
Para pensar 58

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


14 de Março – Dia Nacional da Poesia. Transcrevo um poema que o grande Poetinha, o homem feito de poesia que escrevia poemas feitos de paixão, Vinicius de Moraes escreveu para a própria Poesia… :
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-Ia
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio…
…
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.
(imagem: banco de imagens Google)

Sou feita só de saudade.
Não sou massa nem sou visível.
Esse corpo fraco que ocupo não é meu.
Pairo sobre os mortais preocupados em viver.
Não tenho esses sentimentos de apego à vida
E muito menos de medo da morte.
Flutuo em um mundo de pesos-pesados
Não sei lidar com os humanos.
Porque minha essência é a saudade
Sou apenas sentimento.
E um único sentimento.
De saudade me alimento.
Com saudade adormeço
Por saudade amanheço
Só de saudade eu vivo
E de saudade hei de morrer.
(Imagem: banco de imagens Google)

Mais uma vez encontro a tua face,
Ó minha noite que eu julguei perdida.
Mistério das luzes e das sombras
Sobre os caminhos de areia,
Rios de palidez em que escorre
Sobre os campos a lua cheia,
Ansioso subir de cada voz,
Que na noite clara se desfaz e morre.
Secreto, extasiado murmurar
De mil gestos entre a folhagem,
Tristeza das cigarras a cantar.
Ó minha noite, em cada imagem
Reconheço e adoro a tua face,
Tão exaltadamente desejada,
Tão exaltadamente encontrada,
Que a vida há-de passar, sem que ela passe,
Do fundo dos meus olhos onde está gravada.

Vivia à beira-mar E à beira da loucura Amava o mar Intensamente E amava amar Com toda paixão De tanto mar De tanto amar Um dia ela se vestiu de mar E nele mergulhou para sempre...
(Imagem: banco de imagens Google)
