A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Que a gente não dependa do amor do outro para ser feliz. E que reaprenda a caminhar com as mãos livres, braços leves e a alma exposta. Que a gente recupere o olhar carinhoso para com nós mesmos, cuidando do que ouve, do que sente, do que guarda, do que vê. Que nossa memória aprenda a filtrar lições, imunizando a mágoa, o desamor e a falta de afeto. Que sejamos responsáveis por nossas escolhas, nossos caminhos, por nossos amores. E que tenhamos a fé de sempre e o sorriso no rosto para aliviar os dias nublados, já que é certo que o sol sempre volta.
Quando as paredes não mais deixaram passar o ar e as cortinas e janelas afastaram a luz, não havia um som sequer além do bater do meu próprio coração, eu saí. Precisava de ar. Precisava de luz. Precisava enxergar além dos metros até a próxima parede. Precisava ouvir a vida.
Então saí.
Segui por ruas, atravessei praças. Vi casas. Vi árvores. Vi pessoas.
Eu apenas via. Porque nada enxergava.
Não sei se havia sol. Sabia que estava claro.
E ouvi.
Ouvi sons – vozes, buzinas, gritos e freadas. Sirenes pedindo passagem. Trechos de músicas defronte bares.
Nada escutava. Apenas ouvia tudo.
Senti o vento se chocar contra mim.
Respirava o ar que encontrava, puro, poluído, indiferente o que fosse.
E fui.
Caminhei até a completa exaustão. Não havia onde chegar, porque só importava ir. Talvez ali houvesse vida. A vida que não havia no meu ponto de partida.
Antes perdíamos filhos nos rios, nos matos, nos mares, hoje temos perdido nossos filhos dentro do quarto!
Quando brincavam nos quintais ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias e ao ouvi-los, mesmo a distância, sabíamos o que se passava em suas mentes. Quando entravam em casa não existia uma TV em cada quarto, nem dispositivos eletrônicos em suas mãos.
Agora ficam com seus fones de ouvido, trancados em seus mundos, construindo seus saberes sem que saibamos o que é, perdem literalmente a vida, ainda vivos em corpos, mas mortos em seus relacionamentos com seus pais, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de modismos passageiros, que em nada contribuem para formação de crianças seguras e fortes para tomarem decisões moralmente corretas e de acordo com seus valores familiares.
Dentro de seus quartos perdemos os filhos pois não sabem nem mais quem são ou o que pensam suas famílias, já estão mortos de sua identidade familiar.
Se tornam uma mistura de tudo aquilo pelo qual eles tem sido influenciados e pais nem sempre já sabem o que seus filhos são.
E nosso maior erro é pensar que estão seguros.
Convido você a tirar seu filho do quarto, do tablet, do celular, do computador, do fone de ouvido, convido você a comprar jogos de mesa, tabuleiros e ter filhos na sala. E jogue, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos e tenha a grande oportunidade de tê-los vivos, “dando trabalho”.
Desconheço a autoria. Esse texto foi publicado no Facebook, sem identificar o autor. Mas por considerar que é interessante, resolvi trazê-lo tal como o encontrei, mesmo apócrifo.