Do meio da mata vem um chamado
O canto fantástico do peito-de-aço
Que não se confunde nem nunca se cala
Mas chama de longe, atravessa o espaço
O canto fantástico do peito-de-aço
Que canta distante seu canto de mata
Mas chama de longe, atravessa o espaço
Não é só um canto, é uma bravata
Que canta distante seu canto de mata
Junto da companheira, não mostra cansaço
Não é só um canto, é uma bravata
Que só canta livre, não canta no laço
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Para pensar 59

Hoje, 21 de março – Dia Mundial da Poesia
Oração à Poesia

Que a poesia esteja entre nós em todos os momentos
E venha até nós em cada dia que se inicia
Entre em nossa casa e dela faça sua eterna morada
Seja o som do canto do pássaro no alvorecer
Esteja entre as folhas das árvores onde o vento em brincar
Se mostre no azul do céu e nas nuvens de algodão
E na cor de cada pétala de flor que se abre nas manhãs
Esquente a Terra desde o amanhecer como se fosse o sol
E fulgure depois do anoitecer junto com o claro luar
Seja a bebida em cada copo que se ergue para um brinde
Apareça no brilho dos olhos dos apaixonados
E possa amainar a dor no coração dos abandonados
Adoce a lágrima dos que choram por amor
Acalme o coração dos que sofrem por desesperança
Venha em palavras para ajudar os que querem se declarar
Cole as mãos dos que seguem juntos pela vida
Vele o sono e filtre os sonhos de todos que adormecem
Cure as feridas nas almas lanhadas pela tristeza
Seja a música que leva alegria aos que amam
E traga o canto na voz dos alegram a existência
Nunca falte nas noites frias, chuvosas e solitárias
Que a poesia desça sobre nós e permaneça para sempre. Amém.
(Imagem: banco de imagens Google)
Neblina

Por um momento ela o encarou
Como se ainda estivessem vivos
Viu o mesmo olhar, a mesma intensidade
Mas era tarde demais, o tempo deles se fora
Levantou-se em meio à névoa que se formara
E viu tudo sumir diante de si, se esvaindo na neblina
Agora já estavam definitivamente mortos
Morreram há muito tempo um para o outro
Na distância, na ausência, no abandono
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Mario Quintana – Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
(Imagem: banco de imagens Google)
Pontas em laços

Não prenda, não aperte e não sufoque. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço. (Mário Quintana)
Quantos laços buscamos, desejamos, sonhamos, cavamos nesta caminhada finita… porque somos apenas uma ponta, precisamos encontrar nosso outro lado e dar a laçada do carinho, do amor, da coexistência. Na família, nos amigos, nos amores… e queremos conseguir completar o laço da paixão.
Porém não é fácil, no meio de tantos caminhos paralelos, perpendiculares, cruzados, interrompidos, achar onde está nossa outra ponta. Quantas vezes nos enganamos e tentamos dar um laço com a ponta errada e fazemos confusão, porque a ponta não é nossa, há uma outra ponta nesse embaraço.
Até que um dia cismamos que encontramos nossa ponta. E vamos, aos poucos, chegando nela, tentando laçar, e ela foge, escorrega, desaparece, se mistura com outras pontas, deixamos de ter a certeza de que é a nossa.
Se puxarmos, ela grita que está sufocada.
E não é isso que queremos. Porque também não gostamos quando somos sufocados.
Deixamos correr mais frouxo, damos todos os espaços, sem perdê-la de vista. Vemos quando se enlaça em outras pontas, que não a nossa.
Muitas vezes nos encolhemos, enrolando-nos em nós mesmos, como um bicho ferido que se enrola em si próprio, tentando desistir, mas descobrimos que só conseguiremos ser laço se tocarmos a outra ponta.
Então insistimos. Um dia, por cansaço, desilusão, desesperança, algum motivo não revelado, ela se entrega. E nos enlaçamos. Suavemente, lindamente, como deve ser um laço.
Com todo o cuidado, para não virarmos um nó.
(Imagem: banco de imagens Google)