Encontro

Sentia-se cansado, muito cansado. Andara o dia todo, tinha fome, tinha sede. E não o encontrara, embora tenha estado em todos os lugares que lhe disseram onde ele poderia estar. Sua busca terminava aqui. Há meses vagava pelas estradas poeirentas e as pequenas cidades. Agora desistiu.
Viu uma sombra acolhedora sob uma grande e centenária oliveira.
Com todo cuidado para não perder nenhuma gota, tomou os últimos goles de água do velho cantil, companheiro de batalhas e de tantos caminhos. Comeu algumas tâmaras que lhe restavam. Deitou-se naquela sombra, e tentou dormir para empreender a caminhada da viagem de volta. Frustrado, triste, mas não adiantava continuar.
Nunca desistira de um objetivo em toda sua vida, não queria voltar sem o encontrar e o tocar. Mas não o conseguiria encontrar. Há anos vagava sem rumo seguindo indicações de pessoas que diziam tê-lo visto ali e em outro lugar… Era melhor desistir e voltar. Os ânimos estavam acirrados, os soldados irritados e agressivos, não queria se meter em mais confusões. Já as tivera bastante na juventude. Já fora também soldado. Estava velho. Bastante velho. Queria morrer em casa e em paz.
Adormeceu. Teve sonhos estranhos. Estava em uma multidão, ou uma batalha, todos se empurravam, gritavam histericamente. Ele não entendia o que acontecia. Ao longe, um homem lhe acenava, fazendo sinal para que se aproximasse, mas não conseguia vencer a turba.
De repente, estava à beira de um grande lago, muitos barcos passavam longe. Em um deles, um homem lhe acenava, fazendo sinal para que se aproximasse, mas não dispunha de nenhum meio para vencer a água.
Então se viu em um grande campo de trigo maduro, difícil de caminhar. Do nada, um fogo tomou conta do trigo e ele queria fugir, mas ao longe, um homem lhe acenava, fazendo sinal para que se aproximasse, mas não tinha como vencer o fogo.
Ouviu muitas vozes, acordou assustado, e, no meio da colina, viu um turbilhão de pessoas descendo a encosta, ladeando um homem que seguia em um burrico. Confuso, não entendia onde estava, ficou olhando em volta.
Do meio do povo, o homem no burrico lhe acenava, fazendo sinal para que se aproximasse. Com as pernas bambas do cansaço e da confusão mental, aproximou-se do Homem, e Ele lhe deu a mão e lhe perguntou: “Era por mim que procuravas, meu filho?”
Trêmulo de fraqueza e emoção, com lágrimas nos olhos, tocou, enfim, na mão de Jesus.
(Imagem: banco de imagens Google)
Do tempo…

Novembro está no fim. Como passa rápido. Dezembro já batendo na porta, querendo entrar!
Que loucura, semana próxima já será Natal e eu nem acabei de pensar no que farei. Não vai dar tempo.
Inacreditável, amanhã será véspera de Ano Novo e não consegui viajar. Espero que janeiro seja mais calmo, essa correria do final de ano acaba com qualquer pessoa.
Como assim, oito dias para o Carnaval… nem vi janeiro e já estamos em fevereiro.
Hoje já é primeiro de abril? Não é possível, está tentando me enganar.
Cadê os 90 dias desse ano que se foram rapidamente?
Até agora só corri atrás de prejuízos, paguei contas, resolvi problemas, não vivi.
E assim, ano após ano, o “passar” do tempo parece a cada vez mais acelerado. Mal vivemos, sempre correndo contra o tempo, cumprimos as obrigações e nos contentamos com isso.
E envelhecemos.
A cada hora, a cada segundo.
E percebemos, então, que o tempo fica. Passamos nós…
(Imagem: banco de imagens Google)
Antes do 1° de Abril…
E assim o mês de março se foi…
Em um tempo que aparece acelerar a cada dia, que chegamos mesmo a nos perdermos no calendário, pela velocidade dos dias, das semanas.
Foi-se o primeiro trimestre do ano.
Triste, talvez, neste século, o começo de ano mais triste que vivenciamos.
Guerras acontecendo em todos os cantos, violência extrema, população acuada e assustada, e mortes.
E, por sua vez, a natureza reagindo à maldade dos homens e trazendo tormentos atmosféricos…
Chuvas torrenciais, inundações, deslizamento e mortes. Tufões, tornados, furacões, tempestades, vendavais e mortes.
Como se não bastassem as já conhecidas moléstias que matam, novas doenças surgem e se espalham pelo mundo.
Então, com toda esperança e muito otimismo, acredito que o pior passou. Foi um pesadelo dessas noites de verão, que já acabou.
O verão se foi, e teremos notícias boas, teremos alegrias nos nossos dias.
Voltaremos a nossos sonhos e nossos planos, buscando nosso melhor e o melhor para todos.
Abril trará a leveza do outono que começou dia 20 de Março.
Ventos amenos, paisagens de outra coloração – os maravilhosos tons outonais, noites frescas e uma renovação da natureza.
Poucas, mas leves e necessárias chuvas.
E a natureza se reorganizando do caos que foi o último verão.
E a humanidade, quem sabe, sentirá essa nova ordem e também se reorganizará, com mais paz e menos violência, com mais compaixão e menos disputas.
Seja bem-vindo, abril. Que seu dia 1° seja verdadeiro!
(Imagem: banco de imagens Google)
Alguma verdade…

Para pensar 60
