Poesia da casa – Minhas dores

As minhas dores são tantas…

São dores que estão seladas:

As dores do corpo são chagas,

Da alma são mágoas passadas.

 

Diante da dor sinto medo

Mas me mantenho serena;

A dor me torna tão frágil,

O medo me faz tão pequena.

 

Sempre juntas nessa vida,

Das dores não me separo,

Assim eu vou caminhando:

 

Com minhas dores vivendo,

Eu, minhas dores cantando,

Em mim, minhas dores doendo…

Pressa

Hoje, apressada, vou postar um poema de Ronaldo Cunha Lima. Todos sabem que foi político paraibano. Mas, além de político, foi advogado, promotor de justiça, professor e um grande poeta:

Quando meus filhos disserem a meus netos

o quanto eu os amava

e quando meus netos disserem a meus filhos

que  guardam lembranças minhas

e de mim sentem saudade,

não terei morrido nunca,

serei eternidade.

 

E ainda:

 

Eu amo uma mulher que não existe.
Mas a vejo sempre,
conversamos muito
e lhe quero bem.
Tem muitas faces,
não sei seu nome
e, se nome tem.
Só sei que quando
eu estou triste,
ela então existe
e de repente vem
confortar-me a alma,
trazer-me calma
e me fazer bem.
E a quem me indaga:
– Que forma vaga
de amar alguém?
Eu nada escondo
e então respondo
como convém:
– É meu coração,
na solidão,
sem ter ninguém.

 

Saudade

Saudade … ecos do passado

Ouvir a voz de quem já não está

Sentir os braços que já não abraçam

Buscar uma presença na ausência

Aquecer com o frio e se queimar

Morrer por dentro e querer viver

Viver doendo e querer morrer

Tudo é finito, como o é a própria vida

E chega o momento em que desmorona

Nada do que era ainda existe

Sons desconhecidos, outras luzes

O momento em que devemos

Desmontar a paixão e recolher

As flores que deixamos nos caminhos

Guardar tantos sonhos e desfazer os planos

Abafar as brasas ainda vivas que teimam

Em inundar de encanto um coração

E então cuidadosamente espalhar sobre elas

As cinzas frias do esquecimento 

Dia de poesia – Silvana Duboc – Me encante

Trago, hoje, a poesia de Silvana Duboc, que tanto me encantou:

Me encante com uma certa calma
Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…

Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com a sua primeira namorada…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou em baixo da chuva….

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!!!”.
(Silvana Duboc)

 

Cortar o tempo

 
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-o funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente….

…Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.

Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que a sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas outras coisas.
Mas nada seria suficiente…

Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!!

(Carlos Drummond de Andrade)

Poesia da casa – Quem foi?

Quem foi, me diz, quem foi

Que abriu o meu sorriso e iluminou o meu olhar?

Que trouxe tanta alegria, tanta fantasia e desenhou

Um futuro nessa minha vida, sempre triste e apagada?

Quem foi, me diz, quem foi

Que desmanchou meu penteado, bagunçou meu coração

Esparramou meus sentimentos, amassou os meus lençóis

Abriu as janelas do futuro e me mostrou um novo mundo?

Quem foi, me diz, quem foi

Que pegou na minha mão e me levou por tantos caminhos

Mergulhou comigo nos rios e juntos voamos entre as nuvens

Dançou comigo nas praças e me ensinou trilhar novos atalhos?

Quem foi, me diz, quem foi

Que um dia simplesmente partiu e me deixou,

Que apagou o brilho dos meus olhos

Pisoteou meus sonhos de menina e quebrou o encanto da minha paixão

Destruiu meu mundo feito de amor e cristal e me abandonou?

Quem foi, me diz, quem foi?