A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Quando olho para o passado
Em busca das respostas que não encontrei
Fico a pensar no que fiz de errado
Quando sei que te dei o melhor de mim
Dei-te o meu tempo sem arrependimentos
Apenas para poder estar ao teu lado
Hoje perco-me em noite e noites em branco Sem saber o que mais podia dar
Entreguei-me de alma e de coração
E todos os segundos os minutos e horas
Que eu tinha eu me dedicava a ti
E quando não podíamos estar juntos
Deixava sempre aqui tantas poesias
Para que soubesses sempre o quanto te amo
E a falta que sempre me fazias
E não te procurava apenas pelo calor do momento
O teu corpo era o meu templo sagrado
E não eram apenas os momentos de prazer
Era o carinho e os abraços
Que me faziam renascer
Hoje sou uma sombra daquilo que eu era
Simplesmente deixei de sonhar e de acreditar
Dia após dia apenas tento sobreviver
Fosse esse amor tão fácil de esquecer
Como para mim era fácil escrever
E não estaria aqui por ti a sofrer
Quando olho para o passado
Tudo o que meu coração queria
Era encontrar respostas
Para todas as perguntas
Que ficaram lá atrás
Encontrar um pouco de paz
E quando a noite chega
Finalmente poder adormecer…
Barquinhos do Tejo,
dizei-me de longe
não as coisas de hoje,
mas as coisas de ontem:
do que existe e foge,
que apenas se sonhem
e que mal se contem,
barquinhos do Tejo.
De que praia, que rocha, que monte,
barquinhos do Tejo,
em que mar, em que céu, o desejo
avista horizonte?
Um dia, ao ler alguma coisa que aqui postei sobre Saudade, meu padrinho, Elcio, me ligou para elogiar o texto e disse: “Não sei se você tem saudade, se você sente toda essa saudade que você escreve, mas gosto tanto dos seus textos desse tema, que acho que você deveria escrever exclusivamente sobre saudade…” Dedico esse post de hoje a ele, que, agora também, é uma das minhas maiores saudades…
Para falar de saudade
Ah, saudade…
Tanta saudade, tanta ausência, tanta falta…
Às vezes penso que sou feita só de saudade, por isso a distância existe – para que eu também possa existir…
Não há Drummond, Vinicius ou Neruda que consiga cantar a saudade que sinto. Essa saudade é tão minha, tão carne, tão sangue, que outros não a pressentem nem sentem. Só eu posso tê-la, senti-la, descrevê-la. É o que mais tenho de meu nessa vida: essa saudade, companheira inseparável, péssima conselheira, grande estimuladora de bobagens, bebedeiras, e lágrimas.
Porque sentir saudade é viver do que não há; é tentar forçar a realidade dentro da névoa do esquecimento; é tentar esquecer dentro do whisky; é chorar, chorar e chorar…
A vida, muitas vezes, é leve, mas a saudade que arrasto tem um peso imensurável.
A presença é pouca, é pequena. Mas a ausência, ah, essa é ilimitada. E a saudade que a ausência traz é de tamanho indescritível.
E por isso o sorriso se torna raro. A alegria se esgarça.
Caminho, levando comigo o fardo e a doçura dessa imensa saudade. Que se tornou, depois de tanto viver a meu lado, a única e fiel companhia que tenho.