
Para hoje

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Dorme, meu amor
Vai para esse teu mundo encantado
onde reinas absoluto e tranquilo
onde ninguém pode entrar nem perturbar
Nesse lugar mágico de teus sonhos
onde ficas livre dos problemas
livre das tristezas
livre da realidade
Dorme, meu amor
eu velo teu sono
eu sou teu descansar
eu sou teu mundo aqui do lado de fora
Descansa, meu amor
descansa de tudo
descansa todo esse teu cansaço
porque precisas muito descansar
Dorme meu amor, relaxa
Aproveita tuas horas de sono
E te renova inteiro na paz
envolto pela minha ternura
Estarei sempre aqui,
vigiando teu sono
guardando esses teus momentos
nunca sairei de teu lado
Para ser em teus olhos
a primeira imagem do teu despertar
e a primeira alegria de teu novo dia
Dorme, meu amor.
(Imagem: foto de Maria Alice)

Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem…
Tudo volta!
E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando têm que voltar, voltam quando é pra ser….
Acontece que entre ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde.
Não se perca…!
Repito hoje esse texto, porque estava lendo sobre o AMOR. E recordei-me do que já havia escrito. Quem já leu, está dispensado de ler novamente.
Eu te peço perdão por te amar de repente, embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos. (Vinicius de Moraes)

Um dia Mário de Andrade nos brindou com “Amar, Verbo Intransitivo”.
Deixando para lá o enredo, que não é do agrado geral, fico no título e sobre ele medito: “Amar, verbo intransitivo”. Para Mario de Andrade, eu amo. Ponto final. Eu amo porque amo. Eu amo por amar. Eu amo. Não interessa o que. Se amo alguém, se me amo, se amo o próprio amor. Porque não seria um verbo transitivo. Nem direto nem indireto. Mas um verbo intransitivo, sem qualquer complemento. Eu amo. Apenas.
Não, não é assim. Para mim amar é um verbo transitivo. Quem ama, ama alguém, ou ama algo. Ainda que ame a si próprio. Ou uma coisa desprezível. Mas ama com complemento. Portanto prefiro a outra forma: “amar, verbo transitivo”.
Falo hoje não do amor, sentimento sublime, que une pais e filhos, que eleva, que apura, que doa, que tudo… Não. Nada disso. Falo do amor sensual. Ou melhor, da paixão quando denominada amor.
O que seria do mundo sem esse amor-paixão? Já teria acabado há muito tempo. Por tédio, por inércia. Por verdadeira inação.
Só agimos sob o signo da paixão.
Vê-se de longe quem é, e quem não é, apaixonado. E não falo de quem está, ou não está, apaixonado. Porque não se trata de “estar”, mas de “ser” apaixonado. Como uma qualidade que a pessoa carrega consigo.
Os apaixonados se arriscam, se lançam, se atiram, vão mais longe, querem chegar a algum lugar.
Diferente de quem não ama ou não tem paixão: se deixa ficar, não busca, não sonha, não vai…
A paixão é o sal e a pimenta do viver. Tempera a existência, dá gosto. Desperta o prazer de viver.
Quanto mais se é apaixonado, aquela paixão que cega, de adrenalina, que faz acelerar o coração, que tira o fôlego, mais feliz se é.
Colocar paixão em tudo – no estudo, no serviço, no que se faz por gosto e também em tudo que é feito somente por obrigação – torna a vida mais leve.
Portanto, ser intensamente apaixonado nos torna melhores humanos, nos leva mais longe do ponto de partida.
Esse verbo amar do amor-paixão tem de ser conjugado diariamente para que a vida valha a pena ser vivida.
Mas, para mim, deveria ser modificado um bocadinho: o verbo amar não poderia, jamais, ser conjugado no tempo passado.
(Imagem: banco de imagens Google)

Um dia ela partiu. Silenciosa. Mansa. Sem dramas.
Se lágrimas brotaram, deslizaram frias e quietas.
Uma parede se ergueu e tudo foi então separado
o que era passado, ali mesmo permaneceu,
o futuro começava naquele primeiro passo
De costas para o passado, nem uma única vez
ela olhou para trás ou pensou em voltar.
Porque ela ficou. Ficou por muito tempo.
Por mais tempo que gostaria de ter ficado.
Mas era necessário seguir adiante.
Até que um dia, ela se foi. Partiu.
Juntou cacos e pedaços. Mas ainda conseguia,
mesmo assim, ser inteira. E partir.
Com tristeza pelo que ficou e ansiedade pelo
que virá. Com um adeus para o que já não há.
E alegria pelo que será. Pela vida. Pela paixão.
Porque se muito foi perdido para sempre,
conservou dentro de si o encanto da paixão.
E por isso partiu para sempre. Íntegra. Intensa.
Dona de si, de sua vida, de seu futuro.
Sempre soube que, se um dia partisse, seria
para sempre. Jamais voltaria. E jamais voltará.
(Imagem: foto de Nelson O’Reilly Filho)
Esse belíssimo poema é de Konstatin Simonov, poeta russo e correspondente de guerra.

Espera-me e eu voltarei,
mas espera-me muito.
Espera-me quando cair a neve
e chegarem as chuvas tristes,
quando chegar o calor,
não deixes de esperar.
Espera-me, quando já
ninguém esperar e se tiver
esquecido já o ontem.
Espera-me mesmo que as cartas
não cheguem de longe.
Espera-me quando todos
estiverem já fartos de esperar.
Espera-me e eu voltarei,
não ames – peço-te –
quem repetir de memória
que é tempo já de olvidar;
mesmo que mãe e filho julguem
que eu não existo mais.
Deixa que os amigos, ao lume,
se cansem de esperar e bebam
vinho amargo em memória de mim.
Espera-me e não
te apresses a beber com eles.
Espera-me e eu voltarei,
para que a morte se encha de raiva.
O que nunca me esquecer
dirá talvez de mim: coitado, teve sorte.
Jamais compreenderão
aqueles que jamais esperaram.
Tu é que me salvaste do fogo.
De como sobrevivi
saberemos tu e eu,
porque simplesmente me esperaste,
como ninguém me esperou.
(Imagem: foto de Nelson O’Reilly Filho)