2020 – O ano que não vivi

Hoje, 29 de outubro, é comemorado o Dia Nacional do Livro. E isso acontece por ser a data da fundação da primeira biblioteca no Brasil, a Biblioteca Real, no Rio de Janeiro, quando da vinda da família real portuguesa para se estabelecer no Brasil – único caso conhecido em que um reino se deslocou e se instalou em uma colônia da coroa. A Real Biblioteca Portuguesa veio junto com a família real, tornando-se, aqui, a Biblioteca Nacional.

Para se formar uma biblioteca, imprescindível a existência de livros. À menção da palavra livro já se visualiza o papel cortado, alinhado, preso em capa firme. Essa é a imagem clássica de um livro. Entretanto, o primeiro livro conhecido não era impresso, mas escrito em cerâmica – um poema homenageando um rei da longínqua Mesopotâmia. O primeiro livro impresso no mundo foi a Bíblia, quando Guttenberg a imprimiu em 1445.

E nesse mesmo hoje, 29 de outubro de 2020, em comemoração ao Dia Nacional do Livro, lanço meu quarto livro. Uma mistura de crônicas, contos e depoimentos reais, os sentimentos, as emoções e a realidade desse ano louco, que marcará para sempre a História.

Relatos de como enfrentamos o isolamento social, o medo do futuro, a insegurança coletiva.

Apresento, com orgulho e emoção, trazendo o prefácio da escritora Vera Melo e capa do artista Beto Jr., “2020 – O ano que não vivi”.

Texto de Cândido Arouca

Links da WEB: Beijos de Amor Mensagens #4

O AMOR DESCONCERTA

O eterno e desconcertante amor! Ele surge do nada e, muitas vezes, nos momentos mais inesperados! Quando surge arrebata-nos, descontrola-nos, desconstrói-nos, desalinha todas as mossas emoções!

Chega e entra na nossa vida como um intruso, comanda-nos e faz de nós o que quer, literalmente o que quer!

E, porque o amor o exige, somos assaltados por um poder que desconhecemos que começa a conduzir os nossos passos, as nossas acções, as nossas emoções, a nossa vida!

Somos invadidos por um turbilhão de sentimentos que desejávamos nunca ter experimentado; a dor, o ciúme, o medo da perda, a insegurança, o sentimento de posse, a necessidade de saber do outro, a vontade de estar sempre perto.

E, mesmo sabendo que essa perda de controlo pode ser prejudicial, não temos o discernimento, a capacidade de nos conter porque o que nos comanda – o amor – não tem uma explicação lógica, não existe de forma igual para todos, não tem um padrão, não nos assalta a todos da mesma forma.

Apesar de todas as contradições, as diferentes formas de entender o amor, ele é sempre um sentimento único e deve ser vivido com toda a intensidade.

Mesmo que não sejamos capazes de exercer algum controlo na forma de viver o amor, devemos deixar-nos enlear, enredar, envolver, por esse sentimento essencial à vida.

Texto de Carolina Monsi

Eu desisti daquilo que um dia me fez sorrir, sentir frio na barriga e o meu coração palpitar. Eu desisti daquilo que já me fez bem e que fez a felicidade transbordar em mim. Eu desisti daquilo que um dia foi a minha melhor escolha, o meu melhor presente e o meu abraço favorito. Desisti de nós e se você acha que foi por falta de amor, está errado.

Eu desisti de você mesmo com todo o amor que carregava em mim. Eu desisti daquilo que me sufocou, me prendeu e me machucou. Eu desisti de fingir que estava tudo bem, dos seus carinhos calculados e das nossas conversas forçadas. É, hoje eu desisti de você e não foi porque eu não te amo mais. Falam que quem ama não desiste nunca. Mentira. Quem ama desiste sim. É que uma hora cansa, sabe? Cansa ter que correr atrás, pedir desculpas sem estar errado ou se dar conta de que a pessoa não te valoriza. É que isso tudo dói. Dói dar amor e não receber. E é por isso que eu fui indo embora.

Desistir é sobre amar. É sobre amar a si mais do que ama o outro. É sobre se valorizar, se querer bem e não se permitir ficar onde há desamor. E hoje eu percebo que a minha melhor escolha mesmo foi ter aberto mão de você, das nossas histórias e dos nossos planos. Agora vejo que desistir de você foi a maior prova de amor que me dei. Eu desisti de você porque você não pensou duas vezes em desistir de nós. Desisti de você para lutar por mim. Desisti de você porque não me permiti desistir de mim.