Olha que coisa mais linda / Mais cheia de graça / É ela, menina / Que vem e que passa / Num doce balanço / A caminho do mar

Moça do corpo dourado / Do sol de Ipanema / O seu balançado é mais que um poema É a coisa mais linda que eu já vi passar.                                                                (Garota de Ipanema – música de  Antônio Carlos Jobim e letra de Vinicius de Moraes, 1962)

 

 

Quantas garotas na praia. Quantos rapazes na praia. Todos passam a caminho do mar, sorridentes e animados.

A praia exerce tal atração na esmagadora maioria das pessoas que é preciso explicar esse encantamento. Pronunciar a palavra “férias” e já vem a imagem da praia. Ver uma imagem de praia e já se associa a férias.

Estão intimamente ligadas. Pelo menos em terras tropicais como esse país com vasta imensidão de seu território reservado para o litoral. Belíssimo, de norte a sul. A costa brasileira é privilegiada. Mares calmos, mares de grandes ondas, mares quentes, mares frios, mares cinzas, mares azuis e os lindos “verdes mares bravios” (“de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.” Iracema, José de Alencar). Mas sempre o mar. Nosso mar. Nossas praias.

A praia é o espaço mais democrático e igualitário que existe. Simplesmente não existe exclusão em território de areia e mar.

Todos juntos, barracas quase iguais, maiôs, pés descalços, não importa se rico ou pobre, se feio ou bonito, se gordo ou magro, se novo ou velho. Há espaço, sol e diversão para todos.

Praia boa tem sol, vento, areia voando, água subindo (“onda, onda, olha a onda”, como dizia a música dos anos 90… olha a onda, e os doces da Roberta sendo levados pelo mar… muita risada pela imprevidência com relação à subida da maré…)

Praia boa tem criança brincando, tem criança perdida, tem gente passeando, tem gente andando, tem gente caminhando e tem gente correndo.

Praia boa tem salva-vidas apitando…

Praia boa tem água de coco e cerveja tri-gelada…

Praia boa, mas boa mesmo, é a que me espera a partir do fim de semana. Lá vou eu!

Dia de Poesia – Pedro Homem de Mello – Cisne

 

 

Amei-te? Sim. Doidamente!
Amei-te com esse amor
Que traz vida e foi doente…

À beira de ti, as horas
Não eram horas: paravam.
E, longe de ti, o tempo
Era tempo, infelizmente…

Ai! esse amor que traz vida,
Cor, saúde… e foi doente!

Porém, voltavas e, então,
Os cardos davam camélias,
Os alecrins, açucenas,
As aves, brancos lilases,
E as ruas, todas morenas,
Eram tapetes de flores
Onde havia musgo, apenas…

E, enquanto subia a Lua,
Nas asas do vento brando,
O meu sangue ia passando
Da minha mão para a tua!

Por que te amei?
– Ninguém sabe
A causa daquele amor
Que traz vida e foi doente.

Talvez viesse da terra,
Quando a terra lembra a carne.
Talvez viesse da carne
Quando a carne lembra a alma!
Talvez viesse da noite
Quando a noite lembra o dia.

– Talvez viesse de mim.
E da minha poesia…

Realidade

Hoje fiz um pacto com a felicidade: não pensarei mais nela,

 e para todo o sempre, eu não mais a procurarei.

Quando estávamos juntas, a felicidade me dizia

que ficaria sempre a meu lado, cuidaria de mim,

seguiríamos os mesmos caminhos. E eu acreditei.

Mas a felicidade me enganou. Porque eu a amava.

Um dia, simplesmente, sem qualquer motivo

ou explicação, virou-me as costas e se foi.

Para nunca mais voltar.

Enquanto ela estava aqui, a ilusão, o amor,

a alegria, o prazer e a esperança não saíam

de minha vida, tudo era lindo, tudo era festa.

Mas a felicidade se foi e levou todos eles.

Fiquei sozinha e desnorteada, buscando um porquê.

O desespero logo chegou e trouxe consigo a tristeza.

Vieram também a solidão e a desesperança.

E tomaram conta de mim, como a felicidade nunca fizera antes.

E mostraram a realidade: a felicidade nunca me amou de verdade,

pouco se importava comigo e trocou-me por outra.

Mas eles estarão para sempre aqui comigo.

Basta que eu não procure mais a felicidade,

basta que nunca mais eu seja feliz,

e que eu viva apenas de saudade.

Meu amigo

Da mesma forma que a solidão é uma bênção, os amigos também o são. Sou de poucos amigos. Mas aqueles a quem chamo amigos, são realmente amigos. Relacionamentos afetuosos, antigos, recíprocos, atenciosos. Não é possível amizade de mão única.

Tenho um amigo fiel. A toda prova.

Estamos juntos desde minha juventude. Sempre juntos.

Ele esteve comigo quase diariamente. Estivemos juntos em todos os bares, em todas as festas.

Fez-me companhia nas grandes alegrias. Viu-me chorar nas tristezas e separações.

Noites e madrugadas era minha única companhia. Estava comigo no maior porre da minha vida. Está sempre ao lado, prestativo e dedicado. Nunca me faltou nem se ocupou de outros, deixando-me de lado.

É aquele amigo com quem posso contar nas noites de insônia.

Nos finais das longas tardes, quando é preciso calma e meditação.

Nas noites em qualquer lugar do mundo, se o chamar, ele está comigo.

Para ouvir música, ler poesias, ver um filme.

Chorar, desabafar, pensar nos problemas e procurar soluções.

E ele ali, a minha melhor companhia. Nunca me abandonou, nunca me deixou falando sozinha.

Meu freio nos desvarios e meu gatilho para me atirar.

Silenciosamente, ele está a meu lado. Sempre.

Meu melhor amigo, o whisky.

     

Do que é feita a saudade?

A saudade é feita de pequenos retalhos

De momentos felizes já passados e vividos

De beijos antigos ainda tão lembrados

De mãos que não nos tocaram, mas desejamos.

 

A saudade é feita de variados cacos

De recordações de olhos que nos viram

De tantas vozes que já não mais ouvimos

De muitos carinhos que agora já não temos

 

A saudade é feita de tantas lembranças

De pessoas que não ficaram em nossa vida

De algumas paixões ardentes que já esfriaram

 

A saudade é feita de todos esses pedaços 

De nossa alma que ficaram pelos caminhos

E agora, recolhidos, estão guardados no coração.

Dia de poesia – Luís de Camões – Soneto

Pois meus olhos não cansam de chorar

tristezas, que não cansam de cansar-me;

pois não abranda o fogo em que abrasar-me

pode, quem eu jamais pude abrandar;

 

não canse o cego Amor de me guiar

a parte donde não saiba tornar-me;

nem deixe o mundo todo de escutar-me,

enquanto me a voz fraca não deixar.

 

E se em montes, rios, ou em vales,

Piedade mora, ou dentro mora Amor

em feras, aves, plantas, pedras, águas,

 

ouçam a longa história de meus males

e curem sua dor com minha dor,

que grandes mágoas podem curar mágoas.

Gotas de mar

Trazia em si o encanto da imensidão

Nos olhos inundados de mar

Se movia no ritmo de ondas

Como se vivesse em um barco

 

Trazia na alma uma imensa paixão

Alimentava-se de amor, luz e alegria

Amava a espuma frágil da vida

Como se fosse personagem de romance

 

Trazia uma esperança de felicidade imbatível

Acreditava que o amor venceria tudo e todos

Até o momento em que viu seu mundo cair e

Sentiu a tristeza do abandono e solidão

 

E quando de seus olhos brotaram

As gotas do mar que trazia em si

Pela face tristemente correram,

Lágrimas salgadas como água do mar