
Dia de poesia – Eugénio de Andrade – Soneto

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Conta-me uma história. Uma história qualquer...
Todas as histórias, muitas histórias...
Conta a história do barqueiro, que um dia
Desceu o rio logo cedo, e, à noite, não regressou
A história daquele barqueiro que nunca mais voltou...
Conta a história da moça que o amava, que o esperava
A história da moça que morreu
Que na beira da água o esperou todas as noites
Em que ele não mais voltou
A moça que enlouqueceu de saudade e de dor
Quando o barqueiro desapareceu nas águas do rio
A história da moça que esperava o barqueiro voltar
Mas ele não voltou.
E, de tanta espera, de tanta saudade
Ela enlouqueceu.
E morreu...
(Imagem: banco de imagens Google)


“- Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, o mar tem ondas?
– Porque os peixes estão a dançar.
– Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, o sol se esconde?
– Porque também gosta de brincar.
– Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, as estrelas caem?
– Porque tropeçam no manto da noite.
– Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, falamos sozinhos?
– Porque as palavras indicam caminhos.
– Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, me levantas no ar?
– Para te ensinar a agarrar.
– E se eu começar a voar?
– Terás sempre onde pousar.”
(Imagem: banco de imagens Google)
“- Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, o mar tem ondas?
– Porque os peixes estão a dançar.
– Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, o sol se esconde?
– Porque também gosta de brincar.
– Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, as estrelas caem?
– Porque tropeçam no manto da noite.
– Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, falamos sozinhos?
– Porque as palavras indicam caminhos.
– Avô.
– Diz.
– Porque é que, às vezes, me levantas no ar?
– Para te ensinar a agarrar.
– E se eu começar a voar?
– Terás sempre onde pousar.”
(Imagem: banco de imagens Google)

Calem-me aqueles que conseguirem.
Não vai ser fácil.
Aprendi a escrever com letras maiúsculas o de dentro de mim.
Não consigo mais esquecer como se faz.
Beiro as últimas estações de uma existência
Delas colho flores nas primaveras
Recolho folhas secas e murchas nos outonos.
Ensandeço e ardo nos verões
Quedo semimorta de cansaço nos invernos de meu sofrer.
Não quero mais amores que já tive.
Não quero mais emoções que já vivi.
Não quero mais dores que já senti.
Não aceito mais meios, terços e quartos.
Gosto de inteiros, cheios, amplos e grandes.
De tudo que estiver comigo
seja o que for
seja quem for.
Sou mulher.
Estou nos outonos de mim.
Faltam-me poucos meios-dias e meias-noites
Assim desejo-os inteiros.
Nada pela metade.
Ainda que só eu mesma é que saiba
o que é inteiro e o que é apenas metade.
(Imagem: banco de imagens Google)

Você, amor que virá para mim, estará na minha vida,
Como a chuva inesperada que transforma a paisagem
Seja bem-vindo desde já, sua chegada me alegra
Chegue logo, o mais cedo que você puder
Traga consigo a beleza do infinito azul do céu
O mistério dos perigos do profundo azul do mar
Todas as nuances do verde da natureza
O perfume de cada flor que surge nos campos
A transparência das águas que lavam a Terra
E a ternura que existe em cada noite de amor
Espero ansiosa sua chegada na minha vida
Trazendo a luz e o encanto para minha caminhada
Traga todos os sorrisos e todos os abraços
Tudo o que a vida me tirou e está me devendo
Porque você, meu amor, será minha redenção.
(Imagem: banco de imagens Google)