
Esse mar, tão lindo, imenso e indomável
vem, gentil, tocar a meiga areia da praia
e a fina areia, grãos de cristal, ao sabor do vento,
sempre espera, ansiosa, o toque de seu mar.
O vento a esparrama, a desfaz, a carrega
para longe e a mistura em outras praias e some
mas o mar, esse nunca a abandona, ele vai,
mas logo volta, apaixonado e se entrega...
Os amores são tão opostos, e a areia
sempre só, rolando na praia, abandonada,
sabe que o mais constante é o frágil e insípido vento
mas não é ele, por ser quem é, o preferido da eleita.
E a areia, sofrida, espera angustiada, a mudança
da lua e das marés - sabe que ele voltará sempre
e, salgado, impetuoso e amoroso, vem não para ficar,
mas também, para sempre, jamais a deixará
(Imagem: foto do acervo pessoal da autora)