Autor: Maria Alice Ferreira da Rosa
Dia de poesia – Pedro Peres – Entre suspiros

Com meu bebé no colo,
um suspiro suave dança entre nós,
enquanto o sol derrama sua luz pela janela,
espalhando dourado pelos cabelos dele,
pelo meu peito que acolhe.
Este é o momento em que o mundo
se reduz ao pulsar delicado,
ao calor das suas mãos pequeninas,
dedos que se abrem e fecham,
como um segredo contado em gestos.
Na minha pele, sinto o pulsar da vida,
pequenas batidas, um ritmo que segue,
sereno, quase mudo, mas tão forte,
forte como a raiz de uma árvore
que cresce sem pressa, mas com certeza.
Ele é um botão, um início,
uma promessa feita ao futuro
que guardo junto ao meu peito,
com todo o cuidado de quem
acaricia a pétala mais frágil.
E há uma música que nasce,
não no silêncio, mas na respiração,
no ar que entra e sai,
como um mar que vai e volta,
e nos carrega em ondas suaves,
levando-nos para longe de tudo
que não seja este momento,
onde o amor flutua entre nós,
leve como o sopro de uma brisa
que beija as folhas ao cair da tarde.
No balanço do meu corpo,
ele encontra o seu lar,
no meu olhar, ele descansa,
e eu vejo nele, tão pequeno,
um universo inteiro,
feito de possibilidades,
de sonhos ainda não sonhados,
mas que já se entrelaçam
no ar que compartilhamos,
numa dança lenta,
uma melodia feita de nós.
Com meu bebé no colo,
o mundo fica mais simples,
mais certo, mais belo.
E no sussurro do seu sono,
eu ouço a promessa de amanhã,
uma esperança que cresce,
na doçura do presente,
na ternura deste instante,
onde só existimos nós dois,
e a vida, que começa agora.
Meu avô, hoje saudade…
Ele era exatamente assim. E tudo o que falava se aproveitava mais do que a laranja que tão cuidadosamente descascava sem perder uma gota do suco… deixou saudade, sem dúvida, mas deixou tantos ensinamentos, que a sensação é de que ainda está aqui, orientando, explicando, mostrando o rumo… quanta saudade do meu avô…
(recebi essa mensagem, e, ao lê-la, “enxerguei” meu avô, na “varandona” do sítio, rodeado pelos netos, ou apenas comigo e minha avó… não resisti e publiquei).

Dia de poesia – Fernanda Junqueira – Ponte

Saudade é ponte afetiva
aludindo a incompletude geográfica
daqueles que se escolheram fronteiras.
Estamos fragmentados,
como ilhas de um arquipélago,
atravessados por um rio
de caudalosas lembranças.
Pela ponte da saudade
transita o tempo áureo
da nossa história,
os senãos e os contudos que contam da gente
na ternura lenta das horas.
Nossos extremos não se tocam,
nossas pontas não se unem,
somos dois pilares
da mesma ponte
interligados pela saudade
que se infinita no horizonte.
(Imagem: banco de imagens Google)
Momento Jenário

E eu tive que aceitar – Silvia Schmidt

Que eu não sei nada sobre o tempo.
que é um mistério para mim
e que eu não compreendo a eternidade.
Eu tive que aceitar que meu corpo
Não seria imortal que ele envelhecesse.
e um dia acabaria.
Que somos feitos de
memórias e esquecimentos;
desejos, memórias,
resíduos, ruídos,
sussurros, silêncios
dias e noites,
pequenas histórias
e detalhes subtis.
Tive que aceitar isso
Tudo é passageiro e transitório.
E tive que aceitar
que eu vim ao mundo
para fazer algo por ele,
para tentar dar
O melhor de mim, para deixar
vestígios positivos dos meus passos
antes de partir.
Eu tive que aceitar
que meus pais
não durariam para sempre.
e que meus filhos
pouco a pouco
escolheriam seu caminho
e seguiriam o seu caminho sem mim.
E tive que aceitar
que eles, não eram meus, como eu pensava.
e que a liberdade de ir e vir
é também um direito seu.
Eu tive que aceitar
que todos os meus bens
foram-me confiados em empréstimo,
que não me pertenciam
E eles eram tão fugazes.
como era fugaz
minha própria existência na Terra.
E eu tive que aceitar isso
os bens ficariam
para uso de outras pessoas
quando eu não estiver mais por aqui.
Eu tive que aceitar
do que varrer minha calçada todos os dias
não me dava garantia
que era propriedade minha
e que varrer com tanta consistência
Era apenas uma ilusão subtil de possuí-la.
Eu tive que aceitar
do que eu chamava de "minha casa"
era apenas um telhado temporário.
que um dia a mais, um dia a menos
seria o casaco terreno de outra família.
E eu tive que aceitar isso
meu apego às coisas,
só faria mais dolorosa
minha despedida e minha partida.
Eu tive que aceitar
do que os animais que eu quero
e as árvores que plantei,
minhas flores e meus pássaros eram mortais.
Eles não me pertenciam.
Foi difícil, mas tive que aceitar.
Eu tive que aceitar
minhas fragilidades,
minhas limitações e
minha condição
de ser mortal,
de ser efêmero.
Eu tive que aceitar
que a vida continuaria sem mim
e como isso depois de um tempo
me esqueceriam.
Humildemente confesso
que eu tive que livrar
muitas batalhas
para aceitá-lo.
E eu tive que aceitar isso
não sei nada sobre o tempo
que é um mistério para mim
Que eu não compreendo a eternidade
e que nada sabemos sobre ela
Tantas palavras escritas
tanta necessidade de
explicar, entender e
compreender este mundo
e a vida que nele vivemos!
Mas eu desisti e aceitei
o que eu tinha que aceitar
e assim parei de sofrer.
Joguei fora meu orgulho e
minha prepotência e admiti que,
A natureza trata todo mundo
da mesma forma,
favoritismos do pecado.
Eu tive que me desarmar
e abrir meus braços para
reconhecer a vida como ela é
Reconhecer que
tudo é transitório
e que funciona
enquanto estamos
aqui na Terra.
Isso me fez refletir!
e aceitar e assim alcançar
a paz tão sonhada!