
Quando Lu Nascimento fala…

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Se quiseres companhia,
eu estarei aqui.
Se quiseres ficar apenas
com a companhia dos teus
pensamentos, te darei minha
ausência, sem questionar.
Se quiseres um amigo para
te ouvir falar sobre seus pecados,
ouvirei com atenção, sem
desviar o olhar.
Com o tempo, perceberás que
o amor está nos detalhes, e que
fazer a vontade do outro por
amor não é sacrifício.
(Imagem: banco de imagens Google)

Dia calmo, brisa leve, céu azul
Um silêncio de paz e harmonia no ar
Natureza perfeita, mas não previsível
Subitamente a brisa se encorpa
Vem o vento e depois o vendaval
Nada mais está no lugar de origem
Tudo voa, tudo quebra, tudo se vai
Vêm os estrondos, vêm os raios
E cai a chuva. Torrencial.
Tudo escurece. Nada mais existe.
Amor calmo, paixão ardente, alegria
Um arrebatamento de felicidade no ar
Vida perfeita, mas não previsível.
Subitamente algo se rompe
Vem a separação e depois a distância
Tudo é pranto, tudo quebra, tudo se vai
Vêm o desespero, vêm a tristeza
Escorrem as lágrimas. Torrenciais.
Tudo escurece. Nada mais existe.

Il ne me reste qu’un seul désir,
Dans ce silence du soir :
Que vous me laissiez mourir
Au bord de la mer Noire.
Car je voudrais, dans mon sommeil,
Avoir la mer tout près,
Le ciel bleu et le soleil,
Et la forêt après.
Je ne veux pas de cercueil riche,
Ni de drapeaux, ni bannières,
Juste tressez-moi un lit postiche
De branches printanières.
Et que personne, à mon chevet,
Vienne pleurer pour moi,
L’automne, dans son langage muet,
Parlera par les bois.
Parmi les hautes cimes de sapins,
La lune immense me veille.
Sans cesse, les sources au bruit fin
Murmurent à mes oreilles.
Le tintement d’une cloche, perdu,
Le vent va me l’amener
Avec le frémissement connu
De mon tilleul sacré.
Car, désormais, je ne serai jamais errant…
L’éternité me teste…
Seulement les souvenirs charmants
Arrivent chez moi et restent.
Les lucioles célestes, surgies
De l’ombre de sapins,
Qui sont devenues mes compagnes,
Me souriront tous les matins.
La rude chanson de l’âpre mer,
Va larmoyer ses passions
Quand je serai un bout de terre
Privé de toute émotion…
(trad.du roumain Nicolae Mușa)
A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos… (Norman Cousins)

Tema recorrente, a decepção.
Quantas e quantas vezes um coração é capaz de sobreviver a uma decepção? Quantas vezes pode suportar ser quebrado, pisoteado, humilhado, e juntar o cacos e se reconstruir?
Qual a pior decepção – no amor, na família, nas amizades…
Há uma decepção pior ou melhor que a outra?
Se tudo for decepção, será possível continuar vivendo mesmo assim?
São infinitas as perguntas.
Mas não tenho as respostas.
Quanto a mim, remendando aqui e acolá esse velho coração tão judiado, tenho conseguido lidar com tantas tristezas e decepções. Sem choro, sem desespero. Com minha fonte inesgotável de defesa para me manter viva e em paz.
E sem perder nem a doçura nem a vontade de ser feliz e fazer o outro feliz.
Como suporte, desenvolvi o mecanismo da morte em vida: quem me decepciona além de um ponto determinado na minha escala de suportar os seres humanos, simplesmente morre para mim.
Morre definitiva e irremediavelmente. Seja amor, seja familiar, seja amigo. Morre uma única vez. Morre em vida.
Ultimamente vi morrer em vida pessoas que muito prezei em minha vida. Mas ultrapassaram todos os pontos da escala de suportabilidade de atos alheios…
Então morreram em mim. Sem flores, sem enterro, sem choro.
Para sempre.
(Escrevi esse texto aos 01/06/2015 , mas continua tão atual, parece que escrevi ontem, hoje, essa madrugada… então resolvi postá-lo hoje. Porque a realidade continua sempre igual).
(Imagem: foto de Nelson O’Reilly Filho)
