
Passo a palavra ao Jenário

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –




Esgotei o meu mal, agora
Queria tudo esquecer, tudo abandonar,
Caminhar pela noite fora
Num barco em pleno mar.
Mergulhar as mãos nas ondas escuras
Até que elas fossem essas mãos
Solitárias e puras
Que eu sonhei ter.


O céu olhava para o mar e, com inveja das espumas, criava as nuvens
O mar olhava para o céu e imitava as brancas nuvens com suas espumas
Era céu
Era mar
O vento passava calmo e se divertia com a rivalidade
Transitava leve, livre entre o céu e o mar
Era céu
Era mar
Era vento
E o mundo compreendeu a paz que vinha dessa harmonia plena
Onde se irmanavam com serenidade o céu, o mar e o vento
Era céu
Era mar
Era vento
Era paz...
(imagem: foto do acervo da autora)

A saudade paira no ar como paina depois da florada. Cada um carrega em si suas próprias saudades. Mas o caminho para as possuir é igual para todos – temos de construir as memórias para então surgir a saudade.
Plantamos uma árvore e dela cuidamos com dedicação. Um dia ela amanhecerá florida inundando nossos olhos com tanta beleza. As flores cairão, mas na nossa mente, para sempre, ficará a lembrança da explosão de beleza que nossa árvore nos proporcionou.
Assim é a saudade. Ela só surge depois que fomos felizes. Depois que uma paixão explodiu no peito. Que um amor ardente foi vivido. Não há saudade do triste, do luto, da infelicidade. A saudade fica do que nos tocou no campo das emoções, como cordas de violinos, tirando os sons mais celestiais.
E ainda tem de haver distância. Não temos saudade do que nem de quem está próximo. Precisamos que um tempo se passe desde que tudo aconteceu para que surja a saudade. Precisamos que as pessoas amadas se afastem e se distanciem para então sentirmos saudade.
Feliz de quem tem saudade. Feliz de quem tem do que ter saudade.
(Imagem: foto de Maria Alice)