A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Blogueira, escritora, poeta... porque escrever é preciso
Repito hoje esse texto, porque estava lendo sobre o AMOR. E recordei-me do que já havia escrito. Quem já leu, está dispensado de ler novamente.
Eu te peço perdão por te amar de repente, embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos. (Vinicius de Moraes)
Um dia Mário de Andrade nos brindou com “Amar, Verbo Intransitivo”.
Deixando para lá o enredo, que não é do agrado geral, fico no título e sobre ele medito: “Amar, verbo intransitivo”. Para Mario de Andrade, eu amo. Ponto final. Eu amo porque amo. Eu amo por amar. Eu amo. Não interessa o que. Se amo alguém, se me amo, se amo o próprio amor. Porque não seria um verbo transitivo. Nem direto nem indireto. Mas um verbo intransitivo, sem qualquer complemento. Eu amo. Apenas.
Não, não é assim. Para mim amar é um verbo transitivo. Quem ama, ama alguém, ou ama algo. Ainda que ame a si próprio. Ou uma coisa desprezível. Mas ama com complemento. Portanto prefiro a outra forma: “amar, verbo transitivo”.
Falo hoje não do amor, sentimento sublime, que une pais e filhos, que eleva, que apura, que doa, que tudo… Não. Nada disso. Falo do amor sensual. Ou melhor, da paixão quando denominada amor.
O que seria do mundo sem esse amor-paixão? Já teria acabado há muito tempo. Por tédio, por inércia. Por verdadeira inação.
Só agimos sob o signo da paixão.
Vê-se de longe quem é, e quem não é, apaixonado. E não falo de quem está, ou não está, apaixonado. Porque não se trata de “estar”, mas de “ser” apaixonado. Como uma qualidade que a pessoa carrega consigo.
Os apaixonados se arriscam, se lançam, se atiram, vão mais longe, querem chegar a algum lugar.
Diferente de quem não ama ou não tem paixão: se deixa ficar, não busca, não sonha, não vai…
A paixão é o sal e a pimenta do viver. Tempera a existência, dá gosto. Desperta o prazer de viver.
Quanto mais se é apaixonado, aquela paixão que cega, de adrenalina, que faz acelerar o coração, que tira o fôlego, mais feliz se é.
Colocar paixão em tudo – no estudo, no serviço, no que se faz por gosto e também em tudo que é feito somente por obrigação – torna a vida mais leve.
Portanto, ser intensamente apaixonado nos torna melhores humanos, nos leva mais longe do ponto de partida.
Esse verbo amar do amor-paixão tem de ser conjugado diariamente para que a vida valha a pena ser vivida.
Mas, para mim, deveria ser modificado um bocadinho: o verbo amar não poderia, jamais, ser conjugado no tempo passado.
Um dia ela partiu. Silenciosa. Mansa. Sem dramas. Se lágrimas brotaram, deslizaram frias e quietas. Uma parede se ergueu e tudo foi então separado o que era passado, ali mesmo permaneceu, o futuro começava naquele primeiro passo De costas para o passado, nem uma única vez ela olhou para trás ou pensou em voltar. Porque ela ficou. Ficou por muito tempo. Por mais tempo que gostaria de ter ficado. Mas era necessário seguir adiante. Até que um dia, ela se foi. Partiu. Juntou cacos e pedaços. Mas ainda conseguia, mesmo assim, ser inteira. E partir. Com tristeza pelo que ficou e ansiedade pelo que virá. Com um adeus para o que já não há. E alegria pelo que será. Pela vida. Pela paixão. Porque se muito foi perdido para sempre, conservou dentro de si o encanto da paixão. E por isso partiu para sempre. Íntegra. Intensa. Dona de si, de sua vida, de seu futuro. Sempre soube que, se um dia partisse, seria para sempre. Jamais voltaria. E jamais voltará.
No dia dos namorados Queria uma carta de amor: Uma carta escrita com carinho Repleta de palavras de amor. Que viesse em um papel delicado, Com letra tremida de paixão, Tinta carregada de ternura, E perfume de muita saudade. Que aquecesse meu coração Alegrasse minha existência E que me provocasse Na boca um terno sorriso, Enquanto dos olhos escorresse Uma lágrima de emoção, Trazida com muito cuidado No bico de um rouxinol. Mas, se não puder mandar a carta, Se não gostar de escrever, Se não tiver esse papel nem essa tinta, Se não souber essa letra nem tiver De emissário um rouxinol, não faz mal: Venha então pessoalmente Para me dizer essas palavras Com voz de muita paixão, E nos olhos muita ternura Nas mãos, não quero flores Nem mesmo quero presentes. De nada que há em lojas eu preciso Quero apenas mãos trêmulas de desejo E um abraço que mate toda essa saudade.
Saudade, a presença de quem se fez ausente A voz que ouço quando já não canta mais O perfume que sinto no ar quando estou sufocando A companheira fiel na minha solidão Saudade, a escuridão no brilho do sol...