A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Eu escrevi um poema triste E belo, apenas da sua tristeza. Não vem de ti essa tristeza Mas das mudanças do Tempo, Que ora nos traz esperanças Ora nos dá incerteza… Nem importa, ao velho Tempo, Que sejas fiel ou infiel… Eu fico, junto à correnteza, Olhando as horas tão breves… E das cartas que me escreves Faço barcos de papel!
Entre a asa e o voo nos trocamos como a doçura e o fruto nos unimos num mesmo corpo de cinza nos consumimos e por isso quando te recordo percorro a imperceptível fronteira do meu corpo e sangro nos teus flancos doloridos Tu és o encoberto lado da palavra que desnudo
No momento de voltar, pense apenas na volta E pense na alegria, na saudade e na vontade E nada mais... Venha de perto ou venha de longe, não importa A chegada é o principal, o esperado. Não traga presentes, apenas doces lembranças Nem traga flores, apenas suas intenções Não ocupe seus braços, deixe livres suas mãos Porque, o essencial, no momento de voltar, É o abraço do reencontro E nada mais...
De ausência e distâncias te construo amigo amado. E além da forma nem mão Nem fogo: meu ser ausente do que sou e do que tenho, alheio.
Na dimensão exata do teu corpo cabe meu ser cabe meu voo mais remoto cabem limites transcendências Na dimensão do corpo que tu tens e que eu não toco cabe o verso torturado e um espesso labirinto de vontades