantamos por um olhar. Por um sorriso. Por um modelo de carro. Por uma cor de parede. Por uma paisagem, pela curva de um rio, pela encosta de uma montanha, pela forma de uma flor… ah, são tantos os encantos para quem está aberto à paixão pela vida!
O encanto é a partida da paixão. E a paixão o combustível do amor. Que é o sustento da vontade de viver.
Podemos levar dentro de nós um encantamento sem fim, que dura toda a vida. Podemos apenas nos lembrar de alguém que nos encantou um dia “… Fiquei parado, o coração batendo, ela se riu. Foi o meu primeiro alumbramento.” (Manuel Bandeira), e essa lembrança sempre vívida, como um alimento imperecível que trazemos no bolso, para garantir a refeição quando faltar comida.
E também podemos levar vivo, dentro do coração, por toda uma vida, o encantamento que alguém provocou em nós. Uma espécie de compensação nos infortúnios e nas tristezas. Quando tudo parece desmoronar, sacamos, lá do fundo do bolso da emoção, a lembrança de um olhar, um toque, um beijo, e saciamos nossa fome de felicidade e enganamos a realidade.
E então sonhamos com a vida que não tivemos, com o amor que não desfrutamos, com a felicidade que não chegamos a conhecer.
E, se de repente tudo der certo, os astros se unirem para nos possibilitar essa alegria, a maior vingança que podemos ter em relação a todos os momentos nublados, será ver raiar o sol de viver plenamente essa paixão arrebatadora.
(Imagem: banco de imagens Google)



Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
(imagem: banco de imagens Google)