
Saudade – Autoria desconhecida

A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Houve um tempo em que as pessoas cultivavam valores diferenciados. E o dinheiro não era o mais importante. A família, o nome, a pessoa e a honestidade eram bens respeitáveis e inalienáveis.
Sempre tudo teve preço, mas alguns sentimentos tinham valor.
Era assim com a morte. Você perdia alguém muito amado, você se recolhia no luto e todos respeitavam sua dor.
Hoje você perde alguém e corre para a internet gritar aos quatro ventos que quer justiça e indenização.
Quando um filho morria, a mãe quase morria junto de tanto sofrimento. Hoje ela contrata um advogado e pede uma indenização, vendendo a vida do filho que se foi.
Era assim também com o crime.
A vítima de um crime era respeitada, resguardada e mimada pelos mais próximos. Hoje ela é explorada pelos meios de comunicação e exposta até o último grau que beira mesmo a indignidade.
E o criminoso era execrado publicamente. Se fosse preso, a família até se mudava de cidade, de tanta vergonha de ter um bandido.
Hoje, a mãe põe a cara na televisão em cadeia nacional e fica berrando que o filho é vítima da polícia.
Houve um tempo, até mesmo, em que a polícia era bem vista, os policiais eram respeitados.
Hoje qualquer bandidinho chega na audiência de custódia, ataca moralmente os policiais que o prenderam, ofende o promotor de justiça e xinga o juiz de direito. E as autoridades ainda pedem desculpas ao delinquente por ter sido preso.
Houve um tempo em que não pagar as contas era motivo de desonra. Hoje o calote é oficialmente institucionalizado. E é proibido cobrar o devedor.
Houve um tempo em que fotografia era rara e cara. As pessoas se vestiam e se arrumavam para “tirar retrato” e este era guardado como tesouro. Hoje, qualquer um – mas qualquer um mesmo – tem um celular e tira foto até da comida para depois apagar. E as pessoas se despem para fazer as fotos e depois publicar nas redes sociais.
Houve um tempo, e não faz muito tempo, que vergonha era algo pessoal. Hoje é pública e todos se orgulham de passá-la.
Que tempo é este?
(Imagem: banco de imagens Google)


Penso no mar. Desde que saí da minha varanda de mirá-lo e ouvi-lo dia e noite, a solidão e a saudade são minhas infalíveis companheiras. Todas as vezes que olhei para o mar, mesmo morando “na praia”, apenas do outro lado da rua, o encanto se renovou a cada momento…
Fico a lembrar “os mares que já vi” – aqui no Brasil, sem dúvida, o mais lindo é em Alagoas, onde o mar tem uma cor inigualável. E quente. E manso.
Os mares do nordeste do Brasil são lindos e quentes.
O Brasil é feito de mar. Do gélido mar do Rio Grande do Sul, até o quase caribenho norte, são 7.490 quilômetros de mar, banhando 17 Estados brasileiros.
São tantos mares e tão lindos…
O Pacífico, gelado e majestoso, na costa chilena.
E viajar de navio, então. É a glória. Literalmente.
Dias e dias em pleno mar. Para onde se olha se vê mar. Céu e mar.
Dormir com o doce balanço do navio. Quando embarcada tenho a impressão de que minha avó me está ninando, todas as noites.
Gosto de mar e de barcos. Um bote. Um caiaque já me basta.
E vou confessar aqui: meu sonho dourado é viver embarcada, e todos os dias, ir. Porque o mar não pára e se estamos embarcados estamos, sempre, indo.
E o outro lado do mar? A emoção de Cabo das Rocas, “aqui, onde a terra acaba e começa o mar”, nas palavras de Camões…
Entrei no mar do lado de lá em Nazaré. Não aguentei a vontade e…fui! Gelado! Voltei para a calçada, calcei as botas e continuei meu passeio. Mas estive dentro do mar, do outro lado do Oceano Atlântico.
O mar nas Bahamas, no Atlântico Norte quente, límpido. O mar das Caraíbas ou Antilhas, o Golfo do México…
Na Cote d’Azur, na Costa Verde,
O Mar Mediterrâneo, que separa ou une Europa, Ásia e África, desde Costa Norte do Sinai em Al-Arish, banhando o Egito, Tunísia e Marrocos até a Europa Espanha, França, Mônaco, Itália – e atinge a Ásia (Israel, Síria e Líbano). Ainda em Israel temos os bíblicos Mar Morto (ou Mar de Sal), o Mar da Galileia (ou Lago Tiberíades) e o Mar Vermelho, no Golfo de Aqaba.
E o Mediterrâneo chega na Grécia e a separa da Turquia, com o nome de Mar Egeu e lá forma o Mar de Mármara…
E a costa sul da Europa, unindo Portugal – em Algarves – passando pela Espanha (“os mares de Espanha, desde a Costa Brava – Balear, Mar Menor, Cantábrico e Alborão), França (Costa Azul – Côte d’Azur ou Riviera Francesa), Mônaco e entrando na Itália – Costa Verde ou Riviera Italiana. Lugares inesquecíveis… são tantos os mares e, no fundo, o mar é um só. E a terra, de atrevida, o cobriu em algumas partes, e parece dividi-lo.
A Itália tem seus mares – o Adriático a leste e o Tirreno, a Oeste. Paisagens deslumbrantes de Cinque Terre até a Costa Amalfitana e o mais que deslumbrante Golfo Sorrentino… Nomes poéticos, que nos conduzem a Beatriz, a Julieta, e, no mundo real, a tantos personagens históricos – de Michelangelo, da Vinci, e Dante, ao exílio de Napoleão na linda Elba.
E o belíssimo Oceano Atlântico, visto de qualquer ponto da vulcânica Ilha da Madeira, com suas praias de calhau, que dão a certeza e a dimensão da imensidão do nosso mar…
Não posso mais viver no mar. Mas lá eu quero morrer.
E deixo aqui trecho de uma mensagem linda, anônima, que recebi há muito tempo:
Você sabe por que o mar é tão grande, tão poderoso? Porque teve a humildade de colocar-se abaixo da terra e dos rios. Porque se estivesse acima, não receberia todas as águas que correm e sim escoaria ele mesmo sobre as terras e se esvaziaria.
(Imagem: foto de Maria Alice)

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
(Imagem: foto de Maria Alice)