
Para hoje

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Escrever um soneto do avesso
Deixando de lado o medo de errar
Sem talento não sei se mereço
Se começa por dois de quatro ou três
E não sei com quantos versos termina
Só sei que é para inverter desta vez
Escrever um soneto ao contrário
Não posso perder métrica e rima
E mesmo sem usar um dicionário
Não nego: essa tarefa me anima
No fim de toda essa labuta
Já perdi onde é fim ou começo
Depois de enfrentar tanta luta
Para escrever um soneto do avesso

Porta aberta ,
folhas a espera num chão frio.
Cenário que me faz penar tristeza ,
Me faz pensar no amor
Tristeza . Amor.
Se é para ser triste , não ame.
Feche a porta.


A vida foge e não recua um passo
E a morte, em grande marcha, vai em frente;
As coisas do passado e do presente,
Ao futuro reclamam meu espaço.
A jornada que nesta vida eu traço
Na espera e na lembrança inutilmente,
Por pena de mim mesmo descontente
Este caminho que ora fiz, desfaço.
Se à lembrança me vem algum desejo
Do peito que a alegria abandonou,
Ao navegar em alto-mar eu vejo
O porto onde meu barco desistiu,
A nave que lá fora naufragou
E o fogo que dos olhos teus fugiu.
(Imagem: foto de Maria Alice)