
Para pensar 26

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Ela insistiu.
Mesmo quando tudo doía, ela ficou.
Mesmo quando você não notava os detalhes, as mudanças no olhar, os silêncios gritando socorro.
Ela lutou, porque amava.
Mas amor sozinho nunca sustentou nada.
Ela engoliu orgulho, engoliu choro, engoliu palavras que teria todo o direito de dizer.
Fez planos, cedeu, se moldou.
Fez de tudo pra não deixar a casa desabar.
Mas chegou um dia em que o amor não foi mais suficiente.
Não porque acabou.
Mas porque ela percebeu que estava se perdendo.
Percebeu que amor não é se arrastar por alguém que não quer caminhar junto.
Ela queria parceria, não penitência.
Queria abraço, não ausência.
Queria ser escolhida todos os dias, e não ser só uma opção conveniente.
Ela te amou até o último esforço.
Até a última lágrima em silêncio, deitada ao seu lado enquanto você dormia como se nada estivesse errado.
Até a última esperança de que você fosse olhar pra ela e dizer: “Eu ainda estou aqui. Vamos tentar?”
Mas você não disse.
Nem percebeu.
E foi aí que ela decidiu ir embora.
Não por raiva.
Mas por amor próprio.
E quando ela foi… não olhou pra trás.
Porque uma mulher, quando cansa de tentar, não desiste do amor.
Desiste de ser a única tentando.

Olhou o mar, profundo e sereno,
As ondas dançavam, um eterno vaivém,
Reflexos de luz, um brilho ameno,
Segredos guardados, murmúrios de além.
O horizonte se estendia, vasto e infinito,
Um convite ao sonho, à liberdade,
Na linha tênue entre o céu e o mar bonito,
A alma flutuava em pura intensidade.
As gaivotas riscaram o azul do espaço,
Cantando histórias de quem se atreveu,
A cada sopro do vento, um abraço,
E a brisa leve sussurrava: “Voe!”
Olhou o mar e viu o horizonte,
Um mundo de possibilidades a se abrir,
Na imensidão, encontrou seu monte,
E no silêncio, aprendeu a ouvir.
O sol se despedia, tingindo o céu,
Com cores que dançavam em tom de paixão,
E naquele instante, sob o véu,
Sentiu que o horizonte era seu coração.
Olhou o horizonte, um convite a sonhar,
Onde o céu se encontra com o vasto mar.
As ondas sussurravam segredos antigos,
E o vento trazia ecos de destinos amigos.
O sol se despedia, tingindo o espaço,
Com pinceladas de ouro, um suave abraço.
As nuvens dançavam em um balé sereno,
Enquanto a brisa acariciava o terreno.
No horizonte, a linha se desfazia,
Entre o azul profundo e a melodia.
Cada onda que quebrava na areia,
Era um verso solto, uma doce ideia.
Naquele momento tudo se confundia:
Quando olhou o mar, viu o horizonte,
E ao olhar o horizonte, viu o mar,
Não mais os diferenciava
Olhou um e outro. Viu no mar
Um espelho de sonhos prontos a navegar.
Na imensidão, encontrou sua voz,
E no murmúrio das águas, fez-se paz.
E, assim, olhando o horizonte viu o mar,
Deixou-se levar pela beleza que avistou.
Olhou o mar, e viu o hotizonte,
E nesse instante, entendeu o que é amar.
(Imagem: foto de Maria Alice)

A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.
Há exatos 45 – quarenta e cinco – anos, Ele nos deixava. Ele, o Poetinha maior. A paixão em forma humana.
Ele nunca morreu. Ele é imortal. Apenas mudou de caminho e não mais o podemos tocar.
Mas o vemos, o ouvimos, o lemos.
Sua presença é concreta, na ausência palpável do morrer.
Descreveu a morte em várias figuras. Mas nenhuma dessas lhe ocorreu. Seguiu no dia em que o Pai o chamou, para adoçar a realidade celeste com sua poesia única.
Meu Poeta, em mais um 09 de julho, minha homenagem a esse ídolo maior!
(Imagem: banco de imagens Google)

Se fores partir, um dia, meu amor,
leva contigo essa ternura
Que dará aconchego nas noites frias e insones
Leva, também muito de todo esse imenso carinho
Que será o companheiro dos longos dias de solidão
Leva, meu amor, todas as lembranças que puderes reunir
Para pensar em um passado risonho e acolhedor
Leva faíscas desta minha impetuosa paixão
Que sempre esteve aqui acalentando nosso existir.
Quando partires, meu amor,
leva retalhos desse amor
Que acolheu, abrigou, e também tanto se doou.
Leva, ainda, um pouco da luz do meu olhar
Para iluminar os atalhos sombrios da amargura
Leva sempre contigo a imagem do meu sorriso
Que será alento e alegria nos dias de tristeza.
Leva contigo o canto do regato
e o pio do pássaro da madrugada
que tantas vezes juntos ouvimos
– a mim, me bastará o silêncio
da noite, eternizado em tua ausência.
Parta, meu amor, em busca do sonhado caminho
Onde não haverá lugar para mim junto de ti
Mas eu peço, meu amor, só um pedido eu faço:
Vai, mas sem olhares para trás depois do adeus
Deixa, aqui comigo, esperando a saudade que há de vir,
Ao menos todas as lágrimas que correrão ao te ver partir.
14.07.2020
(Imagem: banco de imagens Google)