
Para pensar 80

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Hora sagrada – largar as tarefas e ir para a rua soltar pipa.
Ventos de agosto. Pipas no céu sem nuvens.
Alegria da meninada. Quem empinava melhor a linda pipa?
Quanto mais alto vai a pipa, maior o risco de perdê-la.
Quanto mais alto vai a pipa, mais perfeito seu feitio…
Rabiolas ao vento. Balé de cores. Papéis, colas e varetas…
Olhos encantados se voltam para o infinito, ainda puros dos humanos sofrimentos.
Saudade da infância, dos irmãos, dos amigos…
(Imagem: pintura de Cândido Portinari – “Meninos soltando pipas” – banco de imagens Google)

Eu te amo...
Eu te amo como a montanha ama o sol que lhe permite fazer parte do entardecer
Eu te amo como o mar ama a tempestade que lhe liberta da calmaria
Eu te amo como o pássaro ama a aurora que lhe autoriza o cantar
Eu te amo como a lua cheia ama o poeta que lhe veste de prazeres
Eu te amo como a amizade ama a aliança do abraço
Eu te amo como o tempo ama a fortuna da cumplicidade
Eu te amo simplesmente, como o lavrador ama a terra que lhe alimenta
Eu te amo e só.
E quando não puder mais sentir o doce toque do meu amor, encontre-me no amanhecer, que é o momento do milagre. Ou me busque na sombra das estrelas, que é onde mora o que é eterno.
(Imagem: banco de imagens Google)
Carrego em mim todas as dores do mundo. As dores do corpo e as dores da alma.
Dores crônicas, agudas, lancinantes…
As dores físicas que já suportei levariam outras pessoas ao desatino.
Mas eu sempre aguento. Uma hora a dor vai passar, eu sei.
Difícil aguentar as dores da alma. Doem mais do que prender o dedo na porta, do que cólica de rins, ou quebrar a perna…
Dentre elas as piores são as dores da indiferença e da saudade.
O contrário do amor não é o ódio. Ambos são sentimentos fortes e motivantes. O verdadeiro contrário do amor é a indiferença. Que machuca, marca fundo na alma. Dói intensamente. E não passa.
E a dor da saudade?
Abrir os braços para o vazio e abraçar a ausência de quem se foi?
Voar sozinho em seus sonhos porque o outro desistiu de voar com você?
Acordar de madrugada e não ter mais aquele alguém a seu lado, mas somente o frio e o nada?
Isso é saudade. Isso dói lancinante. De dar vontade de desistir de tudo e morrer. Essa dor eu não aguento. Ela não passa, jamais.
Saudade é tudo o que não há. É o nada. É o vazio. O buraco escuro onde nos debatemos sem a menor possibilidade de sair.
Saudade é a dor conjunta de todas as partes do corpo. Porque dói a alma, dói nossa essência, dói nossa vontade de continuar vivendo.
É sentir o toque de quem já se foi, ouvir a voz que não fala mais, sonhar o impossível que não acontecerá.
É mais que solidão. Porque solidão não é falta. E saudade é feita apenas de ausência.

Saudade é a presença da ausência que nos acompanha constantemente.
É a vontade de se lanhar em pedras quentes para sentir outra dor maior, de bater a cabeça nas rochas para parar de pensar na falta de uma presença.
Derramar lágrimas sem fim, um pouco de bálsamo do coração, que aliviam a dor da alma.
Sentir saudade é sofrer. Beber até a última gota do cálice do sofrimento atroz. E doer e doer e doer. Dia e noite. Como um mecanismo que não cessa de rodar e moer a dor e despejá-la sobre nós.
Saudade é o não saber do outro, que não está mais perto, que não dá notícias… não saber se está bem, se pensa em nós, se está longe por amar outra pessoa ou por mero orgulho…
Saudade é tristeza, é querer voltar no tempo por um instante ao menos e sentir a felicidade que a causou. E quanto mais se lembra, mais saudade se sente e mais se sofre, como em uma espiral infinita de pensamentos e sentimentos.
Tenho saudade, sim. Muita saudade.
E muita dor.
(outubro, 2019)
(Imagem: banco de imagens Google)

Quero-te, e já não te quero
O coração cansa...
Passam os dias e o vais mantendo
Alimentando com palavras
Batendo
Com fugazes momentos
Mantendo...não amando
E o coração cansa
Cansa, de ser mantido iludido
Quero-te e já não te quero
Não assim...
Gostas realmente de mim?
Ou és apenas refém
Desse desejo egoísta
Dessa busca por prazer e aventura
O coração cansa
Cansa até de saber
Que outros como ele mantêns
Iludidos a bater
Quero-te, queria, já não quero
Amei, entreguei, quis
Mas sabes?
Este coração cansado
Merece ser feliz
E um dia, irá se cansar o teu
E se lembrar
Deste cansado
Que perdeu...