
Palavras de Rafael R. Souza

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Se me dissesses
que virias
por um único momento,
– só para te ver chegar –
eu passaria a vida inteira
a te esperar...
E te esperaria,
esperar-te-ia,
aflito de esperança
insone de poesia.
Esperar-te-ia
e te esperaria,
a esperar ia
até a noite eterna
do derradeiro dia.
Vieste...
pra minha felicidade,
mas, como se não tivesses vindo,
a mesma ansiedade continua:
pois te espero uma eternidade
a cada ausência tua.
(Imagem: banco de imagens Google)

Uma cadeira a espera.
Não estou aí.
Meus pensamentos me levaram pra longe.
Fui a lugares chamados felicidade .
Me vi correndo no terreiro de café, sob o sol , sob as estrelas. Joelhos ralados, pés descalços, gargalhadas fáceis.
Senti o coração bombardeando o peito ; numa caminhonete preta vinha , trazendo o mais bonito de todos, que dizia...vou me casar com você.
Senti o longo vestido branco , deslizando pelo meu corpo , véu emoldurando rosto feliz.
Crianças realizaram meu sonho.
Senti as lagrimas queimando minha alma , matando muito de mim.
Vi meus dias passarem entre sonhos feitos e desfeitos.
Olhei pelo retrovisor, estrada longa!.
Numa curva, houve sombra para descansar, para pensar, para amar. Porém o vento trouxe poeira , me sacudiu , me trouxe de volta do delírio.
Novamente na cadeira, olho a imensidão lá fora, esperando o tempo que virá .
Num repente ... sou eu .

Hoje amanheci saudade, muita saudade
E vi que saudade não é ausência
É a presença de quem já não está
Saudade é a falta de um abraço-aconchego
A falta das mãos, dos carinhos,
Dos olhos e do olhar,
Da boca e dos beijos
É a falta brutal do amor em nossa vida
Saudade… eu sinto saudade, como Vinicius…
“…Por falar em saudade, onde anda esse corpo
Que me deixou morto de tanto prazer…”
Ou aquela antiga trovinha popular
“Saudade é tudo aquilo que ficou
Daquilo que não ficou.”
Só sei que hoje sou só saudade
Não há passar do tempo, não há ácido
Não há nada que dissolva essa imensa saudade
Que deveria ser catalogada como moléstia,
Daquelas de estranha natureza, que se agrava
Em todo anoitecer. Isso é saudade. Muita saudade.
A verdadeira tortura que um ser pode impor a outro
É deixar que seja consumido pela saudade
Sem qualquer esperança de se libertar
Mas se sabendo eternamente prisioneiro
Dessa saudade sem fim.
(Imagem: banco de imagens Google)

