Mãe, há um ano a senhora partiu. Palavras não bastam para descrever nosso sentimento. Trago um poema que minha amiga, a poeta Fernanda Junqueira, escreveu para a mãe dela…

Sagrada saudade atravessando
os limiares da vida e da morte
por esse caminho feito à mão,
crochetado sobre a mesa.
Cada arco do crochê
é um entrelaçado de nossas mãos.
Centenas de trancinhas atadas
a um desejo maternal de congregação
Delicado caminho de tua passagem
Louças antigas regressam-te
da eternidade
memorável nas delícias de tuas receitas.
É grande a fome de reencontrar-te
crochetando a ponte da comunhão
que, por ora,
une nossas extremidades,
transcende a finitude
do novelo da vida.