
Para pensar 07

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Não preciso que me salves.
Não quero que carregues minha dor.
Não há nada para consertar.
Nada que precise de redenção.
Mas… você pode simplesmente estar aqui comigo?
Não preciso das tuas palavras,
Nem dos teus conselhos ou certezas.
Não preciso que me leves no colo,
Apenas que te sentes ao meu lado,
E fiques…
Enquanto as minhas lágrimas caem silenciosas,
Enquanto meu coração se estilhaça em mil pedaços,
Enquanto a minha mente se perde em suas próprias sombras,
Você, com sua presença, me fará sentir que não estou sozinho
Enquanto caminho pelo labirinto do meu próprio ser?
Minha dor é minha para sentir.
Minha escuridão, minha para enfrentar.
Minhas feridas, minhas para curar.
Mas você… você pode apenas estar aqui comigo,
Enquanto enfrento tudo isso com a coragem que me resta?
Porque sou brilhante por causa da minha escuridão,
Belo em meio às minhas rachaduras,
Forte por ter um coração terno.
Mas ainda assim, às vezes, eu me perco.
E quando isso acontecer… você vai segurar minha mão?
Não peço que tires minha escuridão.
Não espero que ilumines meu caminho.
Não preciso que cures o que só o tempo pode tocar.
Mas se puderes…
Fica.
Fica um pouco e segura minha mão.
Até que eu encontre, mais uma vez,
O caminho para fora das sombras.

Às vezes, demora
Às vezes, nunca chega
Às vezes, vai embora
Às vezes, aconchega
Às vezes, sorri
Às vezes, chora
Às vezes, aqui
Às vezes, tão fora
Às vezes, calor
Às vezes, um nó
Às vezes, Amor
Às vezes, só
(Imagem: banco de imagens Google)

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
(Imagem: do acervo pessoal da autora, IA)

Amo...
Deste meu jeito inconstante
Que não me sabe ser
Não me sei ser...
Mas te sei amar
Amo...
Em meus dias cinzentos
Em que nublo e disperso
Chovendo minhas agrugras
Mas sempre volto
E te amo...
Porque não te sei amar de outra forma
Será este meu defeito e pecado?
Amar, sem te sentir meu
Não sentir, e ser tua...
