
Palavra de Eugénio

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


A minha vida é o mar o abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
(Imagem: foto de Maria Alice)

E assim começa um novo ano. Com fogos de artifício, ruas quase vazias de pessoas e veículos.
Amanhece silencioso.
Aos poucos algum movimento, escapamentos de motos estourando no semáforo da esquina, poucos carros e um ou outro atleta corajoso e dedicado caminhando ou correndo.
O ano passado? Parece que foi ontem…
Dia da Paz Universal… não sei, as guerras continuam da mesma forma que no ano passado…
Mas, sem qualquer dúvida, dia da preguiça universal.
E agora, já anoitecido o dia, relâmpagos e trovões.
E o ano novo? Não existe mais. O Ano Novo já acabou, já está usado.
(Imagem: foto de Maria Alice)
Le temps est le grand art de l’homme. (Napoléon Bonaparte)

31 de dezembro.
Mais um ano se finda. Amanhã será “Ano Novo”. Depois de amanhã já não será mais nada.
A vida realmente é só o agora, neste instante. Já não o é mais quando comecei a escrever, alguns segundos atrás. Já foi, passou.
Este instante, algo tão fugidio que não podemos reter, é o que nos mostra que estamos vivos.
Um dia, por razões que não sei, alguém resolveu fatiar o tempo.
Os dias, todos iguais – amanhecia, clareava, nascia o sol. Subia ao centro do véu, começava a descer. Sumia, escurecia e anoitecia. Surgiam a lua e seu séquito de estrelas.
E tudo se repetia indefinidamente, e ninguém se preocupava, porque era natural.
Mas – e aí vem o histórico e inevitável “mas” – alguém chamou esse ciclo de infinita repetição de dia (ou day, jour, ditë, дия, prům, dag, tag, giorno, den e outros nomes a cada diferente idioma).
Não contente, agrupou-os de acordo com as fases que enxergava na lua. E finalmente, quando se deu conta de que esta também se repetia, separou as luas e fez os meses. Daí para o ano deve ter sido um pulinho.
E outro, ainda mais esperto, provavelmente mercador de champagne, decidiu que quando se completasse o ciclo do ano, deveríamos comer muito, dançar muito e, para completar tudo isso, beber muito. Champagne, é claro.
Com o tempo, como tudo tende a ser esculhambado em alguns países menos desenvolvidos, passaram a beber cerveja para comemorar (ou bebemorar, já nem sei bem) essa passagem de um ano para o outro.
Tudo porque durante alguns dias alguém não foi trabalhar e percebeu que o sol aparecia e sumia, num ritmo tão certo que poderia ser marcado em um ponto no chão e seria sempre igual. Foi o primeiro relógio.
Amigos, leitores, a todos vocês, pegando carona na ideia genial que um dia alguém teve, desejo que todos tenham seu champagne para estourar nesta noite e que recebam de braços e de corações abertos o novo ano, que será novo somente até amanhã à noite.
(Imagem: banco de imagens Google)
