
Para pensar 33

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


na pétala, escorre a lágrima,
pranto do céu
em forma de chuva
na face, escorre o orvalho,
gotas dos olhos
em forma de dor
na terra, escorre o rocio,
igual a um pranto:
sereno da noite
tudo chora
alguém partiu
e deixou outro alguém;
soluça a alma
de quem partiu;
orvalham os olhos
de quem ficou
(Imagem: banco de imagens Google)

Pedras runas invertidas
Seja perht ou seja ehwaz,
São o contrário da sorte
Mostram que a vida tem avesso
Se no jogo da bugalha
Conseguir passar as cinco
Não se arrisque mais na vida
Tudo pode dar errado
Mas pular amarelinha
É brincadeira de criança
Quando adulto a diversão
É gastar dinheiro à toa
Crescer é não brincar mais
Crescer é ver a vida perder o encanto
Na verdade o castigo da humanidade
Foi crescer e se tornar adulto na vida
A realidade fica cinzenta
A esperança vai-se esgarçando
Tudo vira um perigo
Nada mais é espontâneo
Quando criança se chora
Até pela bolinha de gude perdida
Quando adulto não se chora
Mesmo que o amor se vá embora
Adulto descobre disfarces
Para não ser censurado
Sorri com a alma chorando
Não mostra a ferida que sangra
Não brinca, não corre, não dança
Disfarça a dor que o destrói
Da mesma forma que as gotas da chuva
Tornam seu pranto invisível
(Imagem: banco de imagens Google)

Existe um tipo de tristeza que advém de saber demais, de ver o mundo como ele realmente é. É a tristeza de compreender que a vida não é uma grande aventura, mas uma série de pequenos e insignificantes momentos, que o amor não é um conto de fadas, mas uma emoção frágil e efêmera, que a felicidade não é um estado permanente, mas um vislumbre raro e fugaz de algo que jamais poderemos manter. E, nessa compreensão, há uma profunda solidão, uma sensação de estar isolado do mundo, das outras pessoas, de si mesmo.
(Arte: Zdzisław Beksiński)

Busco suas mãos.
Eu as busco no conhecido e no desconhecido. No finito e no infinito. Na tristeza e na alegria.
Se tenho de atravessar um lindo campo, florido e iluminado, busco suas mãos. Para que você venha comigo, aproveitar desse momento único. Se estou em perigo, sem enxergar, correndo riscos, são elas que procuro para ter força e coragem, pois nelas eu confio.
Ao longo dessa vida busco suas mãos. Para todos os momentos. Para que guiem, sustentem, toquem e acariciem. Da mesma forma as buscarei no infinito, porque a morte não é o fim de um amor. O infinito é logo ali, fica atrás da cortina dessa existência, e lá estaremos juntos – um dará ao outro a mão na hora de atravessar o espelho.
Na tristeza só quero suas mãos. Quero suas mãos me afagando os cabelos, me abraçando e me fazendo acreditar que tudo vai passar. E, quando a alegria dominar novamente, serão suas mãos que buscarei, para nos tocarmos com paixão, e nos completarmos levando à comunhão das almas todo o aconchego que nossas mãos já deram aos corpos.
Por isso busco suas mãos. Hoje, aqui, amanhã, aí, antes, sempre e depois.
Busco suas mãos. Dê-me suas mãos. E vamos juntos conhecer a felicidade de amar.
(26.06.2019)

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida…
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida…
(Imagem: banco de imagens Google)