
Para hoje, Caio Fernando. Só. E basta…

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Nada como um bom desafio para nos levar à ação.
Quando “inaugurei” esse blog, nos idos de 2008, postava algumas crônicas, sem regularidade temporal, não mantendo assiduidade.
E o blog caminhou, cresceu, e, há alguns anos, eu me desafiei para postar por 100 dias seguidos.
Esses 100 dias transcorreram com posts diários. Venci meu próprio desafio.
Algum tempo depois, já com um número de leitores assíduos, resolvi “abrir” espaço para outros autores. Assim, famosos, anônimos, conhecidos e desconhecidos tiveram textos, crônicas ou poemas, aqui publicados. Se lia ou recebia algo que “me tocava”, transcrevia no blog.
Também as fotos que ilustram os posts, se não eram anexos aos mesmos, eram escolhidos no banco de imagens da internet ou fotos que amigos me enviavam.
Durante o tempo de isolamento fiz novo desafio: postar 200 dias seguidos. Aqui já eram textos meus e alheios. Mas cumpri o propósito e, por 200 dias, religiosamente houve publicação.
O blog, mais que uma faceta da minha “carreira” de escritora, é uma alegria no meu dia, um prazer vir aqui e conversar com quem me lê. Com quem me honra com o cuidado de também vir aqui, aceitar meu cafezinho virtual e ler a publicação do dia. Tento não falhar. São leitores de mais de 40 países.
Inventei algumas séries com dias certos na semana, começou com biografia de meus poetas preferidos, músicas, e, atualmente, a série “Para pensar”, sempre aos domingos.
A vida nos traz novidades, boas e más surpresas. Motivos para rir e motivos para chorar. Acontecimentos para serem lembrados e acontecimentos para serem esquecidos. Vontade de viver e vontade de desistir. Vamos nos conhecendo enquanto vamos vivendo. Os outros? Esses nunca conheceremos de verdade. Só a face que nos é mostrada.
Escrever é como olhar pela mesma uma janela e ver, a cada dia, uma nova paisagem. Que só existe dentro de nós, mas temos como mostrá-las aos outros e conseguir que também vejam pelos nossos olhos. É abrir uma porta inesperada e levar junto o leitor, para conhecer esse novo mundo.
Por vezes a realidade é leve. Em outras, muito pesada para nossos frágeis ombros. Mas precisamos continuar. A caminhada só cessa na morte. Quantas vezes pensamos não aguentar mais, porém de algum lugar dentro de nós, vem uma força até então desconhecida e continuamos a luta…
E, há quase um ano, em momento de intenso desânimo, para me provocar, “chamar para a guerra”, fiz novo desafio: publicar por 300 dias seguidos, sem falhar um sequer.
E, mais uma vez, consegui. Hoje, completo TREZENTOS dias de publicações seguidas.
Às vezes penso que sou movida a desafio.
Houve ocasiões em que já estava por volta de 23h e eu me lembrava que nada havia postado. Imediatamente, vinha para o escritório e, antes das doze badaladas (sentido literal, uma vez que tenho em casa um carrilhão que me canta as horas em doces badaladas), estava postada a publicação do dia.
Não importa em qual das minhas casas estou – ou se em algum hotel. Foram trezentas publicações.
É gratificante saber que consegui.
E, ainda, agora tenho plena certeza que é melhor não me desafiarem. Porque, uma vez desafiada, vou até o final. Não paro enquanto não vencer…
(Imagem: foto de Chico Escolano)

Livrai-me Pai
do tipo de gente morna
que chove não molha
te cumprimenta e não olha.
Que não diz a que veio
e que sai à francesa
que não se compromete
nunca tem a certeza.
Afastai-me Pai
do tipo de gente chupim
que bota o ovo no ninho do outro
que vive pra baixo
que não sobe nem com trampolim.
Que não sabe se dar
que só quer levar vantagem
não se aprofunda
e só fala bobagem.
Livrai-me Pai
de gente que não se assume
que não desce do muro
e se esconde feito cardume.
Gente pela metade
Que não se conhece a raça
feito cão vira lata
que não se mostra, não ata nem desata.
Afastai-me Pai
do tipo de gente lisa
que escorrega pelo dedo
puxa o saco e te alisa.
Que só venha a mim
gente inteira, do bem
que possa contar comigo
mas que acrescente e me eleve também!



Caminho pelo infinito em busca de lugar nenhum
o céu me cobre e protege o vento me acompanha
a neblina me espera e não deixo sequer pegadas,
pois que a chuva apaga as marcas de meus passos nesse caminho de ida, um caminho sem volta
trago no embornal restos das idas ilusões,
cacos dos sonhos desfeitos
e um pouco dos carinhos recebidos
Não tenho comigo sobras de amor, nunca o conheci,
sempre me faltou, insuficiente e falso
nem trago qualquer tipo de esperança
Apenas pedras duras da realidade
Um pouco do calor das mãos que me tocaram
E muita saudade de quem eu fui um dia
(Imagem: banco de imagens Google)