
Melancolia, Albert Gyorgy, Genebra
Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Melancolia, Albert Gyorgy, Genebra

Quando alguém que amamos deixa este mundo, não é a morte que nos despedaça.
É tudo o que se segue.
A cadeira vazia. As chamadas não atendidas.
Os aniversários que nunca vão comemorar, os sonhos que nunca vão perseguir.
São as memórias que nos aparecem, as músicas que de repente parecem pesadas demais para ouvir.
São as palavras que nunca dissemos e os momentos para os quais pensámos que tínhamos mais tempo.
É passar pelos seus lugares favoritos e perceber que eles não desapareceram apenas — eles não estão em lugar nenhum.
O riso deles desaparece, as esperanças desaparecem, e a vida deles — uma vida ainda inacabada — torna-se uma história que só podemos contar no passado.
Questionamos tudo.
Nós amámos o suficiente?
Poderíamos ter segurado um pouco mais forte?
Mas lá no fundo, nós sabemos: algumas despedidas são escritas muito antes de estarmos prontos.
Quando alguém que você ama vai embora, parte de você também vai embora.
Uma parte que nunca podes reconstruir, um capítulo que nunca podes reescrever.
O que resta é o espaço oco que um dia preencheram – um silêncio que se estende para sempre.
E às vezes, não é a despedida que dói mais…
É a vida que deveria ter continuado – mas não continuou.

Hoje, Dia das Mães.
Para alguns, nada, pois a mãe para estes nada significa. Para muitos, dia de visita, de comemoração, de festa.
E para os órfãos?
Dia de lembrar? Lembrar de dezenas de Dias das Mães que foram comemorados?
Quantas vezes foi preciso viajar centenas e centenas de quilômetros, mas Dia das Mães era sagrado. E era preciso estar perto dela.
Nenhum sacrifício, nenhuma lamentação – era Dia das Mães, era dia de ir para a casa dela.
Até que chega esse primeiro Dia das Mães sem ela. Que tentou enfrentar a realidade da viuvez, mas a vida perdeu o encanto, os olhos perderam o brilho. Nada preenchia a ausência dolorida que ela trazia dentro da alma nos últimos anos.
Mas, para o mundo, é, de novo, Dia das Mães.
Aonde ir? Onde ficar? O que fazer?
Estranha a ausência irreversível da morte.
Em um momento, estamos todos juntos. Uns sonhando, outros planejando, outros realizando… de repente, um se vai. Aquela cadeira da sala ficará eternamente vazia, mesmo que alguém se atreva a se sentar nela.
Às vezes a visão de uma flor, um perfume no ar, uma música vinda de um lugar não identificado, e a pessoa está ali, presente. E você se dá conta do engano – ela não está ali, ela se foi.
Você olha aquele documento oficial, onde tem uma linha escrita “causa da morte”, que foi preenchida com “senilidade”.
Mas no seu íntimo, você sabe que não é isso. Que, na verdade, a causa da morte foi tristeza e saudade.
A mãe nasce quando o primeiro filho nasce. E se perpetua nos filhos, se multiplica nos netos e continua viva nos bisnetos.
Então, enquanto um de nós ainda estiver vivo, ela também estará.
E, para ela, nossa oração de órfãos neste Dia das Mães.
(Imagem: foto do acervo da autora)

Um dia a gente cresce e passa a ver as coisas de uma maneira diferente. Percebe que a casa precisa de uma reforma. Limpamos a poeira, retiramos uns galhos secos e parece estar tudo resolvido.
Um dia a gente vê que é preciso também purificar a alma de tudo aquilo que a consome aos poucos. Que é preciso extrair o que há de melhor em nós e enfeitar a nossa fachada.
Um dia a gente acorda por dentro e valoriza mais o que realmente importa. O amor. As pessoas. O agora. A vida.
Um dia o coração vai recolher os seus brinquedos e virar gente grande.

–Quem é você?
–Eu sou a Paixão.
–Onde você mora?
–Na alma dos homens.
–Com quem você vive?
–Hoje eu vivo sozinha, mas antes eu vivia com o Amor. Um dia ele se foi, quando me viu com o Ciúmes. Conheci então a Tristeza, que era mãe da Saudade. Esta me deixou a filha Lembrança, filha também do Encanto.
–Quem são seus amigos?
–Só tenho uma amiga – a Esperança, inimiga do Orgulho, que vive com a Angústia.
(Imagem – banco de imagens Google)

Eu escolhi o caminho do amor. Mesmo que ele me custe dores, angústias ou decepções, eu sigo firme — porque escolhi ser verdadeira.
No meu caminho, o abraço é inteiro,
o aperto de mão carrega alma,
e cada sorriso que dou carrega um mundo de intenções boas.
Não estranhe minha forma de ser.
Se te desejo o bem, é de verdade.
Se me importo, é profundo.
Se fico, é porque sou raiz, não passagem.
É assim que eu vejo a vida:
com intensidade, com entrega, com verdade.
E é só assim que eu acredito que vale a pena viver.
(Imagem: banco de imagens Google)