Cascata

Quadro Cachoeira Chuvisqueiro Riozinho Paisagem Decoração - R$ 180 ...

Nascido em uma pequenina fonte,

O pequeno fio d’água se libertou

E seguiu seu caminho de liberdade,

em busca de um mundo desconhecido

sonhando a grande vida que teria.

Juntou-se a outros pequenos e iguais

Tornou-se forte, líder poderoso.

Chegando na ponta de um penhasco

Não temendo a queda, atirou-se

E desceu formando linda cachoeira

Enquanto brilhava na vertiginosa descida

Sentiu-se grande, feliz, realizado

Mas tragado no grande rio que havia

Ao pé da cascata de prata e espumas

Não sobreviveu para realizar

Seus sonhos dourados de grandeza.

Pois seu destino não era ser grande

Mas apenas correr sobre os montes

E morrer em sua gloriosa queda…

Sobreviver

A Árvore da Vida

Não, eu não morri.

Mesmo que tenha desejado morrer quando te perdi

Ainda que tenha perdido a vontade de continuar a viver,

Eu não morri.

No momento em que todas as forças me faltaram

E eu me entreguei à fatalidade do destino

Como a ave que voa, não por necessidade

Mas pelo simples prazer de voar.

Como a árvore que cresce, não por querer ser grande

Mas apenas por ser seu destino crescer

Eu deixei de lutar. Eu deixei de ser eu.

Mas não morri.

A tenacidade da vida é mais forte que a vontade

E faz com que se continue vivo por fora

Mesmo estando, assim como eu, morta por dentro.

Dia de Poesia – Walter Duarte – Mas…

Fosse a vida só de flores,

viesse quem se queria,

não existiriam dores,

… não haveria poesia

 

Sempre fosse o agora,

e eterna a felicidade,

ninguém mais iria embora,

… não haveria saudade.

 

Ânsia? Nada, nem um pouco,

a alma feliz, completa,

sem vazios ou sonhos loucos,

… não haveria poeta

 

Vida sem fim, permanente,

Chama eterna de calor,

Todos seriam sementes,

… não se morria de amor

 

Se eu nadasse em mar de rosas,

sem os espinhos reversos,

eu seria todo prosa,

… não haveria estes versos

De amar

 

Naquele Segundo.: AMAR TE FAZ MAIS AMAR 09/01/2019

Seus olhos me atraem e meus olhos procuram os seus

Seus carinhos me cativam e despertam todas as sensações

Sua voz me chama docemente e eu vou até você

Sua boca me cala em um beijo intenso, sem fim

Seus braços me enlaçam, me prendem, acorrentam

Seu corpo me possui com tanta paixão e eu correspondo

Sua sede de vida me encanta, por isso amo tanto você.

E me sinto amada, esperada, desejada e querida.

Paixão, encanto, feitiço, desejo, loucura… não sei…

Meu sentimento não tem rótulo, não precisa de nome

Basta-me que exista. Esteja vivo. Tire meu chão e me dê asas

Eu sinto. Sou feliz. E isso é o que importa: simplesmente

Amar e ser amada. Plenamente. Nada mais. Nada menos.

Dia de poesia – Hilda Hilst – Tenta-me de novo

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

Por que?

Se não era para ficares, por que chegaste tão cedo?

Se era para partires, por que vieste um dia?

Igual uma chuva, tão desejada, mas que não dura,

Porque vem o sol que apaga todos os sinais

Ou um céu estrelado por mais lindo e admirado,

Vem o amanhecer, o dia que a faz desaparecer

Se era para acabar e causar tanta dor, por que começou?

Se era para caíres em seguida, por que alçaste esse voo?

Da mesma forma que as marcas deixadas na areia

São em seguida desfeitas pelas ondas do mar

E os frutos, tão caprichosamente concebidos na natureza

São derrubados e destruídos pelo vento insensível

Se não pretendias amar, por que o juraste em falso?

Se não era para ser amor, por que surgiu esta paixão?

Como nuvens formando as mais lindas figuras

Que não permanecem, somem à primeira brisa?

Tudo que temos são as brancas espumas do mar

Que se desfazem quando se deitam em sua amada areia

Se não era para beijares, por que me deste este abraço?

Se não pretendias me levar, por que me chamaste?