Per ricordare un tempo felice

Ouve, tão longe, os acordes de uma tarantella. Fecha os olhos e volta no tempo.     

Houve um tempo em que foi feliz. Jovem, sorriso fácil e aberto, sempre dançando, levando, como única bagagem, a despreocupação.     

Tan-tan-ran-tan-tan-tan-ran-tan-tan-tan-tan-tan-tan-tan… volta a sorrir.

Como era bom dançar a tarantella.     

Ainda de olhos fechados, enxerga Napoli, Capri, Campania, Penisola sorrentina, Costiera Amalfitana, Mar Tirreno…     

Sul da Itália, aquele lugar do mundo no qual Deus mais caprichou.

Caprichou no mar, na terra, nas praias, nas montanhas (até um vulcão ali Ele colocou para dar mais emoção), e caprichou nas pessoas.    

Que sofreram, enfrentaram guerras, privações, erupções, inundações. Mas nunca deixaram de sorrir. De dançar. De cozinhar e criar os melhores doces do universo.    

Caprichou quando deu o limão siciliano para esse povo inigualável, que, dentre inúmeras inovações, criou o maravilhoso limoncello.      

O sol do sul. As paisagens que não existem em nenhum outro local conhecido. A beleza das pessoas. Os amores de verão.    

Tudo ao som da tarantella.    

Conclui, agora, já no final da melodia, que sua vida fora uma animada tarantella, às margens de uma praia da região amalfitana.

A grande roda que se fez, e onde rapidamente os dançarinos trocavam de par, sem perder o compasso do ritmo acelerado.

Quantos rodopios, quantos desencontros, quantos reencontros.    

E, no final, felizes e ofegantes, cada um voltava a seu par inicial, seu velho porto, para, sorridentes, esperarem a próxima dança.    

Infelizmente, muitos tiveram de sair da roda mais cedo e não viram a próxima dança.

Outros simplesmente desistiram.    

Mas, para todos os que ficaram, a vida mandou ao menos mais uma dose de limoncello e mais uma tarantella.

Dia de Poesia – Pippo Bunorrotri – Dime

Quadro Nu Feminino no Mercado Livre Brasil

Dime porque te deseo,

porque tu nombre

lava las heridas

de una daga traicionera

en la amarga noche

del ayer transeúnte

en la torpeza

de un amor

de engaños y rencor

que se ha quedado

en el campo funerario

de la amnesia.

Dime tu numen

de mis noches

desde esa nada

donde te parapetas,

en esas horas de tortura,

en las que las silabas

de mis letras, buscan

en el cogollo de su niebla

esa palabra que defina

la fragancia donde habita

el silencio

de mi sentir.

Um dia, há de ser passado

… principalmente pelas tenebrosas condições em que todos nós no encontrávamos, quando fomos surpreendidos pela cidade toda se alegrando com a esperança do fim da epidemia.    

Nada, a não ser a intervenção imediata do dedo de Deus; nada, a não ser Seu poder onipotente poderia fazer isso. O contágio ridicularizava todos os remédios, a morte atacava em cada esquina e se continuasse como estava, mais algumas semanas e a peste teria limpado a cidade de tudo e todos que tivessem uma alma.

…    

No exato momento que bem deveríamos dizer “é inútil a ajuda do homem” – digo, neste exato momento, para nossa agradável surpresa, Deus quis que a fúria da peste diminuísse, ainda que por si mesma.

…    

É impossível expressar a mudança da própria fisionomia das pessoas naquela manhã de quinta-feira, quando foi divulgado o registro semanal de óbitos. Podia-se perceber nos semblantes um espanto secreto e um sorriso de satisfação estampados na face de todo mundo. Aqueles que antes não passariam pelo mesmo lado de uma rua onde viesse alguém apertaram as mãos uns dos outros. Nas ruas não muitos largas, as pessoas abriam suas janelas e chamavam de uma casa para outra, perguntando como estavam e se ouviram a boa notícia da diminuição da peste.

…    

Em meio a sua aflição, justamente quando a cidade de Londres estava em condições verdadeiramente calamitosas, foi do agrado de Deus – através da intervenção imediata de Sua mão – desarmar o inimigo, retirando o veneno de sua ferroada. Foi maravilhoso e até os médicos se surpreenderam.

…    

Isso tampouco aconteceu pela descoberta de um novo medicamento nem por um novo método de cura ou por qualquer experiência em andamento que os médicos e cirurgiões estivessem testando; evidentemente, isso veio da secreta e invisível mão Dele que, primeiro, enviou a doença como um castigo sobre nós. … A doença perdeu seu vigor e consumiu sua malignidade; e deixai que isto venha de onde vier, deixar os filósofos procurarem razões na natureza para explicar o fato, fazendo tudo o que podem para diminuir a dívida que eles têm para com o Criador.

…    

Foi então, como disse antes, que o povo perdeu todos os seus medos muito rapidamente. De fato, não tínhamos mais medo de cruzar com um homem de boné branco na cabeça ou com um pano enrolado no pescoço, ou arrastando uma perda devido às feridas na virilha e tudo que na semana anterior era apavorante no mais alto grau. Agora, porém, as ruas estavam cheias deles e estas pobres criaturas convalescentes, dando-lhes o que lhes é devido, pareciam muito sensibilizadas pela sua inesperada salvação.    

Concluirei, então, o relato desse calamitoso ano com um vulgar, porém sincero verso de minha autoria, que coloquei no fim de minhas anotações cotidiana no mesmo ano em que foram escritas:    

Terrível peste esteve em Londres    

no ano de sessenta e cinco    

cem mil almas levou consigo    

mesmo assim, estou vivo!

(Um diário do ano da peste, Daniel Defoe)

Tanta saudade

Um Navio | Aventuras e Devaneios
Lembranças doces que nos perseguem
Ausência de uma paixão que se desvaneceu no tempo
Presença constante da falta que alguém nos faz
Buscar no nada uma razão para a existência
Fazer, da névoa da memória, uma companhia
Olhar para as próprias mãos, agora vazias
Ainda com o perfume do amor compartilhado
De tudo que escorreu por entre nossos dedos
E não conseguimos reter em nossa vida,
Mas não tivemos jeito de tirar do coração.
Relembrar cada momento de doçura e encanto
Ouvir de novo a voz já tão distante
Perder os contornos precisos de um vulto
e ver as cores da própria vida se esmaecendo
Como um barco que, pouco a pouco, se afasta do cais

Um pouco de maturidade

Maturidade é se segurar e não abrir o presente antes da hora.    

Maturidade é se segurar e não chorar quando contrariado.    

Maturidade é se segurar e chegar em casa com o pacote fechado…    

Hoje eu tive a prova que tenho algum grau de maturidade.    

Quando recebi, nos idos de 2013, meu primeiro livro publicado, “Alinhavando letras”, a emoção foi intensa. Senti que vivia um momento único.    

E esse momento único se repetiu… foram dez momentos únicos…    

A ansiedade para ter o livro aberto nas mãos é incontrolável. Infantil mesmo.  Você já vai abrindo o embrulho no caminho, querendo tocar o livro, ver como ficou, a ansiedade é invencível.  

Hoje, entretanto, eu me segurei e dei, a mim mesma, uma prova de maturidade.    

Vim da Editora até minha casa com o pacote de livros ao lado. SEM MEXER!    

Mas quando cheguei em casa, nem pisquei: abri o pacote, peguei um exemplar e senti a emoção intensa de mais um momento único – uma antologia, a oitava da qual participo. E aí esta: com orgulho e muita emoção nosso “Nos dias em que o mundo parou”, coordenado por Silvia Bruno Securato.    

São onze livros.

Onze emoções intensas.

Oito momentos únicos.

E um pouco de maturidade…