A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Blogueira, escritora, poeta... porque escrever é preciso
Um dia hei de me cansar e me irei
E a ti, eu te deixarei para sempre
Quem te amará quando eu desistir desse amor?
Que olhará nos teus olhos como tanto amor
Como sempre viste nos meus?
E ficará a teu lado em todos teus dias
E te esperará todas as noites e madrugadas?
Que haverá de segurar tuas mãos nos momentos de dor
E nunca dirá – mais tarde, agora ocupo-me de mim?
Quem te enviará versos falando
De uma paixão ardente que abrasa a vida
Rompe o tempo e apaga a distância?
Quem mais te fará os versos que eu te fiz?
Deitada, nessa noite eu espero
Noite após noite, só faço esperar
Em um de repente qualquer você
Há de vir, até mim há de chegar
Quando se cansar dessas noites vadias
Ao se lembrar de nossas loucas madrugadas
Terá saudade do aconchego e paixão
De tudo que teve em meu corpo entre meus braços
Então voltará para mim novamente
Manso, tímido, chegando arredio
Esse sorriso contido que me enlouquece
E me tocar com suas mãos encantadas
E seus beijos - Ah, esses beijos - na verdade serão meus
Sabendo de tudo isso eu me deito e espero
Não sei a hora nem a noite de sua volta
Aos poucos me dispo de mágoas passadas
Já me despi da raiva, do orgulho também
Apenas para aguardar o momento da magia
Disso tudo despida, vestida de perdão
Espero nua, com meu coração aberto
Seu corpo se deitar ao lado do meu e me amar
Quando se ouvirem tocar as trombetas do final dos tempos
E uma brisa varrer a leveza do ar, como um fraco vento
Levando os amores mortos, as paixões fracassadas
Vagarão tristes os corpos descarnados dos vivos
Que chegam a desejar a morte em meio a tanto deserto
As ideias já não são, não sobreviveram à solidão
De quem ainda pensava e de alguma forma esperava
Cadáveres insepultos povoam os caminhos
Crianças abandonadas, velhos desamados, mulheres acabadas
Nesse mundo de egoísmo e violência insana
Nem mais existe a força da revolta, toda a energia foi gasta
Os homens duelaram sem armas, as palavras feriram mais do
que a faca, a cobiça matou muito mais do que as balas
Os poderosos distribuem fuzis e granadas para os fracos
Todos se tornam pasto de todos na terra arrasada
Aves de rapina dão seus rasantes ameaçadores
Cães atacam seus donos e os estraçalham
Já não há ordem, as leis morreram por falta de uso
Pode-se ver o avesso do mundo, o outro lado da vida
Até que um dia um ser, esmagado de tanto sofrer
Levantará as mãos aos céus e bradará, em nome de todos
Piedade, meu Pai! Misericórdia, Senhor!
Pedindo ajuda ao Deus que ele ajudou a matar.