
Interessante como quase todas as pontas – ou opostos – chegam a um ponto no qual se entrelaçam. Talvez as paralelas realmente se encontrem no infinito.
No nosso olhar, céu e mar se encontram em um ponto distante, que podemos avistar.
Na nossa percepção, somente quando a noite se torna irremediavelmente escura é que o novo dia raiará e haverá claridade.
Na nossa vida, no momento em que uma relação se torna absolutamente insuportável, uma prisão sem esperança, que se consegue por um basta, um ponto final e recuperar a licerdade.
Tudo é levado a extremo para então se tornar aquilo que almejamos.
Estranha forma de conquistarmos o que se pretende, sempre através de se alcançar um limite intransponível.
Só a felicidade, essa acaba de repente, sem anúncio, sem previsão e enquanto esperamos que dure ainda muito tempo.
E a tristeza e a saudade, que não têm qualquer ponto final, se renovam infinitamente, e é humanamente impossível encontrar seu fim.
(Imagem: foto de Maria Alice)


