Dia do poeta – 20 de outubro

 Se eu fosse poeta

Eu queria ser poeta para falar da minha paixão

e assim conseguir mostrar meu amor por você;

eu queria escrever um poema usando a caneta da alma  

e a tinta do sangue do sentimento mais doce. 

Escrever sobre o brilho ímpar dos seus olhos e

da meiguice de suas mãos e do gosto único da sua boca   

Descrever o arrepio que me percorre todas as vezes em que você

me enlaça e me aperta em um abraço de ternura e me  beija.

Do torvelinho de sentimentos que me confundem, me arrebatam

e me fascinam e me fazem sonhar  quando penso em você.       

Da saudade doída que não me deixa um só instante nessa vida.

E da vontade de você que me persegue em todos os segundos.  

Se eu fosse poeta eu descreveria tudo isso em um poema

que pudesse traduzir em palavras tudo o que sinto

Escreveria sobre nossos sonhos e todos os nossos planos;  

Sobre a esperança de estarmos sempre juntos nessa vida

e assim um dia, felizes, morrermos no abraço final.     

Escreveria da alegria de ouvir sua voz e sua risada todos os dias.

E da ansiedade ao ouvir seus passos a cada volta sua 

Se eu fosse poeta escreveria um poema vindo direto do coração

só para poder dizer, todos os dias, com emoção,

O quanto eu amo e vivo apenas porque você existe

E ainda escreveria que você é a imagem da minha felicidade   

Queria ser poeta para conseguir, apenas com minhas palavras,

não só falar de amor, mas também tocar seu coração

E que quando você lesse esse meu poema, escrito para você,

pleno de pura paixão, escrito com a essência de minha alma,

Você olhasse longamente no fundo nos meus olhos,

e entre lágrimas, emocionado, dissesse: Te amo!

Só para isso eu queria ser poeta.

Mas não sou…

19 de outubro – o dia do amor e da paixão

Para Vinicius

19 de outubro. Mais um 19 de outubro a se somar a tantos outros já passados. Não um dia comum, igual aos outros 364 (algumas vezes 365) dias de cada ano. Mas o Dia 19 de outubro.

Dia de festa? Sim!

Dia de alegria? Sim!

Mas também dia de pranto. Dia de dor.

Mais um aniversário do querido Poeta (festa e alegria) que nos deixou há 40 anos (pranto e dor).

Comemoramos essa data – poetas, seresteiros, amantes da Poesia, fãs da arte maior que é escrever e se perpetuar pela palavra – quando festejamos a data do nascimento de Vinicius de Moraes.

No longínquo 19 de outubro de 1913 nascia, no Rio de Janeiro, Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, aquele que viria a ser talvez o maior poeta brasileiro do século XX.

Poeta, escritor, cantor, embaixador… mas o que mais encanta em sua profícua trajetória, sem qualquer sombra de dúvida, é sua poesia. Ou melhor, sua Poesia.

Cantou o amor, a paixão.

E nos tornou amantes e apaixonados.

Traduziu em palavras sentimentos indescritíveis. Transformou a mulher em imagem sublime, e a paixão no mais nobre dos sentimentos. Chamado carinhosamente de Poetinha pelo parceiro Tom Jobim, é nosso maior Poetinha. O grande Poetinha.

De impressionante lirismo, é impossível ficar indiferente à sua poesia, que toca a alma de quem a lê.

Como não se emocionar ao se ler: “… E se mais do que minha namorada você quer ser minha amada, minha amada, mas amada pra valer…”  ou “… Por não te possuir, tendo-te minha / Por só quereres tudo, e eu dar-te nada / Hei de lembrar-te sempre com ternura.” , e ainda “…Eu sei que vou sofrer / A eterna desventura de viver a espera / De viver ao lado teu  / Por Toda a minha vida.”

Tanto amor, tanto desamor, tanta solidão…

Vinicius partiu para a derradeira viagem. Mas, se não era eterno, certamente é imortal…

Dia de poesia – Vinicius de Moraes – Soneto da Véspera

Quando chegares e eu te vir chorando 
De tanto te esperar, que te direi? 
E da angústia de amar-te, te esperando 
Reencontrada, como te amarei? 

Que beijo teu de lágrimas terei 
Para esquecer o que vivi lembrando 
E que farei da antiga mágoa quando 
Não puder te dizer por que chorei? 

Como ocultar a sombra em mim suspensa 
Pelo martírio da memória imensa 
Que a distância criou – fria de vida 

Imagem tua que eu compus serena 
Atenta ao meu apelo e à minha pena 
E que quisera nunca mais perdida…

Etéreo

Se um dia meus olhos se perderam nos seus

No momento exato do seu desejo infindo

Suas mãos se perderam em mim

E vi despertar a loucura da paixão

Nesse dia a canção do amor se fez ouvir,

num silêncio feito de sons do encanto

Estrelas desceram à Terra – únicas testemunhas

dessa entrega apaixonante e apaixonada

E o amor, finalmente, se fez

Seguimos apaixonados, paralelos,

nos tocando em todos eclipses

Até o dia fatal que vida a todos prepara  

E nos separamos, seguindo o destino traçado

Tanta paixão deu lugar à saudade

Que transformou em amargas lembranças

tantas horas de amor sublime, sempre tão

Intensas,  coloridas, risonhas, tão doces

Tentando apagar o que houve tão denso entre nós      

No dia em que seu corpo encontrou o meu

(Foto dicasbrasil.com.br)