Busca inútil

Busquei você
No voo de cada pássaro que avistei
Na espuma de cada onda que chegou na areia
Nas pedras dos caminhos que trilhei
No brilho de cada estrela que surgiu no céu
Em cada curva das estradas que passei
Nas pegadas que avistava nas praias
No último gole de cada dose que tomei
Busquei você
Mas não encontrei
Você já não estava
Era o voo malogrado do pássaro morto
Era a onda que não chegou na praia
Era a pedra que rolou no abismo antes do meu passo
Era a noite escura em que as estrelas não brilharam
Era a estrada interditada
Era a praia que o vento revolvia
Era a dose que não bebi até o final
Você era a ilusão
O que não existia
Quem nunca chegou de verdade
A mentira bem engendrada
A pedra falsa no anel barato
A embalagem de presente preenchida de vento
Você era, na realidade, o nada...

(Imagem: banco de imagens Google)

Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida – 07 – Mário de Andrade

Mário Raul de Morais Andrade (São Paulo, 09 de outubro de 1893 – São Paulo, 25 de fevereiro de 1945) foi poetam contista, cronista, romancista, musicólogo, historiador de arte, crítico e fotógrafo brasileiro. Um dos fundadores do modernismo no país, ele praticamente criou a poesia brasileira moderna com a publicação de sua Pauliceia Desvairada em 1922. Ele teve uma influência enorme na literatura brasileira moderna e, como estudioso e ensaísta, foi pioneiro no campo da etnomusicologia. Sua influência chegou muito além do Brasil.

Andrade foi a figura central do movimento de vanguarda de São Paulo por vinte anos. Treinado como músico e mais conhecido como poeta e romancista, Andrade se envolveu pessoalmente em praticamente todas as disciplinas relacionadas ao modernismo paulistano e se tornou o polímata nacional do Brasil. Suas fotografias e ensaios sobre uma ampla variedade de assuntos, da história à literatura e à música, foram amplamente publicados.

Ele foi a força motriz por trás da Semana de Arte Moderna, o evento de 1922 que reformulou a literatura e as artes visuais no Brasil, e um membro do vanguardista “Grupo dos Cinco”. As ideias por trás da semana foram exploradas no prefácio de sua coleção de poesia Pauliceia Desvairada e nos próprios poemas.

Depois de trabalhar como professor de música e colunista de jornal, publicou seu grande romance, Macunaíma, em 1928. Os trabalhos sobre música folclórica brasileira, poesia e outras temáticas foram seguidos de maneira desigual, muitas vezes interrompidos pela mudança na relação de Andrade com o governo brasileiro. No final de sua vida, ele se tornou o diretor fundador do Departamento de Cultura de São Paulo, formalizando um papel que exercia há muito tempo como catalisador da entrada da cidade – e da nação – na modernidade artística.

(Fonte: Wikipédia)

Na rua Aurora eu nasci

Na rua Aurora eu nasci
na aurora de minha vida
E numa aurora cresci.

no largo do Paiçandu
Sonhei, foi luta renhida,
Fiquei pobre e me vi nu.

nesta rua Lopes Chaves
Envelheço, e envergonhado
nem sei quem foi Lopes Chaves.

Mamãe! me dá essa lua,
Ser esquecido e ignorado
Como esses nomes da rua.

 

Tristura

Profundo. Imundo meu coração…
Olha o edifício: Matadouros da Continental.
Os vícios viciaram-me na bajulação sem sacrifícios…
Minha alma corcunda como a avenida São João…

E dizem que os polichinelos são alegres!
Eu nunca em guizos nos meus interiores arlequinais!…

Pauliceia, minha noiva… Há matrimônios assim…
Ninguém os assistirá nos jamais!

As permanências de ser um na febre!

Nunca nos encontramos…
Mas há rendez-vous na meia-noite do Armenonville…

E tivemos uma filha, uma só…
Batismos do sr. cura Bruma;
água-benta das garoas monótonas…
Registrei-a no cartório da Consolação…
Chamei-a Solitude das Plebes…

Pobres cabelos cortados da nossa monja!



Momento

O mundo que se inunda claro em vultos roxos

No caos profundo em que a tristura

Tange mansinho os ventos aos mulambos.

A gente escapa da vontade.

Se sente prazeres futuros,

Chegar em casa,

Reconhecer-se em naturezas-mortas...

Oh, que pra lá da serra caxingam os dinossauros!

Em breve a noite abrirá os corpos,

As embaúbas vão se refazer...

A gente escapa da vontade.

Os seres mancham apenas a luz dos olhares,

Se sobrevoam feito músicas escuras.

E a vida, como viola desonesta,

Viola a morte do ardor, e se dedilha...

Fraca.

Texto de Ana Acto – Ama-me esta noite

Ama-me esta noite
Faz de hoje
amanhã...uma memória 
Despoja-me 
de minhas virtudes 
Faz com que me assuma
Pecadora...
E me entregarei
Serva ao teu domínio 
Esta noite
inscreve-te em meu corpo 
Anseio ver a revelação 
do tamanho do teu prazer
E diante dele me prostro
de boca húmida 
Em consentimento 
num momento tão nosso
Saciado me tomas
E te embriagas em mim
Sorve-me, delicia-te
fosse eu
uma casta rara...
De seduzido 
Te tornas agora o sedutor 
E na doçura que me escorre
Fazes com que  implore
Possui-me...por favor...

(Imagem: banco de imagens Google)

Só para ouvir… Deborah (Jon&Vangelis)

Jon Anderson nascido em 25/10/44 na Inglaterra é o fundador e vocalista da banda Yes. Evángelos Odysséas Papathanassiu,nome artístico Vangelis nasceu na Grécia em 29/03/43 ex integrante do grupo Aphrodite’s Child. Juntos lançaram quatro álbuns.Esta canção faz parte do terceiro álbum “Private Collection” de 1983

Poesia da casa – A morte da Poeta

Que cessem agora todos os sons
E que se calem todas as vozes
Abaixem a cabeça em respeito
Um minuto, uma hora, um dia
Do mais completo silêncio
Pela morte de uma Poeta

A Poesia morreu com ela.

Esta noite não haverá lua no céu
Como também não haverá estrelas
A maré hoje não cantará para
Nos embalar, a sua canção de ninar
E as ondas permanecerão imóveis
Pela morte de uma Poeta

A Poesia morreu com ela.

As flores da noite não se abrirão em perfumes
Nem as flores da manhã explodirão em cores
Não se ouvirá um único trinar de pássaros
Porque não haverá cantoria ao alvorecer
Apenas a ausência dos cantos será ouvida
Pela morte de uma Poeta

A Poesia morreu com ela

Hoje os casais não se amarão, desgostosos
Porque a doçura não se fará presente nos lares
E os sinos dobrarão entristecidos, nos campanários
Sem a alegria dos badalos tão festivos
Sem a algazarra das crianças brincando nas praças
Pela morte de uma Poeta

A poesia morreu com ela

Nunca mais se ouvirão versos de amor
Nunca mais os cantos apaixonados
As odes e sonetos de entrega e magia
Nem uma simples trova em uma esquina qualquer
Nem uma rima em uma canção do trovador
Pela morte de uma Poeta

A poesia morreu com ela

Nem um soluço ou pranto será ouvido 
As lágrimas não escorrerão pelas faces
Os corações baterão em profundo silêncio
E, ao verem passar o esquife com seu corpo
Todos dobrarão os joelhos sobre a terra
Pela morte de uma Poeta

A poesia morreu com ela...