
Vaine Darde, para hoje

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Do meio da mata vem um chamado
O canto fantástico do peito-de-aço
Que não se confunde nem nunca se cala
Mas chama de longe, atravessa o espaço
O canto fantástico do peito-de-aço
Que canta distante seu canto de mata
Mas chama de longe, atravessa o espaço
Não é só um canto, é uma bravata
Que canta distante seu canto de mata
Junto da companheira, não mostra cansaço
Não é só um canto, é uma bravata
Que só canta livre, não canta no laço

Oração à Poesia

Que a poesia esteja entre nós em todos os momentos
E venha até nós em cada dia que se inicia
Entre em nossa casa e dela faça sua eterna morada
Seja o som do canto do pássaro no alvorecer
Esteja entre as folhas das árvores onde o vento em brincar
Se mostre no azul do céu e nas nuvens de algodão
E na cor de cada pétala de flor que se abre nas manhãs
Esquente a Terra desde o amanhecer como se fosse o sol
E fulgure depois do anoitecer junto com o claro luar
Seja a bebida em cada copo que se ergue para um brinde
Apareça no brilho dos olhos dos apaixonados
E possa amainar a dor no coração dos abandonados
Adoce a lágrima dos que choram por amor
Acalme o coração dos que sofrem por desesperança
Venha em palavras para ajudar os que querem se declarar
Cole as mãos dos que seguem juntos pela vida
Vele o sono e filtre os sonhos de todos que adormecem
Cure as feridas nas almas lanhadas pela tristeza
Seja a música que leva alegria aos que amam
E traga o canto na voz dos alegram a existência
Nunca falte nas noites frias, chuvosas e solitárias
Que a poesia desça sobre nós e permaneça para sempre. Amém.
(Imagem: banco de imagens Google)

Por um momento ela o encarou
Como se ainda estivessem vivos
Viu o mesmo olhar, a mesma intensidade
Mas era tarde demais, o tempo deles se fora
Levantou-se em meio à névoa que se formara
E viu tudo sumir diante de si, se esvaindo na neblina
Agora já estavam definitivamente mortos
Morreram há muito tempo um para o outro
Na distância, na ausência, no abandono
(Imagem: banco de imagens Google)

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
(Imagem: banco de imagens Google)