A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Quando o céu se desfaz em nuvens E as nuvens mergulham no mar Quando o mar se desfaz em espumas E as espumas se perdem na areia Quando a areia se desfaz em vento E o vento se perde no infinito, O tempo, paralisado, se extasia E o dia se desfaz no anoitecer
Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem.
Eu não preciso muito. Eu não quero muito. Eu quero mais.
Mais paz. Mais saúde. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos. beijos e aquela rima grudada na boca.
Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingo de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: não é muito quando é demais.
Eu desejo a você toda a infelicidade do mundo. que todas as palavras que lhe digam sejam mentiras que todos os amores sejam falsos que teus caminhos sejam sempre enganosos todas as águas fervam a seu toque não matem sua sede todas as frutas que morder se tornem asquerosas ao paladar que no chão onde for pisar a terra se torne fogo ou nojenta lama e as árvores todas percam as folhas para negar sombra e as raízes que serviriam de travesseiros no repouso se tornem venenosas serpentes a seu contato que nunca mais encontre descanso nem encontre paz que nunca mais seja abraçado nem tocado com carinho. que sua sede nunca se aplaque e sua fome leve à morte que cada dor a mim causada abra dez chagas no seu corpo que cada palavra usada para me machucar se transforme em dez pedradas certeiras e abram dolorosas feridas só não desejo que para cada lágrima que derramei venha a derramar dez – porque não lhe será possível derramar uma lágrima sequer por aquelas que me causou: desejo que, diante da infelicidade que colherá pelo que plantou, e desejará chorar por todo o mal que um dia me fez, de seus olhos não saiam lágrimas, mas sim escorra sangue – gotas de sangue de tardio arrependimento.