A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
El amargo silencio de la felicidad ha caído en la telaraña de un tiempo que aprieta el corazón hasta el ahogo, dejando la mente en el mañana de unos sueños envenenados, donde el poeta encuentra la métrica de esas palabras al viento arrebatadas con pasión al silencio de un suspiro.
“Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza Se tu és a alegria ou se és a tristeza Meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!”
Não marquei o caminho
Nem segui meus próprios passos
Nem deixei pegadas
Apenas caminhei – fui adiante
Sem rumo, sem paradas
Sem querer ir nem querer ficar
Sou caminhante nesta vida
Passei por tantos lugares
Dos quais não me lembro o nome
Nem mais sei a direção
Sigo num só sentido
Seguindo o vento que me engana
Buscando o mar que me espera
Olhando as estrelas que me guiam
Chegarei. Um dia sei que chegarei
No lugar para onde vou
No lugar onde haverá amor
E, quem sabe, até mesmo
Poderei dizer “eu sou feliz”
Ter penas não é ser livre / Nem nos pode libertar Um par de asas apenas / Se falta o céu pra voar
(João Chagas Leite)
Voar… nada mais livre do que voar.
Símbolo maior da liberdade é o voo – talvez os pássaros sejam os animais mais livres da face da Terra.
Voar é contar consigo mesmo e acreditar. É confiar em si mesmo e na própria capacidade de ir além, quebrar fronteiras, ultrapassar limites. Ninguém pode voar pelo outro.
Assim, a primeira condição para voar é a auto confiança.
Mas também depende da sensação de liberdade. Não adianta ter asas nem ter o céu para voar, se a alma não for livre o suficiente para alçar o voo.
Há quem seja livre de alma e não pode voar por não possuir asas.
Há quem as tem mas não possui a alma livre para voar. A alma livre é a coragem.
Se o pássaro não tiver coragem de voar, ficará eternamente cativo, ainda que tenha asas e as portas da gaiola permaneçam abertas.
Quantos são prisioneiros vivendo em liberdade, quantos continuam livres, ainda que encarcerados?
Aqueles que têm alma de prisioneiro se resignam e aceitam qualquer limitação, qualquer prisão, mas quem tem a alma livre acaba por encontrar a liberdade.
Ainda que prisioneiro da Ilha do Diabo, ou de Alcatraz, ou da Torre de Londres.
Seja René Belbenoît, sejam Frank Morris e seus dois companheiros, seja o padre John Gerard. Ou, na literatura, Jean Valjean ou Edmond Dantès, dentre outros.
A lição que todos nos deixam é que a alma livre faz o homem livre.
O voo do pássaro simboliza o sonho de liberdade do homem.
Em certas ocasiões, o destino se assemelha a uma pequena tempestade de areia, cujo curso sempre se altera. Você procura fugir dela e orienta seus passos noutra direção. Mas então, a tempestade também muda de direção e o segue. Você muda mais uma vez o seu rumo. A tempestade faz o mesmo e o acompanha. As mudanças se repetem muitas e muitas vezes, como num balé macabro que se dança com a deusa da morte antes do alvorecer. Isso acontece porque a tempestade não é algo independente, vindo de um local distante. A tempestade é você mesmo. Algo que existe no seu Íntimo. Portanto, o único curso que lhe resta é se conformar e corajosamente por um pé dentro dela, tapar os olhos e ouvidos com firmeza a fim de evitar que se encham de areia e atravessá-la passo a passo até imergir do outro lado. É muito provável que lá dentro não haja sol, nem lua, nem norte e, em determinados momentos, nem hora certa.
O que há são pequenos grãos de areia finos e brancos como osso moído dançando vertiginosamente no espaço. Imagine uma tempestade de areia desse jeito. (…) E você vai atravessá-la, claro. Falo da tempestade. Dessa tempestade violenta, metafísica e simbólica. Metafísica e simbólica, mas ao mesmo tempo cortante como mil navalhas, ela rasga a carne sem piedade. Muita gente perdeu o sangue dentro dela, e você mesmo perderá o seu. Sangue rubro e morno. E você vai apará-lo com suas próprias mãos em concha. O seu sangue e também o de outras pessoas. E, quando a tempestade passar, na certa lhe será difícil entender como conseguiu atravessá-la e ainda sobreviver. Aliás, nem saberá com certeza se ela realmente passou. Uma coisa porém é certa: ao emergir do outro lado da tempestade, você já não será o mesmo de quando nela entrou. Exatamente, esse é o sentido da tempestade de areia.