Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Texto de Lígia Guerra

Saudade é uma das palavras mais presentes nas poesias de amor da língua portuguesa e também na música popular, “saudade”, só conhecida em galego-português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor. A palavra vem do latim “solitas, solitatis” (solidão), na forma arcaica de “soedade, soidade e suidade” e sob influência de “saúde” e “saudar.”
Esse sentimento embora bastante triste tem uma beleza única, pois só o possui quem ama ou amou muito alguém… Quem amou de maneira especial uma fase da sua da vida… Quem deixou a sua terra para trás… Sempre que a saudade invade a minha alma, sinto as suas mãos segurando o meu coração que agitado se debate tentando não agonizar. Sinto as suas mãos impiedosas me revirando por dentro. Ainda assim prefiro senti-la, pois isso prova que vivi e vivo intensamente a minha jornada. Quem não derruba lágrimas, seja de alegria ou de tristeza, quem não se perturba com nada e está acima das próprias emoções, já está morto sem saber. A saudade é um grito de vida, já conheci pessoas que foram resgatadas de suas ilhas emocionais por ela…
Pessoas que se entregaram à depressão, ao desamor e ao isolamento, mas que ao se reconectarem com vida que tiveram um dia, através das saudades, relembraram do quanto foram capazes de amar e de serem felizes! Isso as impulsionou a resgatarem o amor pela própria existência. Quantos filmes, livros e poemas são narrados pelas lembranças? O que seriam dessas obras se a história contada não fosse embalada pela saudade? A minha saudade terna, triste, feliz e doce sussurra aos meus ouvidos… E em segredo confessa: “Tudo está valendo a pena… Agora é hora de olhar para frente e seguir adiante… Pois logo ali, daqui a pouquinho… Você também estará com saudades desse momento…” E suavemente se despede até o nosso próximo encontro…
Texto de Franciane Costa – Coragem chegou atrasada

Eu queria ter acreditado no seu amor.
Eu deveria ter me jogado naquela aventura, mesmo sabendo que tudo seria uma loucura desmedida.
Agora enxergo que poderia ter dado certo, nós poderíamos ter sido muito felizes, mas infelizmente esse meu bom senso trouxa resolveu falar mais alto, ele me convenceu a ficar.
Ontem recebi tua carta, confesso que foi uma surpresa, levando em conta o modo como saíste da minha vida.
Chegou um pouco atrasada e esta que agora tento te escrever, talvez nem chegue nas tuas mãos. É uma pena, pois queria te confessar, uma confissão quase calada, que eu pensei em ir contigo.
Acredite, eu pensei em largar tudo e ir ser feliz.
Talvez esses que cruzam meu caminho tenham mesmo razão, devo ser meio louca, ter uns parafusos a menos, mal sabem eles que na verdade eu tenho é alguns medos a mais e a coragem… essa agora está atracando nesse porto.
Queria tanto que você voltasse, que sentasse do meu lado e me oferecesse um lugar na sua vida. Eu não pensaria nem no cachorro que não tenho.
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Mia Couto – Da saudade e da urgência

Ama-me,
agora
antes que a palavra chegue.
Toca-me
antes que haja mundo,
Beija-me
antes que comece o beijo.
Despe-me
para que eu esqueça ter corpo.
Devolve-me
o reino onde fui deus.
Ama-me
até não sermos dois.
Ama-me.
E tudo será depois.
Construindo a saudade (Memória)

A saudade paira no ar como paina depois da florada. Cada um carrega em si suas próprias saudades. Mas o caminho para as possuir é igual para todos – temos de construir as memórias para então surgir a saudade.
Plantamos uma árvore e dela cuidamos com dedicação. Um dia ela amanhecerá florida inundando nossos olhos com tanta beleza. As flores cairão, mas na nossa mente, para sempre, ficará a lembrança da explosão de beleza que nossa árvore nos proporcionou.
Assim é a saudade. Ela só surge depois que fomos felizes. Depois que uma paixão explodiu no peito. Que um amor ardente foi vivido. Não há saudade do triste, do luto, da infelicidade. A saudade fica do que nos tocou no campo das emoções, como cordas de violinos, tirando os sons mais celestiais.
E ainda tem de haver distância. Não temos saudade do que nem de quem está próximo. Precisamos que um tempo se passe desde que tudo aconteceu para que surja a saudade. Precisamos que as pessoas amadas se afastem e se distanciem para então sentirmos saudade.
Feliz de quem tem saudade. Feliz de quem tem do que ter saudade.
(Imagem: foto de Maria Alice)
Texto de Marcia Eli – Sou feita um pouco de tudo

Sou feita um pouco de tudo!
De pessoas! De lugares! De memórias!
Sou feita do que deixei para trás e sou feita do que vivo no agora!
Sou feita de gente que chegou sem avisar e me encantou!
Sou feita de gente que escolheu ir embora, quando eu precisei que ficasse!
Sou feita de atitudes, porque as palavras já não me convencem.
Sou feita de dores, que transformei em risos e sou feita de gargalhadas que escondem as cicatrizes...
Não esqueço por onde passei, com quem cruzei...
Não esqueço de quem era e de quem sou!
Não esqueço de quem me deu a mão...
E também não esqueço de quem a largou...
Não tenho a pretensão nem a presunção de que todos gostem de mim!
Só quero os meus... As minhas pessoas!
As que me fazem sorrir, as que me aquecem a alma e amaciam o meu coração...
O que deixas no passado, é sempre o que te transforma... É sempre o que te molda...
Não esqueço, mas já não vivo lá!
Passou! Mudou-me! Transformou-me!
Deixou-me mais alerta! Mais esperta!
Quando olho para trás... Agradeço! Pelo bom! Pelo mau! Pelos risos! Pelas lágrimas! Pelas lutas e pelas conquistas! Por quem gosto!
E, Principalmente... por mim!
(Imagem: do acervo pessoal da autora)