
Do alto do Corcovado, o Cristo chora sobre o Rio de Janeiro. Mas quando foi a última vez que o Rio chorou arrependido aos pés d’Ele?
(@ocarlosbelo . #riodejaneiro)
Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Do alto do Corcovado, o Cristo chora sobre o Rio de Janeiro. Mas quando foi a última vez que o Rio chorou arrependido aos pés d’Ele?
(@ocarlosbelo . #riodejaneiro)

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Partiste…
e com teu silêncio levaste um pedaço de mim.
Fiquei com o vazio das horas,
com a lembrança viva do teu sorriso
que ainda ilumina a escuridão dos meus dias.
Teu perfume vaga no ar,
como se o tempo não ousasse apagá-lo,
como se o vento soubesse
que há memórias que jamais se desmancham.
Não importa a distância,
não importa a ausência,
há algo em mim que te chama,
há algo em mim que te guarda.
Foste embora, mas nunca partiste de verdade,
porque estás presa no meu peito,
nas linhas invisíveis da saudade,
no amor que não conhece despedida.
E enquanto houver vida em mim,
enquanto houver sonho e respiração,
mesmo sem teus passos ao meu lado,
eu sussurro em silêncio:
nunca vou te esquecer.
Na paisagem do teu corpo
Desenho os traços do meu querer
Encontro montes, picos e colinas,
Planícies, savanas e campinas
No relevo de teu peito
Descanso meu turbilhão
Repouso o meu cansaço
Revivo todo meu desejo
No rebojo desse impulso
Ofereço o remanso de meu ventre
Para que tua voragem
Se complete em meu caminho
Juntos seguimos as trilhas
esboçadas pela vida
nos atalhos de um seguir
que nos torna apenas um
Quando vens eu te recebo
Na intensidade da entrega
e riscamos, enfim, juntos,
o mapa de nossa paixão.
(SP, fevereiro 2023)
(Imagem: banco de imagens Google)


Porque traz nas costas as marcas das correias dos pesos que precisou carregar. E traz nos olhos a tristeza das sombras que precisou atravessar. E na alma as mágoas que lhe causaram.
A vida não lhe foi madrinha, mas, por vezes, cruel madrasta.
Caminhou nas pedras e atravessou o inferno a pé. E tudo foi aprendizado.
Hoje, chegado o alto da montanha, olha para baixo e revê toda essa jornada. Muitas vezes não acredita ter superado e ter chegado aqui.
Das dores resultaram apenas cicatrizes – marcas superficiais que mostram que foi mais forte do que as feridas que suportou.
As sombras aguçaram seu olhar e permitiram que enxergasse melhor mesmo no escuro, e através dos olhos alheios. E as mágoas lapidaram o carbono de seus sentimentos, que não se transformaram em carvão, mas em fino diamante.
Desde cedo viu a crueza da vida, e assim aprendeu o valor da felicidade.
E, pisar em pedras ensinou a enfrentar a dor, ao mesmo tempo que conseguiu ver a porta para sair do inferno e voltar à vida.
Porque passou sozinho todos seus piores momentos. Alguns dos melhores teve com quem dividir.
Porque não perdeu a alegria de viver e a esperança a felicidade.
E nada o deteve nem deterá. A sede de viver é maior do que qualquer obstáculo.
E assim seguirá em frente, mais forte, mais lúcido e mais preparado para a vida…
(Imagem: banco de imagens Google)