Rimance

O silêncio de um abraço. Às vezes as palavras não são necessárias.
Dou um passo e outro passo
Seguindo nesse caminho
Sem começo e sem fim
Sem sucesso sem fracasso

Só há um mesmo compasso
Que bate em meu coração
Segue o vento, busca a chuva
E a cada dia eu refaço

Vivendo no passo-a-passo
Da vida sem emoção
Às vezes há dor, há pranto
e minha história repasso

Mas quando tenho esse abraço
E a paixão tudo domina
Entrego-me sem medidas
Nestas mãos que são meu laço

Já não sobra mais espaço
A alegria tudo invade
Quando então me abandono
Nesse peito em que me enlaço


(Imagem - banco de imagens do Google)

Um ponto de luz

Descoberto o buraco negro mais brilhante dos primórdios do Universo

Você existe e eu existo.

Isso me basta.

Mantém em mim acesa essa chama

Da paixão e do desejo.

A distância é indiferente

Em algum lugar do cosmo

Dois pontos de luz

se aproximam e se cruzam

Por um instante se tocam

E se tornam um único ponto

No momento sublime

Desse encontro impossível

Em respeito o sol se recolhe

E no escuro da noite

Quando a lua aparece

E cheia de ciúme tenta

Encobrir aquele encontro

Ilumina-se com a luz desse ponto

Instante em que a natureza emudece

Deslumbrada pela luz intensa

Que emana de tanta paixão

Enquanto a distância desaparece

(Imagem – Quasar do banco de imagens Google)

Brincadeira

Vamos conjugar o verbo amar
Eu te digo – eu te amo!
Você me responde – eu te amo!
Mas só no presente do indicativo
Não quero as falsas promessas do futuro
Nem as lágrimas do pretérito sempre imperfeito

Depois vamos brincar de abraçar
Eu abro meus braços e vou até você
Você abre seus braços e vem até mim
E nos encontramos no meio do caminho
Assim nos abraçamos fortemente
Em um abraço que não tem mais fim

Depois faremos o ritual de separar
Você me diz “eu te odeio” e então 
Eu olho para você com olhos de desprezo
Não precisaremos inventar desculpas 
Eu seguirei meu caminho solitário
E no sentido oposto você  partirá.

Memória – Relógio

Eu quero hoje um novo relógio,

diferente de todos os outros

que tenho ou que um dia já tive.

Um relógio com sábios ponteiros.

Que não venham apenas para mostrar

e marcar horas, minutos e segundos.

Mas ponteiros que marquem alegrias,

sorrisos e também os encantos.

Que marquem as horas mais felizes,

todos os minutos de espera

e os segundos de paixão ardente.

Quero um relógio que não me desperte

no meio de um sonho que quero sonhar.

Que deixe meu sono fluir quando estou

adormecida no aconchego do amor.

Quero esse relógio especial,

que me ajude a dormir e a sonhar.

Que apague todos os maus ruídos,

e me embale em suave melodia.

Relógio novo que me acorde para a vida,

sem ouro nem prata, apenas simples,

mas seja capaz de me abrir a janela

de um novo horizonte, um novo viver.

De Clarice Lispector – Como você me vê

Sou como você me vê… posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar…

suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato…

tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdoo logo.


Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre… Tenho felicidade o bastante para ser doce, dificuldades para ser forte, tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz.

Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.

Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.

Não me façam ser quem não sou.

Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.

Não sei amar pela metade.

Não sei viver de mentira.

Não sei voar de pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre…

Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.


E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.


Sou uma só… Sou um ser… a única verdade é que vivo.


Sinceramente, eu vivo.