A noite da paz

Queria conhecer a noite eterna

E nela adentrar

Deitar, adormecer na calma da escuridão

Do silêncio da ausência de vida

Calmamente, imergir no nada

E ali ficar

Sem a ansiedade de um novo amanhecer

Sem a angústias das dores da madrugada

Sem a nova manhã – que vai chegar

Sem um dia a mais – que vai chegar

Sem ter de sentir a dores – que vão chegar

Sem nenhuma decepção – que vai chegar

Sem ter de enfrentar problemas – que vão chegar

Apenas docemente adormecer sem pensar

Ouvindo minha interna música de acalanto

Sentindo o calor aconchegante de estar em paz

E assim morrer

E não amanhecer

Autoria desconhecida. Mas interessante.

Desconheço a autoria, mas, para quase tudo, só posso dizer: EU TAMBÉM. Moi aussi. Anche io. Yo también. Me too. Ich auch. Já také.

À Beira do Abismo |

Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo. 
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos. 
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso. 
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade… já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram… algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre! 
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. 
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: 
– E daí? EU ADORO VOAR!

Amor estranho

Ah, esse estranho amor que não se mostra

Não se assume, não demonstra

Na paixão explícita ele se esconde

Quer ser vivido sem compartilhar

Recebe com alegria, mas não se dá

Que não busca e não se aceita

Faz chorar, mas não suporta o pranto

Amor estranho como sol entre nuvens

Quando surge brilha forte e muito aquece

Depois se esquiva e simplesmente desaparece

Tão estranho esse amor, como a chuva na praia

Como estrelas na tarde ensolarada

Tal qual um pôr-do-sol que não precede a noite

Um triste rio de água parada

Um pássaro com asas temendo voar

Ou um barco sem leme que não pode atracar

Esse arco-íris interminável de contradições

Esse quero-não-quero do medo de querer

Do medo de se entregar, esse amor assim inseguro

Um amor estranho de tanto medo que tem de amar

(foto: Flaverson Sbardelatti, Rio Madeira)

Um dia

A minha alegria é a melancolia. (Michelangelo Buonarroti)

Um dia vou ser feliz.

Feliz mesmo. De verdade. Não essas pequenas alegrias que esticamos ao máximo para nos sentirmos felizes por algum tempo. Mas Feliz. Assim mesmo: Feliz.

Um dia, não agora.

Sou feita de saudade e melancolia. Desesperança e ansiedade. Isso não é ser feliz. Nem mesmo alegre. Para ser sincera, muitas vezes penso que felicidade é uma palavra que inventaram para que a humanidade fosse eternamente frustrada.

Porque nunca vi ninguém exatamente, plenamente e ostensivamente feliz.

Alegre, talvez, mas feliz? Nunca.

Mas um dia serei feliz. Prometo.

Nada irá sombrejar meu olhar, que será claro, límpido, luminoso, como só o olhar das pessoas felizes pode ser.

E meu sorriso… nada o impedirá. Aberto, cristalino, verdadeiro – o sorriso de alguém feliz.

Meus braços estarão sempre ocupados num abraço sem fim e minhas mãos derramando carinhos em alguém que muito me encante.

Serei só ternura, maciez e aconchego.

Mas não agora. Isso no dia em que eu for feliz…