
Tempo. O que é Tempo? Ou o tempo? Acredito que apenas Tempo, substantivo masculino, singular e eterno.
Tempo dispensa artigo definido. E dispensa também qualquer numeral bem como pronome demonstrativo. Não há O tempo. Nem Um tempo, ou Esse tempo. Apenas Tempo.
Seria Tempo um círculo? Continente de tudo mais que existe? Porque o círculo – forma mais perfeita conhecida – termina exatamente no ponto em que começa e não mostra qualquer alteração em seu existir, pois que indefinidamente analisado, estará sempre imutável, fechado, sem começo e sem fim.
Há luz sem Tempo? Ou Tempo sem luz? Tem-se a noção da existência do tempo através dos ciclos da luz? Que são os responsáveis pelos ciclos da natureza – brotar e morrer e pelos ciclos do mar – maré alta e maré baixa… será que realmente o Tempo influi em tudo isso, ou nem existe nessa eterna alternância dia/noite, claro/escuro/vida/morte, ordem/caos?
Tudo o que existe contém matéria ou representação. Mas Tempo não – é sem substância, sem imagem…
O céu – que não existe – é visível a quem olha para cima ou para o horizonte. E o vento, invisível, pode ser sentido.
E Tempo? Não pode ser visto, sentido, tocado, representado nem apreendido.
Talvez nem mesmo exista. Talvez seja, mesmo, apenas a ilusão que nos foi imposta, no entender de Schopenhauer.
Mas, inexplicavelmente, paira, domina e controla tudo.
Reina, absoluto, desde o princípio e estará depois do fim.
Nunca passou, não passa nem passará.
Porque é fleumático e impassível.
Já estava aqui antes de tudo. Presenciou o início. O desenvolver. O brotar e o florescer de tudo. E estará aqui quando tudo for passado, destruído.
Só ele – Tempo – ficará.
Existe vida fora do tempo?
Tempo, fragmentos da eternidade, com seus momentos luminosos e seus instantes sombrios.
Tão generoso quanto escasso, tanto nos falta quanto nos sobra. Tudo nos tira daquilo tudo que nos dá.
É o tempo. Apenas tempo sendo tempo.
Esse ser concreto e invisível que nos precede e nos sucede, nos mostra a nossa precariedade. Imóvel em seu eterno passar.
Coerente sem coerência. Acelerado sem pressa. Vagaroso sem pausa.
Tão contraditório, impenetrável, amigo e assustador.
Tudo e todos passamos. E ele permanece.
Não existe, para nós nenhum tempo. Apenas nossos momentos.
Do conjunto de nossos momentos podemos imaginar o tempo. Mas não podemos avaliar sua dimensão.
Poderemos, sempre, contemplar uma nanopartícula de sua existência, mas não a compreender nem nela penetrar.
Um dia passaremos. E, para nos enganarmos, na arrogância de nossa mortalidade e de nossa reduzida importância, diremos “O tempo passou…”
Porque não temos a noção de que nós, sim, estamos passando, não o tempo.
E passaremos.
Inúteis e supérfluos perante o Tempo.
Séculos, milênios e eras se sucederão indefinidamente, em seu interminável desfile perante o senhor de tudo isso.
Quem nos dera ser o Tempo – aquele que vê tudo passar, envelhecer e desaparecer, mas continua, ele próprio, sempre o mesmo, imune a todas as mudanças…
(Imagem gerada por IA)
Texto classificado em 3° lugar – Categoria prosa – no concurso literário internacional – Antologia Tempo, promovido pela A.C.I.M.A. – Itália, 2026




