
Para hoje

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


OK, é Praga – respondo novamente, desde que publiquei esta foto em minha página aberta, e novamente a publico e respondo aqui, de uma vez:
A foto foi, sim, tirada em um restaurante de Praga, República Tcheca, há alguns bons pares de anos, na verdade, algumas décadas atrás.
Estava tomando a genuína pilsen, em seu próprio berço – e pedi o copo pequeno, porque não sou muito de cerveja e nem fazia assim tanto calor, cerveja para mim é bebida de praia, de preferência em boa companhia.
Mas, voltando à foto, foi uma viagem maravilhosa, eu sempre quis ir a Praga. Era um desejo recorrente.
Eram livros de estórias e histórias que se passavam em Praga, cada vez que me caía um nas mãos sonhava mais e mais ir até lá. Eram filmes feitos na antiga Tchecolosváquia. E os vírus do turista profissional se multiplicando.
Daí li A Insustentável Leveza do Ser. E quis mais ainda ir a Praga.
Aí assisti Kolya. E delirei – se não fosse a Praga teria ataques de lombriga, chiliques e piripaques… só esperei a queda do comunismo, o que só veio a ocorrer em 1989, quando a então Checoslováquia teve de volta a liberdade, através da “Revolução de Veludo“. Era a deixa para eu ir… E não fiz por esperar.
Até que… FUI À PRAGA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
E não me decepcionei em nada. Era até mais do que eu sempre esperei.
Estive em lugares que só se tornaram real porque fui lá, vi, ao vivo e em cores, esses locais que povoavam um rico imaginário que é próprio de quem gosta de ler:
Katedrála svatého Víta, a maravilhosa e antiga igreja; Pražský hrad , o famoso Castelo de Praga; Pražský orloj, o relógio astronômico medieval, em rua central, diante do qual multidões param esperando seus movimentos; Obecní dům – o notável prédio da Câmara Municipal, estilo Art Nouveau –Vltava, o rio que corta Praga e sua Ponte Carlos; Mala Strana e sua roda d’água, bairro incrivelmente típico, peculiar, muito usado para filmagens; – Staroměstské náměstí, a velha Torre…, foram tantas as maravilhas que fica difícil enumerar aqui.
Vi um grau de civilização bem mais elevado que o nosso aqui, do Brasilsão velho de guerra!
Vi a temida polícia de preto, resquício dos anos de chumbo.
Um povo que se redescobre a cada dia, mostra sua alegria de viver, seu empenho em ter a Pátria grande e respeitada, em ver a verdadeira democracia reinar absoluta.
Vi os telhados vermelhos de Praga e constatei que realmente os telhados em Praga são vermelhos.
Vi, ainda, a imagem original do Menino Jesus de Praga, que lá é chamado de Deus Menino, vi restos de guerra e, acima de tudo, vi os cristais mais lindos que poderia imaginar.
E ouvi a língua mais esquisita que poderia haver, aprendendo o básico para ser gentil e bem aceita pelos nativos. Mas reconheço, essa é difícil de verdade, não tem nenhum nexo com qualquer língua conhecida.
Imagino como se sentiam os navegadores e exploradores quando se deparavam com populações nativas falando línguas e dialetos absurdamente ininteligíveis. Mas, é claro, pequeno detalhe que em nada embaçou o prazer da viagem.
Quase não voltei, porque lá estava muito bom, muito bom mesmo. Mas chegou a hora e o avião, com algumas horas de atraso, decolou…
Quem sabe um dia volto para lá…
(Imagem: foto do acervo pessoal da autora)

Pequeno pássaro
Da cabeça amarela
Pousa com suavidade
Na soleira da minha janela
Desliza de um lado a outro
Como se fosse uma passarela
Cisca no duro cimento
Se torce e se bica a canela
Abre as asas e vai embora
Não conseguiu entrar – há uma tela!
(Imagem: banco de imagens Google)


Dormir…
Sair de um mundo ruim e mergulhar no desconhecido.
Sem medo.
Entregar-se plenamente como ao mais adorado amante.
Com ardor.
Simplesmente deixar, por algumas horas, de existir.
Não estar.
E adentrar num mundo fantástico e encantador.
E sonhar.
Ir até o âmago da própria e triste existência e viver,
Nessa noite,
A alegria de encontrar outra, em outra realidade,
Seu lugar.
Realizar suas vontades, conhecer a plenitude de
Ser feliz.
Então, depois das aventuras e do êxtase conhecido
Acordar…
(Imagem: banco de imagens Google)
Incrível esse texto tão atual, que escrevi em 22 de janeiro de 2019…

A paz é a tranqüilidade da ordem de todas as coisas (tranquilitas ordinis) – Santo Agostinho
Quero ler outros jornais. Quero assistir a outros noticiários. Não aguento mais estes a que tenho acesso.
Não quero mais essas manchetes violentas e tintas de sangue.
Não quero mais ler “matou a mãe e …” ; “casal assassinado enquanto dormia…” ; “morre turista atacada por tubarão” ; “novo caso de estupro coletivo na …””corrupção” … “corrupção” e mais corrupção … … …
Cansei.
Mas cansei a um ponto de cansaço que acho não ter mais volta.
Que mundo é este? para que estamos aqui, trabalhando e pagando contas, envelhecendo sem ter vivido plenamente, sobrevivendo ao caos, à violência, ao medo…
Não é este o mundo que eu quero. Mas não sei o que fazer para mudar alguma coisa.
Sei que sou gentil, sei que tento viver minha vida sem incomodar ninguém e estou sempre disponível para aqueles que precisam de uma ajuda, uma palavra, um conforto.
Isso não basta. Minha gentileza é confundida com fraqueza.
Minha educação é confundida com falta de pulso.
Minha eterna disposição é confundida com ausência de cansaço físico.
E não é nada disso.
Por isso e por tudo o mais, cansei. Não quero mais.
Não quero mais saber de notícias, não quero mais navegar na internet, não quero mais encontros com amigos, familiares, colegas, conhecidos, nada, nada, nada…
Não quero mais que o telefone toque (mesmo porque só toca para trazer aborrecimentos, pedidos, cobranças descabidas).
Não quero mais que me procurem para queixas e me usar como repositório de problemas alheios.
Repetindo um ex-presidente da república, tudo o que quero é que me esqueçam.
Quero paz, quero leveza, quero tranqüilidade.
Quero olhar o mar sem ter que pensar no tsunami.
Quero olhar o céu sem me lembrar dos acidentes aéreos.
Quero andar livre no calçadão da praia sem recear assaltos.
A humanidade me cansou.
Definitivamente.
(Imagem: banco de imagens Google)