
Neste sábado

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Que cessem agora todos os sons
E que se calem todas as vozes
Abaixem a cabeça em respeito
Um minuto, uma hora, um dia
Do mais completo silêncio
Pela morte de uma Poeta
A Poesia morreu com ela.
Esta noite não haverá lua no céu
Como também não haverá estrelas
A maré hoje não cantará para
Nos embalar, a sua canção de ninar
E as ondas permanecerão imóveis
Pela morte de uma Poeta
A Poesia morreu com ela.
As flores da noite não se abrirão em perfumes
Nem as flores da manhã explodirão em cores
Não se ouvirá um único trinar de pássaros
Porque não haverá cantoria ao alvorecer
Apenas a ausência dos cantos será ouvida
Pela morte de uma Poeta
A Poesia morreu com ela
Hoje os casais não se amarão, desgostosos
Porque a doçura não se fará presente nos lares
E os sinos dobrarão entristecidos, nos campanários
Sem a alegria dos badalos tão festivos
Sem a algazarra das crianças brincando nas praças
Pela morte de uma Poeta
A poesia morreu com ela
Nunca mais se ouvirão versos de amor
Nunca mais os cantos apaixonados
As odes e sonetos de entrega e magia
Nem uma simples trova em uma esquina qualquer
Nem uma rima em uma canção do trovador
Pela morte de uma Poeta
A poesia morreu com ela
Nem um soluço ou pranto será ouvido
As lágrimas não escorrerão pelas faces
Os corações baterão em profundo silêncio
E, ao verem passar o esquife com seu corpo
Todos dobrarão os joelhos sobre a terra
Pela morte de uma Poeta
A poesia morreu com ela...
(Imagem: banco de imagens Google)


O que é mais importante? Ir ou chegar?
Não há essa resposta. Depende de onde se vai. Por onde se vai, onde se pretende chegar…
Sempre são muitos os caminhos. Vários caminhos levam a um mesmo lugar. Um só caminho pode levar a vários lugares. Vários caminhos levam a vários lugares. Cada um escolhe – o caminho e o destino.
Nesse momento, em que se faz a escolha de onde se quer chegar, o mais importante é o chegar. Mas na hora de ir, a escolha do caminho se torna mais importante do que o próprio destino. Porque se pode, até mesmo, mudar o destino no meio do caminho e se pretender então chegar a outro lugar.
Aquele ponto original já não atrai, não importa mais. Agora se quer outro porto para ancorar. Porque a ideia primeira já se esgarçou.
Seja na vida, na profissão, na viagem. O chegar importa. E o caminho também. Ao mesmo tempo, por mais paradoxal que possa parecer, nem o chegar nem o ir importam.
O que realmente importa é a alma – se ela apenas quer ir, estar sempre indo, em constante movimento, e pouco importa onde vai chegar, porque há nada nem ninguém à espera.
Ou, se há algo maravilhoso ou alguém especial no final do caminho, o que importa é chegar.
Mas, uma coisa é certa: quando se busca um mar, o mais importante, sem dúvida, é o chegar…
(Imagem: foto de Maria Alice)

Um dia eu quis esquecer você...
Para tentar esquecer, comecei a lembrar
tudo aquilo que eu precisava esquecer.
Lembrei-me então desse seu olhar
que sempre me atravessava e enxergava
o que ninguém mais via em mim.
Esses olhos profundos, esse olhar firme
esse brilho de paixão que nenhum outro tem.
E então eu me lembrei do seu sorriso, tão meigo
tão amigo, animador. E lembrando agora essa boca
como não pensar naquele primeiro beijo
e na paixão que explodia como estrelas de fogo.
Para esquecer sua boca, pensei em seus braços,
em suas mãos, no abraço apertado em seu peito...
e me lembrei de noites de amor, de manhãs floridas
de tantas loucuras sonhadas, de verdades confessadas,
de alguns segredos partilhados, de desejos realizados
de muitas risadas e até de algumas lágrimas...
E assim, ao tentar esquecer, mais e mais eu me lembrava
e senti saudade, muita saudade, de tudo que vivemos
Lembrando de você ao tentar esquecer, eu percebi
o quanto, para mim, você é inesquecível...
(Imagem: banco de imagens Google)

É tarde,
nenhum sono
repõe o que não vivi.
É tarde,
nenhum amanhã
cura a antiga ferida
que em nós sangra.
Agora,
que não há sonho
posso, enfim, dormir.
Agora
é tarde demais para morrer.
Agora,
resta um único desfecho:
de novo, acordar por dentro.
E acordar sempre
até que volte a ser cedo.