Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 16 – Pablo Neruda

Pablo Neruda (Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto) nasceu em 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile, mas viveu sua infância e adolescência em Temuco. Depois, mudou-se para Santiago para estudar francês na Universidade do Chile. Em 1923, publicou seu primeiro livro de poesias — Crepusculário.

Quando tinha apenas dois meses de vida, ficou órfão de mãe. Assim, dois anos depois, seu pai se mudou para Temuco e se casou novamente. Nessa cidade, de 1910 a 1920, Neruda estudou no Liceu de Homens.

Sua primeira publicação foi o artigo “Entusiasmo e perseverança”, assinado como Neftalí Reyes, em 1917, no jornal La Mañana. A partir de então, passou a publicar poesias em periódicos como Corre-Vuela e Selva Austral. Em 1919, ficou em terceiro lugar nos jogos florais de Maule, com o poema “Noturno ideal”.

Passou a assinar as suas poesias com o pseudônimo de Pablo Neruda a partir de 1920. Já em 1921, mudou-se para Santiago, onde ingressou no Instituto Pedagógico da Universidade do Chile, para estudar francês. Nesse mesmo ano, ficou em primeiro lugar no concurso da Federação de Estudantes do Chile, com seu poema “A canção da festa”.

Enquanto estudava, continuou a publicar em periódicos como Claridad, Los Tiempos e Dionysios. Em 1923, publicou seu primeiro livro de poesias: Crepusculário. Dois anos depois, tornou-se diretor da revista Caballo de Bastos, além de escrever para outros periódicos.

No ano de 1927, Pablo Neruda viajou para a Europa e conheceu Portugal, Espanha e França.

Voltou ao Chile em 1932. No ano seguinte, foi para Buenos Aires, na Argentina, e continuou a realizar seu trabalho de cônsul. Com o início da Guerra Civil Espanhola, em 1936, Neruda foi para a França, e regressou ao Chile no ano seguinte.

Em 1939, o poeta retomou seu trabalho como diplomata e voltou a viver em Paris, onde atuou a favor dos refugiados espanhóis. Em 1940, partiu para a Cidade do México, como cônsul geral. Cinco anos depois, em 1945, Neruda foi eleito senador no Chile, ganhou o Prêmio Nacional de Literatura e se filiou ao Partido Comunista.

Foi condecorado pelo governo mexicano, em 1946, com a Ordem da Águia Asteca. Dois anos depois, devido à perseguição política exercida pelo presidente chileno Gabriel González Videla (1898-1980), foi decretada a sua prisão. Apesar disso, o poeta permaneceu no Chile, mas escondido. Até que, em 1949, ele conseguiu fugir do país.

A partir de então, viajou para diversos países, onde participou de eventos políticos, artísticos e literários. Em 1950, recebeu o Prêmio Internacional da Paz. Quando estava morando na Itália, em 1952, sua ordem de prisão no Chile foi revogada, e, assim, o poeta voltou à sua pátria.

No ano seguinte, recebeu o Prêmio Stalin da Paz.

A essa altura, era um dos poetas de língua espanhola mais lidos, traduzidos e celebrados no mundo inteiro.

Suas viagens a outros países eram constantes, mas o poeta sempre retornava ao seu país natal. Em 1965, recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Oxford. No ano seguinte, recebeu a condecoração peruana Sol do Peru, além do Prêmio Atenea, da Universidade de Concepción, e, em 1967, o prêmio literário internacional de Viareggio, na Itália.

No ano de 1971, Neruda se tornou embaixador do Chile na França e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Já em 1972, foi nomeado membro do Conselho Consultivo da Unesco. No ano seguinte, renunciou ao cargo na embaixada. Morreu em 23 de setembro de 1973, em Santiago, no Chile.

Pablo Neruda fez parte da geração de 1920 da literatura chilena. Por isso, e devido a peculiaridades do autor, suas obras apresentam as seguintes características:

Introspecção

Saudosismo

Melancolia

Erotismo

Crítica sociopolítica

Temática amorosa

Elementos do cotidiano

Valorização da identidade latino-americana

(Fonte: Brasilescola)

Puedo escribir los versos más tristes esta noche

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos
           árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis
          brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

Texto de Luis Lavado – Sou

Sou talvez a maior força que terás na tua vida…
A vontade que te leva á emoção tão sentida…
Sou a fonte que embriaga, a fome que mata o teu ser…
Sou o calor que precisas, o frio que ainda vais ter!!!
Sou a saudade de mim, o sonho com que te deitas…
Sou o desejo que surge depois das pazes já feitas…
Sou o café das manhãs, o pão que te alimenta…
Sou tempestade na noite, o vento que te atormenta…
Sou o carinho esperado, quando chegas já cansada…
Sou o vinho que desperta e te dá vida ao meu lado…
Sou o Amor nos teus olhos, mesmo sem nada dizeres…
Sou o conforto da alma,feliz por tanto me quereres…

Sou tanto de ti e de mim…
Sou o princípio e o fim…

Dia de poesia – Alberto Caeiro – Quando vier a primavera

Quando vier a Primavera,

Se eu já estiver morto,

As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.

A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria

E a Primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.

Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?

Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.

Por isso, se morrer agora, morro contente,

Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.

Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.

Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é.

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Joaquim Pessoa – Tu sabes onde estou…

Sabes como me chamo.    
Estarei presente quando já mais ninguém estiver contigo, quando chegar a hora decisiva 
e não encontrares mais esperança, 
quando a tua antiga coragem vacilar. 
Caminharei a teu lado. 
Haverá, decerto, algumas flores derrubadas, 
mas haverá igualmente um sol limpo 
que interrogará as tuas mãos 
e que te ajudará a encontrar, 
entre as respostas possíveis, 
as mais humildes, 
quero eu dizer, 
as mais sábias e as mais livres. 
Conta comigo. 
Sempre