de esperança (memória)

Esperança – sustento dos sonhos, alimento da alma.
Muitas vezes é o único fio que ainda nos prende à vida.
Feita da mesma matéria da espuma do mar e das nuvens, é o mais tenaz dos sentimentos. Resiste. Sua missão, tão difícil, é assoprar continuamente as brasas da existência que ainda restam sob as cinzas das desilusões.
A cargo da esperança está nossa vontade de viver, de lutar, de seguir adiante. Ou já teríamos desistido de tudo.
Um único ponto de luz no nosso futuro é exatamente uma estrelinha brilhante que a esperança ali colocou. Para nos manter vivos.
E vamos em busca de alcançar essa estrelinha, que se afasta sempre que nos aproximamos. Mas a esperança, atenta, não nos deixa esmorecer.
E continuamos.
Mas, às vezes, a esperança se distrai, e desabamos.
Porque viver só de esperança é desanimador.
E isso faz lembrar uma velha trova “espero… pobre esperança / que já me resta tão pouca; / esperança também cansa / e às vezes amarga a boca”.
(Imagem: óleo sobre tela, Miguel Ângelo Barbosa)
Saudade – Autoria desconhecida

Outros tempos

Houve um tempo em que as pessoas cultivavam valores diferenciados. E o dinheiro não era o mais importante. A família, o nome, a pessoa e a honestidade eram bens respeitáveis e inalienáveis.
Sempre tudo teve preço, mas alguns sentimentos tinham valor.
Era assim com a morte. Você perdia alguém muito amado, você se recolhia no luto e todos respeitavam sua dor.
Hoje você perde alguém e corre para a internet gritar aos quatro ventos que quer justiça e indenização.
Quando um filho morria, a mãe quase morria junto de tanto sofrimento. Hoje ela contrata um advogado e pede uma indenização, vendendo a vida do filho que se foi.
Era assim também com o crime.
A vítima de um crime era respeitada, resguardada e mimada pelos mais próximos. Hoje ela é explorada pelos meios de comunicação e exposta até o último grau que beira mesmo a indignidade.
E o criminoso era execrado publicamente. Se fosse preso, a família até se mudava de cidade, de tanta vergonha de ter um bandido.
Hoje, a mãe põe a cara na televisão em cadeia nacional e fica berrando que o filho é vítima da polícia.
Houve um tempo, até mesmo, em que a polícia era bem vista, os policiais eram respeitados.
Hoje qualquer bandidinho chega na audiência de custódia, ataca moralmente os policiais que o prenderam, ofende o promotor de justiça e xinga o juiz de direito. E as autoridades ainda pedem desculpas ao delinquente por ter sido preso.
Houve um tempo em que não pagar as contas era motivo de desonra. Hoje o calote é oficialmente institucionalizado. E é proibido cobrar o devedor.
Houve um tempo em que fotografia era rara e cara. As pessoas se vestiam e se arrumavam para “tirar retrato” e este era guardado como tesouro. Hoje, qualquer um – mas qualquer um mesmo – tem um celular e tira foto até da comida para depois apagar. E as pessoas se despem para fazer as fotos e depois publicar nas redes sociais.
Houve um tempo, e não faz muito tempo, que vergonha era algo pessoal. Hoje é pública e todos se orgulham de passá-la.
Que tempo é este?
(Imagem: banco de imagens Google)
Para pensar 66
