
Lembrando Raul

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Chegada a hora da minha solitária viagem, vou sem medo
Sem dor, sem lamentos nem levarei saudades.
Já sangrei em vida por todos os espinhos com que me feriram
Esses que hoje preenchem de flores o meu desolado caminho
Seguem hipócritas um cortejo vazio de sentimentos
Não me atiram pedras nem me lanham com espinhos
Mas carregam flores e entoam doces cânticos
Fiquem todos com os seus cantos e suas flores
Eu já parti, não estou mais aqui. Nada faz diferença.
Se me for dado apenas um lugar no inferno, comigo
Não os levarei – pois nem lá os quererei por perto
Mas, se merecedora de ser recebida e conduzida pelos
Anjos do céu, irei eu, apenas eu, sozinha como fui em vida
Não quero suas flores – também elas mortas – arrancadas
De seus caules e já sem vida. Nem seus cânticos inúteis
Terei, finalmente, para mim, as flores vivas da misericórdia
E o canto de vida dos anjos que estarão comigo.
(Imagem: foto de Maria Alice)

Do meu coração banida,
que a minh’alma, livre, voe,
se um dia te amei na vida,
peço a Deus que me perdoe.
Recordo que tua insídia
trouxe-me desilusão,
fui vítima da perfídia
de um amor de maldição.
Sei, teu viver foi farsesco,
na aparência nababesco,
porém tudo fingimento.
Aquele sofrer diário,
que fez parte do fadário,
sepultei no esquecimento.
(Imagem: foto de Maria Alice)


Desesperados vamos pelos caminhos desertos
Sem lágrimas nos olhos
Desesperados buscamos constelações no céu enorme
E em tudo, a escuridão.
Quem nos levará à claridade
Quem nos arrancará da visão a treva imóvel
E falará da aurora prometida?
Procuramos em vão na multidão que segue
Um olhar que encoraje nosso olhar
Mas todos procuramos olhos esperançosos
E ninguém os encontra.
Aos que vêm a nós cheios de angústia
Mostramos a chaga interior sangrando angústias
E eles lá se vão sofrendo mais.
Aos que vamos em busca de alegria
Mostramos a tristeza de nós mesmos
E eles sofrem, que eles são os infelizes
Que eles são os sem-consolo...
Quando virá o fim da noite
Para as almas que sofrem no silêncio?
Por que roubar assim a claridade
Aos pássaros da luz?
Por que fechar assim o espaço eterno
Às águias gigantescas?
Por que encadear assim à terra
Espíritos que são do imensamente alto?
Ei-la que vai, a procissão das almas
Sem gritos, sem prantos, cheia do silêncio do sofrimento
Andando pela infinita planície que leva ao desconhecido
As bocas dolorosas não cantam
Porque os olhos parados não veem.
Tudo neles é a paralisação da dor no paroxismo
Tudo neles é a negação do anjo...
...são os Inconsoláveis.
(Imagem: banco de imagens Google)

Turva a visão e
aos poucos brota
o líquido morno a
inundar os olhos.
Transborda pela pálpebra
e rola rosto abaixo
driblando a barba rala
e por fazer.
Um lenço apara
a tristeza
e guarda a saudade
no bolso.
(Imagem: banco de imagens Google)