Texto de Rubem Alves

Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que se as portas das gaiolas estivessem abertas eles voariam. A verdade é o oposto. Os homens preferem as gaiolas ao voo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão as suas vidas.
(Rubem Alves , Religião e Repressão)

Uma jovem senhora de 467 anos

Bandeira Da Cidade De Sao Paulo | MercadoLivre.com.br

São Paulo, minha Terra, Pátria amada

São Paulo para os que aqui nasceram,

Sampa para os que aqui chegaram

Aqui onde tantos se encontram e reencontram

Vivem, sonham, constroem

Onde a riqueza circula sem pudor

E a miséria é mais aguda, mais sofrida

Essa Cidade-Estado-País,

Mãe, pai, madrinha e madrasta

Velha senhora elegante, hippie e maltrapilha

Com braços abertos tenta acolher todos que recebe

São Paulo, com seu organizado trânsito caótico

Escolher o caos e ser feliz por ficar - Sobreviva em São Paulo

Com suas multidões andando pelas calçadas e ruas

Seu calor insuportável em meio a tanto concreto

Suas chuvas torrenciais arrastando a cidade nas noites

E sua hoje rara garoa, que já foi sua maior marca

Museu do Ipiranga | São Paulo Bairros

São Paulo onde a noite é linda

Onde a lua se faz de difícil e pouco se mostra

E há mais luzes na terra do que estrelas no céu

Onde fica a mais Paulista das avenidas

Argilas vermelhas sob a extensa Avenida Paulista | Comunitexto

São Paulo cosmopolita, poliglota, megalópole

Verdadeira Babel de todas as línguas

Centro do universo de todas as religiões

Berço dos que aqui nascem, túmulo dos que aqui vivem

Todos os povos de todas as origens,

Irmanados no amor dessa Terra vencedora,

Para onde todos vêm para serem também vencedores

Catedral da Sé - São Paulo - InfoEscola

São Paulo de onde brota o grito de LIBERDADE!

Local de nascimento dos sonhos de um país vencedor

Ainda hoje ecoam por suas ruas, os gritos

de seu povo que não se dobra nem se escraviza

FOTOS: manifestações deste domingo (16) - fotos em Política - g1

São Paulo, capitã maior do desenvolvimento de um país

São Paulo que respira cultura, exporta conhecimento,

Domina as ciências e se parte em milhares de escolas

A todos ofertando a chance de se fazer maior

Cidade esplêndida, distribui igualmente suas oportunidades

Sem olhar etnia, origem, cor nem estirpe – apenas vê pessoas

Série Avenida Paulista: homenagem à cidade de São Paulo. | Projeto São  Paulo City

E quando finalmente São Paulo folga, que festa!

Seus parques, avenidas, restaurantes, bares e calçadas

Tornam-se a vitrine da alegria de um povo grande, trabalhador

Que muito luta e sabe pelo que está lutando

E nos ínfimos momentos que lhes sobram para o lazer,

Erguem seus braços e seus copos para um único brinde:

“Viva São Paulo, Terra amada de todos nós”

Marco zero da cidade de São Paulo - Sé, São Paulo, Brasil | Sygic Travel

Sonhos

Alessandra Lara (alessandralaradearaujo) — Perfil | Pinterest

Já passou o tempo de esperar o príncipe encantado montado num cavalo branco

Já passou o tempo de esperar o príncipe encantado de carroça ou a pé

Já nem precisa ser encantado, nem mesmo príncipe… apenas encantador

Mas se não puder ser encantador, que seja apenas atencioso

O tempo passou e levou todos os sonhos da juventude

E a vida não deu tempo para construir novos sonhos

E o tempo não parou para que alguém notasse a falta deles

E a vida seguiu sem sonhos, só na dura realidade que não deixa pensar

O tempo da diversão deu lugar ao tempo da responsabilidade

A leveza da juventude cedeu sua vez à intensidade da maturidade

E a vida se tornou um parque de obrigações, de deveres sem direitos

Um dia ao longe a vida mostra um lindo príncipe em um belo cavalo branco

Impossível alcançá-lo ou ser notada por ele no borralho da realidade

Então vem à mente a vontade já indisfarçável de fugir.

Não com o príncipe

Mas montar seu próprio cavalo e finalmente com as rédeas em suas mãos

Simplesmente ir…

Insensatez

A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O meu amor
Um amor tão delicado

Ah, porque você foi fraco assim?
Assim tão desalmado
Ah, meu coração quem nunca amou
Não merece ser amado

Vai meu coração ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não
Pede perdão
Não é nunca perdoado

Um dia você será um “tanto faz”

Pensa bem o que representas dentro desta casa. De um modo geral. Teus amigos te estimam, muitas vezes és, para eles, motivo de alegria e prazer, e ao teu coração parece que não poderias viver sem eles; no entanto, se partisses, se fosses arrancado desse círculo, por quanto tempo sentiriam o vazio que tua perda haveria de provocar nas suas vidas? Por quanto tempo? Ah! O ser humano é tão efêmero que até mesmo onde está verdadeiramente seguro de sua existência, onde sua presença produz uma impressão genuína, ou seja, na lembrança, na alma das pessoas que ama, mesmo aí ele se apaga, desaparece, e isso num espaço de tempo tão curto! (J. W. Goethe – Os sofrimentos do jovem Werther)

Arquivos esquecer alguém -

Quanta importância as pessoas se dão a si mesmas, mas não conseguem perceber se lhes é dada, pelos outros, tamanha importância.

Cada um tem uma imagem e uma dimensão de si mesmo, sem apreender o mundo exterior, para que possa enxergar sua exata imagem e sua exata dimensão no olhar do outro. Isso é intrigante.

Ninguém é. Ninguém tem. Ninguém pode. Porque esses verbos são transitivos. Necessitam de um complemento para que façam sentido ao leitor. Não há como interpretar qualquer um deles sem que se lhes dê um significado pelo complemento.

Assim são as pessoas. A importância que cada um tem em determinado momento ou circunstância não se transmite para toda a existência e muito menos para sua descendência. Tudo muda em questão de momento. Nada fica. Nada permanece. E, neste caso, os verbos são intransitivos.

Ou seja, para o positivo, necessita-se de complemento. Para o negativo, cada um se basta a si mesmo.

Alguns sentimentos que movem a humanidade servem, na verdade, para a destruição de todos e de cada um.

A arrogância, a altivez, o sentimento de superioridade demonstram, quando vistos com isenção e lucidez, um complexo de inferioridade invencível. Porque pretender ser melhor que o outro mostra que a sensação é que se é bem pior.

A inveja destrutiva pelo que não se tem leva à derrocada da personalidade, a ganância pelo que o outro tem mostra o desespero de não se sentir capaz de construir.

E, o pior, o sentimento de dominação, de que o outro não sobreviveria sem sua presença, é a perdição de muitos.

Porque o ser humano é resiliente e sua própria existência vem em primeiro lugar e deve ser defendida a todo custo. A perda do outro – para a vida ou para a morte – pode provocar algum sofrimento, mas que será superado.

Ninguém morre porque perdeu uma pessoa. Pode chorar. Pode gritar. Pode até querer morrer. Mas não morre. Sobrevive.

E um dia, com grata surpresa, perceberá até que pode ser feliz mesmo sem aquele que se foi.

Do outro lado, não sei se com surpresa ou com desespero, o que se foi perceberá que o abandonado voltou a ser feliz. Que todo o sofrimento, as lágrimas, a saudade, tudo se esgarçou com o tempo. E que foi completamente esquecido.

Quem muito se afasta, em um momento perde o fio para conseguir voltar. E se torna um “tanto faz” na vida do outro.

Fique perto, porque a distância, seja real, seja afetiva, leva ao esquecimento.

Post-it

Sobre a mesa, um bloquinho “post-it”. Que é de máxima utilidade.     

Mas nenhuma mensagem anotada.      

Há tanto a fazer, mas nada ali escrito.      

Não adianta. O tempo não permite sequer uns minutos para anotar as tarefas do dia. Que, na verdade, nem há necessidade de se anotar, pois que se repetem tristemente iguais.      

Às vezes a vida se torna um tédio.

Na verdade, a vida oscila entre o caos e o tédio.       

E não há como dar conta de tudo. Por isso tanto se corre e pouco se faz. Talvez o tempo esteja passando muito depressa, ainda que tenhamos a sensação de que não está nem passando.     

Porque estamos desmotivados depois de tanto isolamento, tantas falências, tanta falta de sensibilidade daqueles que deveriam olhar para e pelo povo.    

O aumento notável de moradores de rua e pedintes nas esquinas causam sofrimento. É triste ver que famílias estão nas ruas, que a fome e a miséria continuam avançando sobre a população desvalida.   

Mas os interesses políticos estão acima de tudo.     

Provavelmente esses políticos olham para o povo e pensam: “Que morram de fome”; e serão enterrados como vítimas de covid.     

Isso é o que interessa.     

Ontem subi no elevador do hospital com duas funcionárias que saíam da “cerimônia” (ou palhaçada?) do governador que fez questão de estar presente no início da vacinação.

Ambas se dando a maior importância, achando que estavam salvando o mundo. Talvez nem o próprio emprego esteja salvo…       

E assim caminha a triste humanidade que voltou a olhar para o céu e esperar o maná. Sem perceber que, na nossa vida, o máximo que cai do céu é chuva. E, às vezes, ácida.  

Vou pegar uns lápis e fazer desenhos gregos nesse bloquinho. Distrair mente e a mão.