A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Eu te amo... Eu te amo como a montanha ama o sol que lhe permite fazer parte do entardecer Eu te amo como o mar ama a tempestade que lhe liberta da calmaria Eu te amo como o pássaro ama a aurora que lhe autoriza o cantar Eu te amo como a lua cheia ama o poeta que lhe veste de prazeres Eu te amo como a amizade ama a aliança do abraço Eu te amo como o tempo ama a fortuna da cumplicidade Eu te amo simplesmente, como o lavrador ama a terra que lhe alimenta Eu te amo e só. E quando não puder mais sentir o doce toque do meu amor, encontre-me no amanhecer, que é o momento do milagre. Ou me busque na sombra das estrelas, que é onde mora o que é eterno.
Carrego em mim todas as dores do mundo. As dores do corpo e as dores da alma.
Dores crônicas, agudas, lancinantes…
As dores físicas que já suportei levariam outras pessoas ao desatino.
Mas eu sempre aguento. Uma hora a dor vai passar, eu sei.
Difícil aguentar as dores da alma. Doem mais do que prender o dedo na porta, do que cólica de rins, ou quebrar a perna…
Dentre elas as piores são as dores da indiferença e da saudade.
O contrário do amor não é o ódio. Ambos são sentimentos fortes e motivantes. O verdadeiro contrário do amor é a indiferença. Que machuca, marca fundo na alma. Dói intensamente. E não passa.
E a dor da saudade?
Abrir os braços para o vazio e abraçar a ausência de quem se foi?
Voar sozinho em seus sonhos porque o outro desistiu de voar com você?
Acordar de madrugada e não ter mais aquele alguém a seu lado, mas somente o frio e o nada?
Isso é saudade. Isso dói lancinante. De dar vontade de desistir de tudo e morrer. Essa dor eu não aguento. Ela não passa, jamais.
Saudade é tudo o que não há. É o nada. É o vazio. O buraco escuro onde nos debatemos sem a menor possibilidade de sair.
Saudade é a dor conjunta de todas as partes do corpo. Porque dói a alma, dói nossa essência, dói nossa vontade de continuar vivendo.
É sentir o toque de quem já se foi, ouvir a voz que não fala mais, sonhar o impossível que não acontecerá.
É mais que solidão. Porque solidão não é falta. E saudade é feita apenas de ausência.
Saudade é a presença da ausência que nos acompanha constantemente.
É a vontade de se lanhar em pedras quentes para sentir outra dor maior, de bater a cabeça nas rochas para parar de pensar na falta de uma presença.
Derramar lágrimas sem fim, um pouco de bálsamo do coração, que aliviam a dor da alma.
Sentir saudade é sofrer. Beber até a última gota do cálice do sofrimento atroz. E doer e doer e doer. Dia e noite. Como um mecanismo que não cessa de rodar e moer a dor e despejá-la sobre nós.
Saudade é o não saber do outro, que não está mais perto, que não dá notícias… não saber se está bem, se pensa em nós, se está longe por amar outra pessoa ou por mero orgulho…
Saudade é tristeza, é querer voltar no tempo por um instante ao menos e sentir a felicidade que a causou. E quanto mais se lembra, mais saudade se sente e mais se sofre, como em uma espiral infinita de pensamentos e sentimentos.
Quero-te, e já não te quero O coração cansa... Passam os dias e o vais mantendo Alimentando com palavras Batendo Com fugazes momentos Mantendo...não amando E o coração cansa Cansa, de ser mantido iludido Quero-te e já não te quero Não assim... Gostas realmente de mim? Ou és apenas refém Desse desejo egoísta Dessa busca por prazer e aventura O coração cansa Cansa até de saber Que outros como ele mantêns Iludidos a bater Quero-te, queria, já não quero Amei, entreguei, quis Mas sabes? Este coração cansado Merece ser feliz E um dia, irá se cansar o teu E se lembrar Deste cansado Que perdeu...
A noite chega com seus mistérios. Para alguns a noite “desce”. Não sei se ela estava no alto, esperando o horário para descer… Outros dizem “cai” a noite… será que ela ainda existiria se caísse todos os finais de tarde desde que o mundo existe?
De onde vem a noite?
Aos poucos ela vai mudando as cores do dia, esmaecendo as luzes, afastando o sol, até tomar conta de tudo.
A transição entre o dia e a noite – a linda e poética “hora crepuscular” – fascina.
A noite, para nós, é curta, porque a usamos para dormir. Não a vemos. Não a vivemos.
Mas eu já a vivi intensamente.
Às vezes sinto saudade de tempos passados, quando era possível sair em São Paulo por volta de 21h00, de carro, e ir em vários bares, até amanhecer o dia seguinte. Vida leve. Vida boa. Que não voltará jamais.
Agora, o silêncio da noite, quebrado unicamente pelo incessante cantar do mar, me ajuda a adormecer.
Sobre o escuro mar noturno, dezenas de luzes dos navios fundeados. O único sinal de vida que posso visualizar.
Fico a ouvir o mar e esperar que algumas estrelas venham enfeitar o céu.
A alternância impassível entre dia-e-noite escancara meu envelhecimento. Quantas noites já tive em minha vida?
Seguramente mais de vinte mil.
Se o anoitecer aqui na praia é lindo, não menos maravilhoso era o anoitecer no sítio, numa montanha da Mantiqueira. Em noites de lua cheia eu ficava na varanda, vendo o pasto se pratear ao luar e aproveitava cada minuto daquele alumbramento.
E todos os dias da minha vida terminaram em um anoitecer. Assim como minha vida, onde também já anoitece.