
Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum.
Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –

Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum.

– Demorou, hein? Se eu não encontrasse essa sacada para ficar embaixo estaria completamente molhado da chuva, faz quase uma hora que estou aqui esperando! falou o Cravo, muito irritado.
– Desculpe-me, mas o compromisso atrasou, os convidados demoraram a sair e não podíamos desfazer a ornamentação… respondeu a Rosa, com suavidade.
– É, esqueci que lugar de gente chique não termina nunca na hora marcada como os enterros, sempre tem mais um champagne, um foie gras…
– Vai começar de novo? Já estou ficando cheia dessa sua conversa todas as vezes que nos encontramos. Nada posso fazer se sou uma rosa que tem compromissos tão sofisticados. É meu trabalho.
– Ah, sim, esqueci que você é de um roseiral especial, onde ervas daninhas e outros afins nem podem chegar perto, por isso temos que nos encontrar nas esquinas…
– Hoje você está atacado! Por que? Está com medo que eu pergunte onde você esteve ontem? E anteontem? Eu já sei…
– Ah, é? E onde eu estive?
– Em um buquê, com margaridas, cravinas, prímulas… tô sabendo de tudo…E anteontem em uma coroa, com margaridas, flores do campo e sua ex, aquela insuportável dália …
– Quem te contou? A prímula rosa? Vou acabar com a raça dela…
– Não foi ela. Foi o crisântemo.
– Só podia ser. Fofoqueiro invejoso. E vive arrastando as folhas para você. Pensa que eu não percebo…
– Nem fofoqueiro nem invejoso. Pelo visto é verdade.
– Invejoso sim, ele quer envenenar você comigo, para ficar com você. Diz que é um absurdo uma rosa tão fina como você namorar um reles cravo como eu.
– Não tem nada a ver. Você está procurando desculpas para brigar comigo.
– Bem chega de conversa e vamos que estão nos esperando para o novo canteiro.
– Sinto muito, mas não poderei ir.
– NÃO???? Você vai nem que seja à força, ou está com vergonha de ser vista comigo?
Pegou-a pelos espinhos e sacudiu-a com violência.
– Pare, me largue, você está me machucando, olhe o que fez com minhas pétalas, estão despedaçadas…
– Ai, olhe minhas pétalas, olhe minha beleza, minha classe, meu perfume… você só pensa em você, estou cheio…
Jogou-a longe. Ela gemeu.
– Some de minha vista, seu nojento, porco chauvinista, egoísta, você só pensa em você e em seu complexo de inferioridade. Não tenho culpa se você não passa de um cravo sem eira nem beira, nem sei como fui me apaixonar por você.
– Para, que você está indo muito longe, isso me machuca…
– Machuca, é? Vai lá ver se as cravinas e a dália não curam sua feridinha. Para mim está tudo acabado. Fim. Ponto final. Você me despetalou inteira e tenho um coquetel para ir agora.
– Vai pro seu coquetel e aproveita para ir pro meio do inferno também. Vai… Garanto que saio mais ferido que você desta conversa idiota.
Virou-se e foi embora para um lado, enquanto a rosa, chorosa, tomava outro caminho. E foi assim que
O cravo brigou com a rosa / Debaixo de uma sacada, / O cravo saiu ferido, / E a rosa despedaçada…
(Imagem: banco de imagens Google)

Abriste-me tuas mãos e um sorriso
E eu, aceitei...
Mas não depositei nelas meu coração
Como poderia!
Se o havia já perdido...
Abriste-me teus braços
E eu, entrei...
E neles entreguei meu mundo
Como se ali, por momentos
Pudesse dele me ausentar
Me aninhaste em teu peito
E eu, fechei os olhos...
E derramei nele o meu passado
Como se dele, me pudesse libertar
De teu corpo fiz abrigo
Colo e aconchego à minha dor
Nele, em prazer renasci
E nele, em prazer voltaria a morrer
Já meu futuro
Não vislumbrei em teus olhos
E eu, tampouco o procurei
Como poderia!
Se a esperança desistiu de mim
E o meu espírito não mais me acompanhava



Não desista do amor. Desista de pessoas confusas, de quem não sabe o que quer, de quem não valoriza seu afeto, de quem não enxerga a pessoa incrível que você é.
Não desista do amor. Desista de tentar mergulhar em pessoas rasas, de quem vive na superficialidade das aparências, de quem não tem a profundidade para comportar a sua imensidão.
Não desista do amor. Desista de ficar dando novas chances para quem já mostrou várias vezes que não é a pessoa certa para você, de insistir em portas que não se abrem, de se negar a ver quem o outro já mostrou ser.
Não desista do amor. Desista de quem te machuca, de quem tira a sua paz, de quem ameaça o seu equilíbrio emocional.
Mas não desista do amor. Porque o amor de verdade é força que move a existência, é energia que da mais sentido a vida, é sentimento que conecta os seres e os coloca juntos numa jornada de crescimento a dois.
É por isso que do amor nunca se desiste. Ele nos pertence. A gente desiste é das pessoas que tentam nos afastar dele. O amor a gente abraça.