Dia de Poesia – Roberto Ferrari – Apaixonados

Somos dois loucos apaixonados
Vivendo em nosso mundo de amor,
Longe dos percalços da vida…
Como se fôssemos para o nosso paraíso
Onde o cantar dos pássaros e o murmurinho da cascata nos fazem companhia.
Beijos e carícias
Tomados de amor.
Nada importa,
O que importa é essa vontade
De ficarmos juntos,
Onde só o tempo nos persegue,
E nosso único refugio são as estrelas e a lua
Testemunham nossa paixão;
Paixão que aflora em nossa pele
E só temos ouvidos para as juras de amor,
E pensamentos de ficarmos eternamente juntos
Nesse paraíso encantado,
Onde as ondas da paixão
Vem e ficam,
Porque somos dois loucos…
APAIXONADOS!!!
Amo-te para todo sempre!!!

Dia de Poesia – Miguel Torga – Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos

Destes anos de vida que passaram;

Nos meus versos ficaram

Imagens que são máscaras anónimas

Do teu rosto proibido;

A fome insatisfeita que senti

Era de ti,

Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,

Conto as desilusões no rol do coração,

Recordo o pesadelo dos desejos,

Olho o deserto humano desolado,

E pergunto porquê, por que razão

Nas dunas do teu peito o vento passa

Sem tropeçar na graça

Do mais leve sinal da minha mão… 

 

Dia de poesia – Antonio Ramos Rosa – Não posso adiar

(…)

Não posso adiar este abraço

que é uma arma de dois gumes

amor e ódio

Não posso adiar

ainda que a noite pese séculos sobre as costas

e a aurora indecisa demore

não posso adiar para outro século a minha vida

nem o meu amor

nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.»

Dia de Poesia – Mario Quintana – A rua dos cataventos

Da primeira vez em que me assassinaram

Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.

Depois, a cada vez que me mataram

Foram levando qualquer coisa minha.

 

 Hoje, dos meus cadáveres eu sou

O mais desnudo, o que não tem mais nada.

Arde um todo de vela amarelada,

Como único bem que me ficou.

 

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!

Pois dessa mão avaramente adunca

Não haverão de arrancar a luz sagrada!

 

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!

Que a luz trêmula e triste como um ai,

A luz de morto não se apaga nunca!

Dia de poesia – David Mourão Ferreira – E por vezes

 

 

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos    E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites – não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

Quando

Foi quando eu chorei que pude, através das lágrimas,

enxergar mais claramente as ruínas de nós dois:

Foi quando eu tentei engolir em seco que as palavras

não ditas mais me fizeram engasgar e responder;

Foi quando eu busquei seu abraço e você já havia

partido que meus braços mais estreitamente se encontraram;

Foi quando eu precisei de um carinho que não existiu que

minhas mãos mais ternura quiseram levar até você;

Foi quando eu quase desisti de tudo que mais alto

minha vida gritou que ela valia a pena ser vivida;

Foi quando meu corpo vacilou no vazio da separação

que não mais encontrou o aconchego do seu corpo;

Foi, então, através da cortina de lágrimas que me turvavam

a vista, que pude ver que havia sido abandonada…