A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Blogueira, escritora, poeta... porque escrever é preciso
Qual a mais bela poesia já escrita? – pergunto-me neste dia 21 de março, em que se comemora o Dia Mundial da Poesia.
Quem foi o maior poeta de todos os tempos? Algum famoso, algum anônimo, alguém muito famoso ou um ilustre desconhecido?
Há poesias belíssimas. Poesias feinhas. Poesias emocionantes. Poesias chatinhas… e nem toda poesia é poética… e alguns textos não poéticos que são verdadeiras poesias.
Não existe poeta sem poesia. Mas existe poesia sem poeta.
Porque o poeta apenas transcreve a poesia que existe em algum lugar – dentro ou fora dele.
A poesia está na alma, no sangue, no querer, no sofrer. E está no ar. No mar. Na natureza. Nas relações humanas. Nos sons. Nos céus.
Em todo lugar há poesia. Até na dor.
A ideia de uma Beatriz descendo do Paraíso para pedir ao poeta Virgilio que guie seu amado Dante para fora do inferno já é, em si, uma poesia extrema.
E, depois da peregrinação pelos círculos do inferno, o ingresso e a passagem pelo Purgatório, com encontro de tantos conhecidos, finalmente o Poeta chega ao Paraíso, onde a alma de Beatriz o espera.
O amor de Beatriz o leva à redenção. O que de mais poético do que essa simples ideia?
Isso é poesia.
Exilado, para não ser queimado vivo em Florença, o poeta Dante se retirou para Ravena, onde faleceu e ali está seu túmulo. Entretanto, em Firenze, na lateral da nave da Basílica Santa Croce, foi construído um túmulo para ele, onde se encontra uma escultura que emociona: debruçada sobre a tumba, a Poesia chora a morte do Poeta, em um túmulo condenado a ser vazio…
Os sonetos de Camões. Por obra do fidalgo D. Gonçalo Coutinho, ocorreu a primeira homenagem ao grande poeta, agora já morto: em 1595 mandou preparar a primeira edição da lírica do poeta e ordenou que seus restos mortais fossem transladados para a nave central da Igreja de Sant’Anna, onde repousam sob a lápide com a inscrição “Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos poetas de seu tempo: viveu pobre e miseravelmente e assim morreu. Esta campa lhe mandou aqui pôr D; Gonçalo Coutinho, na qual se não enterrará pessoa alguma”. Depois do desmoronamento da referida Igreja, no terremoto de 1755, seus restos mortais acabaram sendo transferidos para Lisboa, onde repousa no Mosteiro dos Jerônimos, ao lado do túmulo de D. Sebastião. (Fonte: Até que o amor me mate, de Maria João Lopo de Carvalho).
E tantos os poetas, e tantas as poesias.
Neste dia mundial da poesia deixo aqui um soneto, poesia na mais pura forma, escrito pelo insuperável Luís Vaz de Camões, um dos maiores escritores de língua portuguesa e ainda, um dos maiores representantes da literatura mundial, mundialmente conhecido, escrito para usa amada prematuramente falecida:
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
E eu pensei que partia Que era livre, nada a me prender Então parti. Fui embora Sem rumo, sem Norte
Apenas fugi. De tudo. De todos. E, principalmente, de mim.
No impacto da coragem Não pensava em mais nada Estava, finalmente, livre! Livre!
Busquei estradas, percorri atalhos Deitei em bosques, nadei em remansos Era só para mim que as nuvens dançavam O céu era inteiramente meu As estrelas sorriam e piscavam para mim
Mas logo o encanto se perdeu A angústia voltou a me perturbar O que eu queria? O que eu buscava?
O escuro novamente se fez em minha alma E, vi, com tristeza, que não era livre Apenas fugira de um lugar Mas não encontrara a liberdade Porque trazia comigo, dentro do meu peito A prisão que me limitava
A tristeza infinita Da saudade eterna que habita Dentro do meu mais profundo existir E não deixa minha alma voar:
Teu corpo Se vai tornando aos poucos Uma memória longínqua Cada lua que me deita Cada sol que me desperta O recorda Mais um dia passou... Amava os silêncios Aqueles, consentidos Em que nos tornavamos calmia Depois da fúria com que nos amávamos Esses silêncios ... Tão diferentes dos que nos afastaram Dos que nos desgastaram Em oposta agonia Minhas noites se tornaram negras Tão mais negras Impossívelmente mais Assim seja possível Monocórdicas, minhas Somente minhas Em meu peito Crescem agora silvas bravas E meu leito se tornou agreste Os teus silêncios, já não me habitam A tua voz, já não me povoa E a minha casa, ficou vazia...
Na verdade é mais uma reforma ortográfica, visando unificar a linguagem da comunidade lusófona mundial — Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
Tira acento, suprime o trema, junta palavras e por aí afora.
O mundo inteiro estuda inglês – qualquer criança, incapaz de escrever um simples ditado em português ou ler um livrinho básico, já estuda inglês. E esse fenômeno não é particularmente brasileiro, onde péssimas escolinhas de inglês pipocam em toda esquina, onde professoras que mal sabem português e nada sabem de inglês dão aula sem maestria.
Escolas de línguas estrangeiras se reproduzem como coelhos.
E toma espanhol, e estuda mandarim… (???!!!)
Não reprovo o domínio de uma ou mais línguas estrangeiras, não critico quem vai ao país de origem da outra língua para aperfeiçoar e conquistar o pleno domínio. Mas pergunto: nessas escolinhas se aprende alguma coisa? Sei que não, já fiz algumas.
Os animais do mundo se entendem? Será que um cachorro brasileiro entende o que um cachorro russo late? Ou um gato belga entende o que um gato chinês mia? Eles não estudam línguas, mas os sons que emite, em qualquer parte do mundo, soam exatamente iguais para quem ouve.
Seria uma linguagem animal universal?
Bem que já se tentou uma língua universal – o esperanto, que, ao que tudo indica, não deu certo. Não conseguiram uma linguagem universal. Talvez porque soe muito esquisito.
Poderíamos encontrar uma nova linguagem, e tentar torná-la universal, dar qualquer nome, pode-se inventar, já que a linguagem será inventada também. Talvez nem exista na forma escrita, seja como língua indígena, só falada… e então liberaríamos nossas crianças dessas escolinhas de inglês.
E mais: é preciso que todo mundo fale inglês?
Então para que a reforma ortográfica de outros idiomas? Não seria melhor obrigar a comunicação em inglês?
Será que se todas as nações, todos os povos falassem uma mesma língua, inglês, por exemplo, já que gostam tanto dessa língua (tão pobre, de sonoridade tão feia), os homens se entenderiam melhor?
Será que na ONU, onde todos falam inglês e somente em inglês, eles se entendem?
E os países que mesmo falando a mesma língua entram em guerra, por que?
Ou ainda que falem a mesma língua, por não terem amor, não se entendem?
Um dia ainda descobrirão a fórmula do entendimento universal…