
Para pensar 02

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –


Existem pessoas que ficam na vida da gente...
Ficam de longe;
Com outras vidas...
Outros amores
Outros amigos
Outra realidade.
Tem gente que nunca vai embora
Não são esquecidos...
São como cheiro que insere no corpo
Uma sensação gostosa
De pertencimento sem ter,
Sem possuir...
Ficam na saudade, na lembrança...nas histórias...
E quem sabe um dia
Talvez, fique novamente em um novo encontro!
Tem gente que mesmo indo... não vai embora;
Fica ali guardadinho em uma gavetinha do pensamento da gente.

Hesitante, sem muita certeza do que fazia, buscou a velha mala no fundo do armário do quarto de despejo.
Abriu-a, passou uma rápida vistoria – estava em bom estado e limpa.
Adiou mais um pouco a decisão.
Mas não tinha volta. Teria de partir.
Abriu armários e gavetas.
Se não sabia nem para onde estava indo, como poderia saber o que levar?
Olhou as roupas, tão conhecidas, tão usadas.
Mas para usar aqui.
Não para usar sabe-se lá onde.
Era impossível continuar nesse lugar onde não vivia. Apenas sobrevivia e se arrastava, assim como os intermináveis dias que se sucediam há mais de um ano. Uma vida sem nenhuma vida.
O mais difícil era tomar a decisão de partir.
Essa já conseguira tomar. Ia partir.
Iria embora, para sempre. Para perto, para longe, não importava. A necessidade era ir.
Pensou mais um pouco, tentando duvidar se tomara a decisão mais acertada.
A cabeça se recusava a dar meia volta – decidira que era de partir e partiria.
Fechou a velha mala.
Vazia.
Se não tinha para onde ir, para que a mala?
Pegou a bolsa com documentos e dinheiro. Era tudo o que precisava. Nada mais. Nem malas nem bagagens. Só as lembranças e a solidão.
Saiu sem nem mesmo se dar o trabalho de trancar a porta.
E partiu.
(Imagem: banco de imagens Google)

Dá-me seu tempo
e eu te darei suas horas
no tempo de anoitecer.
E juntos caminharemos,
enquanto o tempo não passa
e as horas fingem não ver.
(Imagem: pintura de Marcos Moreira)

O sabor do último beijo será sempre eterno na memória de quem olha para o passado e encontra razões para não esquecer aquele amor que afinal nem fazia parte da sua história, mas que mesmo assim lhe deixou marcas que ninguém saberá como apagar.
A vida é assim, há futuros que não se prolongam na estrada do que lembramos. Há futuros que nos esticam os braços para que não nos recordemos dos abraços que trazemos na bagagem, porque é ali que mora a dor que nos impede de continuar a sorrir.
As lágrimas não doem e por isso é preciso parar de chorar para aproveitar o que temos para viver.
(de Confissões da Miúda Gira)