Sonhar

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Dormir…

Sair de um mundo ruim e mergulhar no desconhecido.

Sem medo.

Entregar-se plenamente como ao mais adorado amante.

Com ardor.

Simplesmente deixar, por algumas horas, de existir.

Não estar.

E adentrar num mundo fantástico e encantador.

E sonhar. Ir até o âmago da própria e triste existência e viver,

Nessa noite,

A alegria de encontrar outra, em outra realidade,

Seu lugar.

Realizar suas vontades, conhecer a plenitude de

Ser feliz.

Então, depois das aventuras e do êxtase conhecido

Acordar…

Vencendo mais um desafio

Escrever à mão nos torna mais inteligentes | Guia do Estudante

18 de abril de 2020. Completavam-se os primeiros trinta dias de isolamento. Era preciso algo para que ainda me sentisse viva. Resolvi lançar-me em um auto desafio – postar cem dias seguidos aqui no meu blog.

Não era a primeira vez que eu usava o Alinhavando letras para me testar. Já fizera isso há alguns anos e conseguira.

Assim, meio de brincadeira, mas levando a sério, comecei as postagens diárias. E a quarentena se eternizava. Cada um dentro de seu quadrado, mantido em casa por absoluta falta de ter onde ir.

Em um de repente qualquer, chegou o dia 27 de julho e estava vencido o desafio – conseguira postar por cem dias seguidos. E ainda imersa em um estúpido isolamento por causa da peste chinesa. E, para piorar, a imposição do uso da horrível máscara (os donos de fábricas de batom deveriam processar quem inventou essa indecência de todos, ou melhor, todas, andarem mascaradas).

Dobrei o desafio para 200 dias – sem trégua.

Difícil, complicado. Mesmo porque ainda não vi a quarentena que todos viram e reclamam do tédio. Aqui foi bem animadinho, movimentado.

Hospitais, cirurgias (exatamente nos dois membros da família que são do grupo de risco), internações, a reforma de uma casa. Uma mudança.

E a quarentena não acabava.

Uma pequena flexibilização, que permitiu uma rápida viagem a São Paulo.

E volta para o isolamento…

E, aproveitando a maré de ares de liberdade, uma festa linda em um casamento maravilhoso, pura alegria, todos celebrando a vida e agradecendo ao corajoso casal que proporcionou uma noite de sonho a todos.

Um livro publicado, ainda que sem a pretendida noite de autógrafos.

E os políticos soltando as rédeas do isolamento total, com vistas às eleições que se aproximam.

Novos problemas familiares, hospitais, correrias. Ainda de máscara, com muita alergia, mas uns laivos de normalidade aparecendo no horizonte.

E hoje, 04 de novembro, completo os 200 – DUZENTOS – dias consecutivos de postagens, aqui no Blog de Alice.

Alguns dias, por absoluta falta de tempo ou de inspiração, publiquei outros autores, outros poetas. Mas na maioria absoluta dos dias, os posts foram de minha autoria.

Sei que os cronistas têm colunas semanais ou mesmo quinzenais. Porque uma crônica por dia não é fácil… principalmente em tempos de monoassunto nos jornais, de falta de um bar para sentar e ouvir novidades e ver a vida passar…

Mas consegui.

Lançar-se um desafio e vencer dá uma sensação estranha de poder.

E, neste 200º post, eu posso afirmar: VENCI. Por isso, cuidado comigo. Não me desafie.

Talvez descanse um dia ou outro daqui para frente. Mas com a certeza que tenho condições de chegar onde eu quiser. De sempre conseguir.

De dizer, com orgulho: Sim, eu posso!

Viver é isso mesmo

Mensagens e Pregações: Levai as cargas uns dos outros

Não é questão de gostar, nem é questão de querer.

Como também não é questão de aguentar nem é questão de ser forte.

É apenas a vida exatamente como ela é: rude, crua, bruta, implacável.

Nunca a vida pergunta como se quer ou como se gosta.

Apenas tudo acontece como deve acontecer, e cada um que se vire para se sair bem em cada prova que chega.

Da mesma forma, a vida não tem teste de capacitação nem auxílio de fortalecimento: manda os acontecimentos, as dores, as privações, e cada um que trate de aguentar como puder e fortalecer o próprio ombro para suportar o peso que terá de arrastar.

Ninguém é forte por opção nem por achar bonito. Mas por necessidade. Por não ter outra pessoa sobre a qual jogar o peso do que lhe acontece. Então o jeito é ser forte. Ou irá a pique.

A vida não fornece borracha nem apagador. Seus erros ficam gravados e geram consequências infinitamente, até o fim dos dias. Ouse errar uma vez, um segundo. E pagará como um Sísifo moderno, até o momento do último suspiro.

Também a vida não faz teste preventivo – apenas joga a carga e tem-se de suportar o peso do próprio fardo. E, por vezes, dos outros também, que nos é imposto carregar. E também a vida não ensina a ser forte: bate duramente até que cada um se fortaleça ou se quebre.

Felicidade? Ah, isso é baboseira que inventaram para fazer de conta que a vida pode ser boa e recompensar um dia.

Um dia? Sim, um dia. Quem sabe…

Dia de poesia – Rosa Lobato Faria – Primeiro a tua mão sobre o meu seio

Casal Dormindo

 

Primeiro a tua mão sobre o meu seio.

Depois o pé – o meu – sobre o teu pé.

Logo o roçar urgente do joelho

e o ventre mais à frente na maré.

 

É a onda do ombro que se instala.

É a linha do dorso que se inscreve.

A mão agora impõe, já não embala

mas o beijo é carícia, de tão leve.

 

O corpo roda: quer mais pele, mais quente.

A boca exige: quer mais sal, mais morno.

Já não há gesto que se não invente,

ímpeto que não ache um abandono.


Então já a maré subiu de vez.

É todo o mar que inunda a nossa cama.

Afogados de amor e de nudez

Somos a maré alta de quem ama


Por fim o sono calmo, que não é

Senão ternura, intimidade, enleio:

O meu pé descansando no teu pé,

A tua mão dormindo no meu seio.

(desenho Lu Rocha)