
E como dói!

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –



As naus partiram
Uma a uma, deixaram o porto
E se foram para sempre
O grande mar as tragou
E elas sumiram
Num horizonte sem fim
Num balanço sem volta
As naus partiram
Como todos os amores
Que um dia deixam a alma
E se vão, mar da vida afora
Em busca de novos horizontes
Sem se importarem com a dor causada
Vão, felizes, seguindo as ilusões
As naus partiram
E aquele porto, agora vazio,
Guarda apenas o inútil cais
Que vê as naus diminuírem
Na medida que se afastam
As mesmas naus, ingratas,
Que sequer olham para trás
As naus partiram
Ignorando o pranto do cais
Que suporta tanto abandono
Que tanto pedia “leva-me junto,
Nau amada, não me deixes aqui”
E o cais, desesperado, agora vago,
Deixado para sempre no velho porto...
As naus partiram
Para quem parte, a aventura
A conquista, a novidade
E, para quem fica
O vazio do porto onde,
Até então, se abrigavam
Na ternura do cais amoroso
As naus partiram
Deixando um vácuo de amor, de paixão
E de vontade de viver
Um rastro de pranto dolorido
Um cais destroçado e ferido
Onde tudo é saudade
Tudo é angústia, desolação
As naus partiram
Chora o cais o desespero solitário
De se ver sozinho, sem porvir
Tudo ficou triste, vazio,
Este cais, coração abandonado, ele sabe
Que as naus partiram
E não voltarão jamais
(Imagem: banco de imagens Google)

Lá se vai junho…
Fechando um semestre. Totalmente desperdiçado e sem sentido. Meio ano sem vida.
Decorrida a primeira metade de ano totalmente preenchida de tragédias humanas e climáticas.
Meio ano de sangrentas guerras em pleno século XXI.
Os primeiros seis meses de 2026. Nada plantado, nada a colher.
Sobressaltos, tristezas, muitas mortes.
Total insegurança quanto ao futuro.
Do mundo, da Terra, do Brasil e de cada um.
O que estamos fazendo aqui? Apenas esperando morrer?
O que nos reserva os seis meses restantes desse estranho ano?
Um super El niño. Mais intempéries. Mais medo.
Será que vale a pena enfrentar e continuar aqui até o raiar de um novo ano?
Ou seria melhor encerrarmos o ano por aqui e amanhã iniciarmos 2027?
(Imagem: gerada por IA)
