
Para sofrer eu não precisava dos teus braços.
Para sofrer bastava-me olhar para os meus doridos e ensanguentados pés feridos pelos espinhos da vida.
Talvez não saibas, mas eu não tenho medo dos espinhos porque amo as rosas. E mais, faço o mesmo com a vida, quanto mais ela me faz tropeçar mais vontade eu encontro para viver.
Por isso, olhei para ti, e não para outro qualquer.
Vi rugas do viver no teu rosto e escutei mágoas que falavam por ti.
Tu chamavas a vida pelo nome e quando me prometeste um amor diferente, eu julguei que teria encontrado alguém que sabia ajoelhar-se perante o mais nobre dos sentimentos.
Afinal, o que vi foi apenas a máscara que tinhas colocado no rosto e que podia enganar qualquer uma, da mesma forma que me enganou a mim.
Escondias-te na sombra do tempo mostrando ao mundo qualidades que nunca tiveste e escrevia com a mão esquerda a poesia de uma vida que só foi sofrida por que não a soubeste viver.
O que me deste foram retalhos do meu já tão conhecido sofrimento.
(Imagem: banco de imagens Google)




