Categoria: DeAlice
Texto de Adriele Teodoro – Algumas vezes as nossas solidões flertaram

Não éramos sequer amigos, talvez estranhos com algo em comum.. sabíamos dançar com nossas solidões, mesmo que a música não fosse tão boa. A madrugada era como um inferno de ideias barulhentas. É tudo o que me resta sobre o desconhecido. Me embriagava, mas a bebida não era minha conhecida. Era a caneta e o papel. A voz na minha cabeça me fazia perguntas e ela mesma as respondia. É uma espécie de loucura... Imaginava nossa dança, ria de mim mesma e depois caia no sono.
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Alice Cunha – Transparente

Quantas vezes Olhaste para mim E nem me viste Nem sequer Te apercebeste Da tristeza No meu olhar Quantas vezes Fui para ti Transparente E mesmo assim Segui em frente Quantas vezes Uma lágrima Se soltou E pela minha face Rolou Quantas vezes Apenas bastava Um abraço Que me aconchegava Descansar a cabeça No teu regaço Quantas vezes Não soava Uma palavra Na altura certa Uma frase De amor carregada Quantas vezes Não tive nada Porque teus olhos Em mim não pousavam.
(Imagem: banco de imagens Google)
Neblina (Memória)

Por um momento ela o encarou Como se ainda estivessem vivos Viu o mesmo olhar, a mesma intensidade Mas era tarde demais, o tempo deles se fora Levantou-se em meio à névoa que se formara E viu tudo sumir diante de si, se esvaindo na neblina Agora já estavam definitivamente mortos Morreram há muito tempo um para o outro Na distância, na ausência, no abandono
(Imagem: banco de imagens Google)
Haicai 2

Corre uma lágrima
Na delicada pétala:
É a chuva na flor
(Imagem: banco de imagens Google)
Ventos de agosto (Memória)

Pipas no ar, em um céu sem nuvens
Tom de azul, do mais profundo azul
Pleno inverno, as árvores se despem
E as folhas brincam e correm nas ruas
Ruidosamente em secas risadas.
O mundo descansa quase em plena paz
Acreditando no poder do vento
Em levar consigo toda tristeza
Em varrer o pó de todos amores
Em limpar da vida o que não fica
Em trazer de volta a chuva que falta.
Dando adeus ao passado, as árvores
Balançam os galhos agora sem ninhos
Os pássaros, em bandos já se foram
Aves de arribação, fugiram do frio;
Velhos amores também se foram
Deixando abertos os corações em sangue
Pulsando na espera de novas paixões.
Venta, agosto, venta, que é sua missão
Ventar limpando a terra e a vida,
Deixando limpos os caminhos e atalhos
Para tantas novas caminhadas,
Novos amores, novos sorrisos,
De mãos dadas pela vida afora
Seguindo o vento que a todos levará
Ao final que em algum ponto espera.
Redemoinhos de vento na terra
Luzes no céu, estrelas no nada
São os ventos do mês de agosto
Prenúncio de nova primavera
(Imagem: banco de imagens Google)