9 de julho

Hoje é nove de julho – data que tem dois significados para mim. Um cívico, de muito de orgulho. E outro de encantamento e paixão eternas

9 de julho. Alguns conhecem essa data pelas ruas e avenidas assim nomeadas em diversas cidades do Estado de São Paulo.

Mas a razão nem todos conhecem. Em 1932 o povo paulista se levantou contra o desmando e a ditadura, exigindo que fosse promulgada uma Constituição para o país. O símbolo dessa revolução armada – M.M.D.C. inicial dos nomes dos mártires do Movimento Constitucionalista de 1932 – refere-se aos quatro primeiro mortos por tropas ligadas ao governo federal, na cidade de São Paulo: Martin, Miragaia, Dráusio e Camargo, cujos corpos repousam no Mausoléu dos Heróis de 32, localizado no Obelisco do Ibirapuera.

O Mausoléu:

O Obelisco:

 

 

A simples leitura de uma frase em homenagem aos mortos, inscrita em uma das faces do Obelisco, causa profunda emoção:

“Viveram pouco para morrer bem
morreram jovens para viver sempre.”

Conheci alguns combatentes. Nossos verdadeiros Heróis!

Quanto à Bandeira que simboliza São Paulo e tanto orgulho nos causa:

De acordo com sites oficiais: A bandeira do estado de São Paulo, juntamente com o brasão e o hino, constituem os símbolos oficiais do estado de São Paulo, no Brasil.[nota 1]

Idealizada pelo filólogo e escritor Júlio Ribeiro em 1888, tinha como objetivo servir de bandeira ao regime republicano, que fora efetivamente proclamado em 15 de novembro do ano seguinte. Para materializar graficamente sua ideia, Júlio Ribeiro convidou seu cunhado Amador Amaral, gráfico e artista plástico que desenvolveu o layout da bandeira paulista.

A bandeira possui treze listras variando entre branco e preto que representam os dias e as noites em que os bandeirantes exploraram o interior do país. O pavilhão possui um retângulo vermelho na horizontal, que representa o sangue derramado pelos bandeirantes, alinhado no topo à esquerda, tendo dentro um círculo de fundo branco e o mapa do Brasil em azul, sendo o azul a cor da pujança. Há também quatro estrelas amarelas na parte interna dos quatro cantos do retângulo.

O pavilhão tornou-se de fato símbolo paulista a partir da Revolução Constitucionalista de 1932, mas que só foi oficializada em 27 de novembro de 1946, sob o Decreto-Lei estadual nº16.349, com base no parágrafo único do Art.195 da Constituição Federal de 1946, que devolveu aos estados e municípios o direito de cultivar símbolos próprios.

 

A Revolução Constitucionalista, data máxima dos Paulistas, engrandeceu nossa Bandeira, deu-lhe a dimensão do orgulho de um povo.

 

 

E o grande poeta paulista – ele, também, um combatente, que entrou para a História como “o poeta da Revolução”, cujos restos mortais estão no Mausoléu do Ibirapuera junto de outros heróis – Guilherme de Almeida, dedicou-lhe o mais belos poema que poderia ser escrito para um símbolo:

NOSSA BANDEIRA

Bandeira da minha terra,

Bandeira das treze listas:

São treze lanças de guerra

Cercando o chão dos paulistas!

 

Prece alternada, responso

Entre a cor branca e a cor preta:

Velas de Martim Afonso,

Sotaina do Padre Anchieta!

 

Bandeira de Bandeirantes,

Branca e rôta de tal sorte,

Que entre os rasgões tremulantes,

Mostrou as sombras da morte.

 

Riscos negros sobre a prata:

São como o rastro sombrio,

Que na água deixara a chata

Das Monções subido o rio.

 

Página branca-pautada

Por Deus numa hora suprema,

Para que, um dia, uma espada

Sobre ela escrevesse um poema:

 

Poema do nosso orgulho

(Eu vibro quando me lembro)

Que vai de nove de julho

A vinte e oito de setembro!

 

Mapa da pátria guerreira

Traçado pela vitória:

Cada lista é uma trincheira;

Cada trincheira é uma glória!

 

Tiras retas, firmes: quando

O inimigo surge à frente,

São barras de aço guardando

Nossa terra e nossa gente.

 

São os dois rápidos brilhos

Do trem de ferro que passa:

Faixa negra dos seus trilhos

Faixa branca da fumaça.

 

Fuligem das oficinas;

Cal que a cidades empoa;

Fumo negro das usinas

Estirado na garoa!

 

Linhas que avançam; há nelas,

Correndo num mesmo fito,

O impulso das paralelas

Que procuram o infinito.

 

Desfile de operários;

É o cafezal alinhado;

São filas de voluntários;

São sulcos do nosso arado!

 

Bandeira que é o nosso espelho!

Bandeira que é a nossa pista!

Que traz, no topo vermelho,

O Coração do Paulista!

São Paulo é minha Pátria, não apenas o Estado onde nasci.

 

 

 

 

 

Por outro lado, também é a data de morte do poeta Vinicius de Moraes. Escritor, poeta, cronista, compositor, dramaturgo, diplomata, ele era tudo e mais um pouco! Hoje são 39 anos de sua morte.

São dele os sonetos mais românticos do século XX escrito em língua portuguesa.

Poemas, canções, Vinicius marcou minha geração, com encontros com universitários, com ideias cativantes, com seu jeito carismático de ser e de viver.

Sou profunda e eternamente apaixonada por sua obra. Leio, releio e volto a ler. Porque Vinicius, chamado Poetinha, foi e sempre será o nosso Grande e Maior Poetinha.

Uma pequena amostra:

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

 

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

 

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

 

Somos apenas peças

 

 

Às vezes é tão difícil escrever! Não falta vontade nem inspiração, mas não há tempo para ir até o computador.

O tempo é curto, os afazeres são muitos. Problemas a resolver, contas a pagar.

A cada dia parece que as horas encolhem.  A cabeça não descansa, o corpo se cansa.

E um novo amanhecer, um novo anoitecer e nada muda.

Por que temos de dar conta de tanta coisa?

Por que não posso, simplesmente, me sentar na varanda e apenas olhar o céu? sem pensar, sem ler notícias, sem ter absolutamente nada mais para fazer?

Somos peças de uma grande engrenagem chamada realidade. Apenas os dentes das correias e das rodas dentadas. Que, caso falhem ou não se encaixem perfeitamente, tudo se arrebenta. E, na verdade, se não estivermos mais aqui, não faremos falta. Outra peça será colocada para nos substituir, porque, temos de reconhecer, o que importa, é que a máquina funcione perfeitamente, e não os componentes que a fazem funcionar.

Vou pular a fogueira, e você?

Eu pedi numa oração / Ao querido São João

Que me desse um matrimonio / São João disse que não

São João disse que não / Isto é lá com Santo Antônio …

E junho chegou. 

Festa para todo lado. No fundo o brasileiro gosta mesmo é dessas festas populares, quermesse na praça da Matriz, tudo genuíno, tudo de uma singeleza histórica ímpar. 

Penso que todos conhecem essas típicas festas juninas, homenageando os três santos do mês: primeiro o casamenteiro Santo Antonio, que abre as festas no dia 13; depois São João, com a noite mais longa do ano, no dia 24 e finalmente vem São Pedro, no dia 29, fechando o mês e as festas com suas chaves.

Para quem é, mora, foi ou morou na roça, tudo isso tem um sabor especial. 

Lá na roça a festa começa bem antes. 

Escolhe-se o local, o terreno é aplainado – sem dança não é festa junina. 

Faz-se o buraco da fogueira, que fogueira que se preza, fogueira de verdade não é do chão para cima, ela começa a ser montada lá no fundo e é de dentro do buraco que sai que sai a armação que sustentará o fogo. 

Estende-se o oleado – a não ser que já exista um bom barracão, daqueles de guardar tratores e máquinas, que então é desocupado e varrido, e nesse lugar ficará a mesa. 

Não é uma mesa. Nem uma mesinha. 

É uma respeitável mesa, compridíssima – geralmente uns quatro metros pelo menos, e é feita com pranchas de madeira sobre cavaletes, num improviso que se repete em todas as festas. 

Cadeiras ao redor, algumas mesas de apoio, tudo simples, tudo bonito, enfeitado com flores e ramos, sem maiores gastos. 

As lâmpadas – ou lamparinas de querosene, depende das instalações, são providenciadas. 

O mastro. 

A madeira para a fogueira é cortada e durante algum tempo os homens terão uma folga. A não se que queiram montar balões. 

As crianças recebem a tarefa de recortar e colar no barbante milhares de bandeirinhas coloridas, que depois os homens estenderão e pregarão sobre o local da festa.

 As mulheres, na cozinha, preparam a comida. E que comida! E que fartura! 

Um bom caldo – de preferência uma canja feita com o galo velho do terreiro, porque o frio é intenso. 

E além de bolachinhas diversas, pé-de-moleque, paçoca, cuscuz, milho assado, frangos (que nunca faltam na roça), arroz-doce, canjica, curau, pipoca, pamonha, bolo de milho, amendoim torrado, maçã caramelizada – a deliciosa maçã do amor, pinhão e, o que não pode faltar, o quentão, e, modernidade, o vinho quente com especiarias. 

As roupas são preparadas com todo o cuidado. 

A fogueira é acesa um pouco antes para estar bonita quando os convidados chegarem. 

E chega a festa. A vizinhança vai chegando, muitos pratos são trazidos para aumentarem a fartura à mesa, casais vão se formando e outros, já vem formados, a maioria se separa: homens para um lado, conversando assuntos da roça e mulheres do outro, trocando receitas e olhando as crianças. 

A festa começa com a reza do terço – geralmente o padre já está no local, de batina e tudo. 

Depois o mastro é levantado. Começa a diversão. O Santo do dia é homenageado. 

E então entra em cena o sanfoneiro. Não existe festa junina sem sanfoneiro. Podem inventar televisão, vídeo-cassete, DVD, vitrola, toca-discos, CD Player, Home Theater, nada anima uma autêntica festa junina. Mas, no primeiro chorado do acordeom, o sanfoneiro põe fogo no recinto. 

As músicas – ainda que sempre as mesmas, divertem e todos conhecem as letras. 

Muitas vezes tem o casamento, geralmente o noivo só entra no recinto depois da noiva e com o pai e os irmãos desta armados com espingardas escoltando o “feliz” nubente. 

Dança-se a quadrilha – arremedo dos minuetos franceses de outros séculos, porém mais divertida. 

É balão subindo, é criança correndo com bombinhas para se assustarem na brincadeira, é rojão quase derrubando os dorminhocos das cadeiras. 

No final tem padre dançando, idosos cantando, todos se divertindo numa confraternização saudável e tradicional. 

Nestas ocasiões fica mais que comprovado que alegria é contagiante. 

E, depois de bastante quentão servido, tem outra diversão: pular a fogueira. Em criança eu ficava apavorada ao ver os homens dando a corridinha e saltando por sobre o fogo. 

Depois de grande, quando talvez até arriscasse eu mesma pular uma fogueira, não tem mais fogueira de São João, nem de São Pedro, nem de Santo Antonio. 

Mas um dia – quem sabe – encontro os três juntos lá para onde eu for, e aí pularei quantas fogueiras quiser.

 

 

Da alegria

Hoje é domingo.

Mais – ou menos – um domingo na nossa vida.

Não importa, sendo mais ou sendo menos, temos de vivê-lo. Ou superá-lo. Enfrentá-lo. Com alegria.

Meu avô sempre destacou a alegria. Que devíamos por alegria em tudo o que fizéssemos.

Levei muito tempo para entender sua lição. Talvez só tenha absorvido completamente essas palavras depois de sua morte, em dos dias mais tristes que vivi, e que deixou um vazio imenso – onde mais tantas lições, tanta sensibilidade para falar sobre a vida, sobre a tristeza, sobre a superação, sobre tudo o que nos torna mais humanos?

Mas, sempre guiada em suas palavras, toquei minha vida nesses quase 35 anos órfã de meu avô  “… A casa de meu avô… Nunca pensei que ela acabasse! Tudo lá parecia impregnado de eternidade. Recife… Meu avô morto…”, escreveu Manuel Bandeira em Evocação de Recife. E a casa de meu avô também se foi, morta, ficou presa em um passado enroscado no peito e na saudade.

E comecei a pensar muito na palavra “alegria” que ele tanto usava.

E entendi, um dia, como em um flash, o que é a alegria. A alegria que devemos por até mesmo na tristeza que sentimos. A alegria que temos de ter sempre dentro da alma para conseguirmos superar tudo – até mesmo a depressão.

Porque alegria não é rir do palhaço no circo.

Alegria não é a felicidade de ver o nascimento de mais um filho/neto/sobrinho…

Alegria não é o abraço de amor pelo qual tanto ansiamos.

Alegria é o combustível da vida. É sentir que somos. Que podemos. Que conseguiremos.

Alegria é o ingrediente secreto que deve ser posto – com cautela e na dose certa – em cada ato de nossa vida.

Desde abrir os olhos pela manhã com a alegria de ter mais um dia, quanto a alegria de nos despedirmos de quem parte para sempre, pelo que esse alguém foi na nossa vida. A alegria de saber que esses nossos mortos viverão para sempre dentro de nós, com suas palavras, seus ensinamentos, o norte que sempre nos deram.

Alegria de ter um trabalho para executar e, fatigado, mas com alegria, no final do dia encerrar mais uma jornada, pelo que nos foi proporcionado.

Alegria pelos dons que recebemos. Alegria até mesmo na dor, na doença, no desespero, de saber que haverá um amanhã e que tudo isso passará.

Então, em mais – ou menos – um domingo de nossa vida, só desejo que todos tenhamos um dia com muita alegria.

De comidas e de filmes

Qualquer um pode contar o número de sementes em uma maçã. Mas só Deus pode contar o número de maçãs em uma semente. (Robert H.Schuller)

 

Assisti Julie e Julia, filme baseado em duas histórias reais. 

A primeira, Julie Powell, americana, vida desmotivada, decide fazer, em um ano, todas as receitas culinárias do livro de Julia Child – mais de 500, em 365 dias. Não é cozinheira, só quer algo motivacional. Para tanto inicia um blog narrando suas peripécias na empreitada. Faz sucesso. Torna-se escritora.

A segunda, Julia Child, também americana, segue para Paris acompanhando o marido, adido cultural na embaixada. Desmotivada, despatriada, tenta vários cursos até chegar no Cordon Bleu, onde passa apuros mas acaba o curso e ainda escreve um livro de culinária que se torna uma bíblia para as “americanas sem empregada” como ela mesma afirma. 

                                             

Meryl Streep faz a Julia Child. Não com a maestria habitual.

Talvez tenha se baseado na pessoa de Julia Child e essa fosse a pessoa de fala afetada e voz fora de tom, não sei. Mas duvido que Meryl Streep errasse tanto ao compor um personagem. Chega a ser irritante. Nada que se compare com Donna, de Mamma Mia, onde sua atuação é um show à parte, suplanta a própria paisagem do filme. 

Também em Simplesmente Complicado Meryl Streep se supera, em uma comédia adulta, leve e interessante. 

Lembro-me de sua atuação em As Pontes de Madison, contracenando com Clint Eastwood, a paixão madura de uma mulher que não passa de uma parede ou uma peça da casa para a família, e, na ausência desta, conhece o ardor de uma paixão proibida e maravilhosa cuja lembrança a sustentará até a morte. É o adultério mais bonito da estória do cinema.

Por outro lado, muitos são os filmes que giram em torno da culinária (Como água para chocolate;  A festa de Babette; Simplesmente complicado; Tempero da vida; A grande noite e muitos outros, sem que seja esquecida a fabulosa omelete de 24 ovos que Marcello Mastroianni prepara para a amada em Os girassóis da Rússia…) 

Mas, voltando ao Julie e Julia, tiro duas conclusões: 

1.- os blogues ainda vão substituir todo o contato humano. Não é preciso mais se conhecer para ter amizade, relacionamento comercial nem nada. Basta entrar num blog e começar a comentá-lo com o autor, e logo se inicial uma amizade, uma intimidade, que talvez em relacionamento pessoal nem acontecesse ou demoraria muito para se chegar lá. 

2.- todos – no caso as mulheres – podem se redescobrir através da culinária. 

Sou suspeita para falar nesse assunto, em razão da minha paixão pela cozinha. 

Mas tenho que confidenciar: cozinhar acalma, relaxa, traz realização. É um desafio compensador, o resultado é eletrizante. 

Já disse que considero a culinária minha alquimia: transformo coisas duras, insossas, feias, mal cheirosas, de aspecto ruim em comidas saudáveis, macias, cheirosas, apetitosas… 

E nada há mais gratificante que presenciar o prazer de quem degusta essas refeições, ver a satisfação – visão-olfato-e-paladar satisfeitos e agradados. 

                

Sejam os sofisticados frutos do mar ou risotos ou uma simples omelete – de origens imemorial. Segundo a Wikipedia, “acredita-se que a omelete surgiu na antiga Pérsia. Ovos batidos eram misturados com ervas picadas, fritos até ficarem firmes, e depois cortados em pedaços, para formar um prato conhecido como ‘kookoo’. Acredita-se que tal receita alcançou a Europa através do Médio Oriente e da África do Norte, onde sofreu adaptações e originou a frittata italiana, a tortilla espanhola e a omelette francesa.

                                                   

Na França, sua criação é atribuída a Annette Poulard, em 1888, no Monte Saint Michel, na Normandia. Ela elaborou uma refeição nutritiva e fácil de preparar para os famintos peregrinos que chegavam ao Santuário de São Miguel. Hoje, na entrada do local, existe o restaurante Mére Poulard.”

Somos da religião que nasceu em torno de uma mesa, na divisão do pão e do vinho. Nossas famílias se reúnem à mesa, para refeições e convivência. Temos a tradição de encontros ao redor de uma mesa.

 

Resumindo, por melhores que sejam os blogues e seus autores e leitores, nada substitui o encontro para degustar uma boa refeição. Principalmente se feita pelos próprios comensais.

(11/07/10 )

 

 

Dia do abraço

 

Recebi, hoje, várias mensagens referentes ao “dia do abraço”.

Eu nem sabia que existia um dia do abraço. Sempre pensei que abraços fossem dados diariamente, gratuitamente, por prazer e com alegria.

Mas, descobri que há um “dia do abraço”…

Há pessoas que eu queria tanto abraçar e delas receber um abraço.

Mas aquele tipo de abraço que envolve, acarinha, aconchega, dá paz e vontade de nunca mais sair dali, de tão gostoso que é.

Pessoas que abraço sempre e gosto de abraçar.

Pessoas que nunca mais abracei, mas tenho muita saudade de abraçar e ser abraçada.

Aquele momento único dentro de um abraço, quando os corações se encontram e batem dentro do mesmo compasso, dizendo um ao outro: “ estou aqui, estou com você; pode contar comigo”.

Sempre achei que o abraço foi uma das maiores descobertas – ou invenções? – da humanidade. Nada é tão confortável quanto um abraço de verdade, dado com emoção.

Só uma coisa me preocupa: pode-se abraçar nos outros dias do ano, ou só hoje?

Anotações de viagem _ Pompeia

11/01/2011 

 

Pompéia! Um sonho de infância conhecer Pompéia e o Vesúvio! 

Valeu a pena sonhar tanto, porque é maravilhoso estar neste lugar. 

Chuvisca, nada que atrapalhe o caminhar pelas ruelas desta cidade tão interessante.       

A erupção foi no ano 79 d.C. e já havia fast foods em Pompéia. 

Importante porto marítimo da época, cidade de comerciantes e tripulações variadas, vendiam comida pronta em lojas. Algumas resistiram ao tempo. Moderno, não? 

           

O curioso é que a lava do vulcão não atingiu a cidade para destruí-la. Apenas a intensa nuvem de cinzas a atingiu e cobriu, matando as pessoas asfixiadas.             

Os corpos permaneceram na posição em que as pessoas estavam, buscando fugir da chuva de cinzas ou ao menos proteger o nariz para conseguir respirar.            

                

 A cinza se solidificou e a cidade permaneceu adormecida – literalmente adormecida sob as cinzas do vulcão.  

No fim do século XVI, ao ser aberto um canal de irrigação no vale do rio Arno, ao escavarem sob o monte Civita foram descobertas algumas construções soterradas. 

Posteriormente no ano de 1748 começaram a investigar o que existiria no local, sob patrocínio do rei Charles de Bourbon, de Nápoles. 

Depois de cerca de quinze anos de investigações chegaram à conclusão que se tratava da lendária Pompéia, que teria existido de verdade. Somente em 1864, sob a batuta do arqueólogo Giuseppe Fiorelli todo o trabalho foi terminado e surgiu a encantadora Pompéia, silenciosa, preservada e trazendo farta história. 

E ali passamos quase um dia, visitando casas – desde as mais simples até a mais suntuosa que está aberta, com seus mosaicos, várias salas e inúmeros dormitórios, uma das únicas da época a possuir dois jardins, o que mostra a opulência de seu proprietário. 

Voltei no tempo, recordando os livros que já li sobre o fim de Pompéia. 

Vi um pouco de seu povo, que morto por asfixia, teve seu espaço vital preservado sob as cinzas, possibilitando fosse o corpo moldado em cera líquida, vários corpos expostos, mostrando a posição em que foram surpreendidos pela morte. 

As pedras das ruas de Pompéia… testemunha de um tempo passado que não voltará.

As placas de ruas com sinais, em razão do afluxo de marinheiros de muitas línguas que ali permaneciam esperando embarque… 

         

E a luminosidade única da cidade que um dia o vulcão, tão lindo, tão imponente e aparentemente inofensivo, pensou conseguir aniquilar…