A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Blogueira, escritora, poeta... porque escrever é preciso
Não nasci para agradar ninguém Nem tão pouco ao meu ego Me permito escutá-lo Mas não a ouvi-lo Insegura do seu apelo e credibilidade
Sirvo de passagem Ao que me querem E ao que por aqui estou E nada mais se fará em mim
Louca, incompreendida Ou simplesmente humana Pouco importa a real definição Para real já me basto eu Rasurada de todas as ilusões Numa mórbida e cruel peça Onde me invento e encarno Procurando sentido
Não nasci para agradar ninguém ... Talvez até o tenha A meu pai, a minha mãe Ou até entregue A prazeres dubios e carnais
Pouco me importa ... Se tiver de agradar alguém Que sirva à minha identidade Tão abstracta e peculiar...
Mas não... E não me vejam como matriz Porque de mim nada mais brotará Que as certezas que trago dentro...
Porque um dia olhei para você com olhos de amor e paixão, fiz de você meu sol e meu mundo, fiz de mim uma pessoa melhor para fazer você feliz.
A meu redor flores de alegria se abriram e coloriram a realidade, águas claras e puras correram entre as pedras, e noites calmas sucederam dias intensos.
O tempo, implacável, fez-nos passar, tirando-nos, aos poucos, nacos de vida, e os caminhos nos levaram à inevitável bifurcação.
Eu sei, um dos caminhos era o mais complicado, com as dificuldades, a escuridão. O outro, bem mais fácil, era, na verdade, a fuga ideal para pessoas fracas.
Ali você soltou da minha mão. Seguiu o caminho mais simples, atraído por chamados inferiores.
Eu continuei minha jornada, preparada para o que a vida me reservasse.
Enfrentei o difícil. O caos. A dor.
E segui meu caminho. De pedras e lágrimas.
Paralelos seguimos cada um por seu próprio rumo.
Aos poucos fui ultrapassando o pior. E as pedras e infortúnios foram, um a um, deixados para trás. Encontrei campos amigos. Águas frescas. E meu caminho foi-se tornando leve, macio, acolhedor.
Hoje, chegamos o ponto infinito onde as paralelas se encontram. Frente a frente. Cara-a-cara. Novamente nossos caminhos se cruzaram.
E vejo você, judiado, maltratado pela vida. Vejo que seu caminho foi o inverso do meu. Começou tão florido e iluminado, mas você também precisou enfrentar pedras e trevas. Mas não estava preparado para isso. Soçobrou.
Olhos baixos, já não me encara. Consumido por seu própriou orgulho.
Mas, sob tantas cinzas, sei que guardamos algumas brasas no fundo do peito.
Não é possível recuperar o que foi perdido. Não é possível reconstruir nada sobre ruínas.
Mas sempre é possível retomar um caminho perdido em atalhos escusos.
Estendo a você minha mão. Porque o caminho volta a ser apenas um. Juntos ou separados, de agora em diante seguiremos pela mesma estrada.
Então que seja juntos, quem sabe será possível caminharmos lado a lado.
E a vereda, daqui em diante, aparenta ser mais leve, agradável e luminosa.