
Corre uma lágrima
Na delicada pétala:
É a chuva na flor

Intensas as cores
das asas das borboletas
- flores a voar
(Imagens: banco de imagens Google)
Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Corre uma lágrima
Na delicada pétala:
É a chuva na flor

Intensas as cores
das asas das borboletas
- flores a voar
(Imagens: banco de imagens Google)

Dia de fogueira, fogos, balões, bandeirinhas, quadrilha e alegria. Dia do Santo querido, aquele que comemoramos a data de nascimento (e não de morte como todos os outros). Aquele que conheceu Cristo quando ainda não eram nascidos. São João, o primo que batizou Jesus nas águas do Rio Jordão. Por isso São João Batista – o São João que batizou.
Ó minha amada / Que olhos os teus
Quanto mistério / Nos olhos teus
Quantos saveiros / Quantos navios
Quantos naufrágios / Nos olhos teus…
(Poema dos olhos da amada, Vinicius de Morais)

Durante esta semana, quando zapeava, assisti uma cena na TV que me chamou a atenção: um homem vê uma mulher (sua esposa ou namorada) dançando abraçada e beijando outro homem. Ele grita algo e a mulher se vira assustada. O homem, cuja expressão demonstrava então susto, ao ser novamente focado pela câmara sofre uma transformação no olhar que faz a cena inesquecível: do susto seus olhos passam a expressar uma tamanha decepção que o telespectador sente a dor dele, antes de explodir a raiva em seu olhar. Bastou esta cena para que eu ficasse a pensar nos olhos. Ou melhor, nos olhares.
Como um ator pode passar essas sensações apenas com o olhar é algo que não consigo entender. Não sei quem o personagem nem o nome do ator. Mas naquele momento ele foi digno de um Oscar – o Oscar de melhor expressão no olhar, o que me leva a lembranças de outro ator.
Desde que pela primeira vez assisti Dr. Jivago (e lá se vão décadas, foi na época do lançamento aqui no Brasil), além da música e das paisagens, o que me fascinou foi a força do olhar de Omar Sharif. (*)
Todas as vezes que revejo essa película o olhar do Jivago é um espetáculo à parte do filme. Acho que talvez Omar Sharif seja o ator com maior expressão no olhar que já vi.
Ao comparar seu olhar como o sofredor Jivago com o olhar como o altivo xerife Ali em Lawrence da Arábia (este, um filme que merece um post à parte) e seu olhar como o encantador e humilde Pedro, no filme homônimo, não se pode deixar de considerá-lo como o olhar mais eloquente da estória do cinema.
A personalidade frágil de Jivago, à qual não se dá trégua para ser um nobre, dividido entre a saudade da falecida mãe e a realidade de Moscou, entre a forte Tonia e a amada Lara, entre a vida burguesa e o apelo proletário, tudo isso traduzido em um olhar febril e ansioso.
A altivez da própria força do xerife Ali, que tudo podia, senhor da vida e da morte de quem passasse em seu território, em olhares arrogantes, de puro orgulho e desprezo pelos semelhantes, mas que se adoça quando se liga por laços inesperados de amizade com um inglês cuja força moral é surpreendente.
E o olhar humilde de Pedro, que não entende as dúvidas de sua própria fé, nem por que Cristo o escolhe para ser a pedra da nova Igreja, os olhos com que o personagem encara Cristo, vivo e em agonia no Calvário, tornam o filme triplamente merecedor de ser assistido.
Como pode, pergunto, um homem, transformar seus próprios olhos desta forma, através da força do olhar?
Será que todos nós temos a capacidade de nos expressarmos pelo olhar e nunca nos demos conta dessa importância?
É possível notar a expressão em geral nas crianças, mas sem tanta força. E, depois que crescem, seus olhos fecham a cortina do sentimento e passam a mostrar apenas o que lhes interessa.
Será que tendo essa capacidade, isso não é percebido pelos outros, que se esquecem de olhar para nossos olhos e não veem o que mostram, o que sentimos?
Ao longo da história a maquiagem sempre se destinou especialmente a dar destaque e realce aos olhos.
Algumas pessoas exageram, assumindo uma expressão bovina, mas de forma geral esse truque dá resultado e conseguimos assim visualizar com destaque os olhos.
Mas não enxergamos o que esses olhos estão dizendo.
Não temos olhos treinados para ver os olhares alheios, mas somente os olhos. E muito mais importante que os olhos são os olhares, da mesma forma que muito mais importante que os braços são os abraços…
E meus olhos, o que será que dizem meus olhos????
De quem é o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?…
(Fernando Pessoa)
(*) Seu verdadeiro nome é Michel Demitri Shalhoub, egípcio de Alexandria, nascido em 1932.
(Imagem: foto do acervo pessoal da autora)

No dia em que nos separamos o sol brilhava
E pássaros inundavam o ar com seu canto delicado.
Naquela noite a lua, insensível, surgiu radiante
E reinou soberana liderando o séquito de estrelas brilhantes.
E as flores da noite se abriram e perfumaram os caminhos.
As aves, amantes, aos pares se recolheram aos ninhos,
E o vento soprou mansinho, apenas leve brisa a acalentar as folhas.
Nada, nem ninguém, viu meu desespero, tanto sofrimento;
Lágrimas escondidas misturadas ao sangue corriam em minhas veias,
Não houve dentro de mim qualquer alegria, qualquer alívio ou bálsamo
Somente a dor aguda de mais uma separação, que me inundava toda
E ocupava os lugares onde até então era só alegria, e sorriso, e êxtase.
Amanheceu um novo dia. A natureza não se abala com a dor alheia.
Como se tudo estivesse bem, o sol brilhou novamente.
(13.05.2019)
(Imagem: foto de Maria Alice)

No exato dia em que não nos conhecemos, tudo era a mesma coisa, exatamente igual, porém, por ironia do destino, estávamos em lugares diferentes. Você saindo do trabalho, dirigindo-se ao café mais próximo, e eu, longe dali, indo para casa depois de um dia exaustivo. Nunca nos vimos, mas sempre te senti muito próximo de mim, sempre soube da sua existência.
Tudo por aqui busca um sentido que nunca encontrei. Mas como muitas vezes acontece, meu amor, tínhamos alguma coisa em comum. Você ficou sozinho e eu nunca tive alguém, mas não me importo nem mesmo com isso. Sinto sua paz, sem nem mesmo saber a cor dos seus olhos castanhos, meu pensamento viaja para te encontrar não sei onde.
Tudo continua no seu lugar desorganizado esperando pela presença que nunca encontrei. Mas não me importo nem mesmo com isso. Afinal, repetidas vezes, dia após dia, por toda minha vida, eu vou perdoá-lo.
(Imagem: banco de imagens Google)

Acordo na madrugada,
quando o mar
aos gritos, chama por mim.
Ele sabe que um dia eu irei.
Entrarei em suas águas
desmanchando-me nas espumas
e levada por suas ondas,
eu o seguirei. Para sempre.
A paixão então explodirá.
Embriagados e loucos,
tal como amálgama,
para sempre, eternamente,
estaremos juntos.
Não retornarei.
(Imagem: banco de imagens Google)
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