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Não sei se é sonho, canção ou poesia
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A mulher livre – Memória
Je me sens libre comme une bulle de champagne / Libre d’escalader les montagnes. / Moi j’ai mon visa pour le folies / J’ai mon passeport couleur de la vie. (Visa pur les beaux jours, Eddy Marnay).

Ser livre. Apenas e singelamente livre. Parece fácil.
Mas não é nada fácil.
Principalmente para as mulheres, as quais, assim como eu, são nascidas no milênio passado, na década pós Segunda Guerra.
A partir do final dos anos 60 demos nosso grito de liberdade. Mas isso não nos fez livres.
Muitas mulheres têm a alma livre, mas o corpo prisioneiro de um sistema que esmaga a essência feminina e a amolda a uma ideia preconcebida de ideais, que não passam de uma intensa forma de dominação/submissão.
Uma mulher livre é assustadoramente forte. Para ser livre, é preciso muita coragem, porque é bem mais fácil, mais cômodo e mais seguro, acovardar-se atrás de um casamento, de um homem, de uma situação já estabelecida, em um caminho já trilhado e que já se sabe onde vai chegar.
Ser livre é ser a única responsável por todos seus atos e suas consequências. Trabalhar e ganhar o suficiente para pagar suas contas e bancar seus luxos. Ter coragem para sair da gaiola e voar, sabendo que nunca voltará. Pisar solos desconhecidos para trilhar seu próprio caminho, mesmo que não saiba onde conseguirá chegar.
Ser livre é ter a coragem de enfrentar o preconceito e a maledicência invejosa daquelas que optaram pela gaiola.
E também a condenação pelos homens que têm medo de uma mulher livre e do estrago que ela fará no mundo deles se ela propagar suas ideias de liberdade e mostrar que é feliz, sim, assumida, e, principalmente, LIVRE.
Uma mulher livre jamais será domesticada. Poderá até mesmo se casar. Mas manterá intacta sua liberdade – econômica, afetiva e emocional. Porque ela só precisa dela mesma para viver e ser feliz. Se alguém quiser DIVIDIR essa liberdade e essa felicidade, tudo bem. Mas terá de respeitar sua liberdade.
Uma mulher livre, além de corajosa, é solitária. Porque, em geral, espanta os algemados da vida. Assusta com sua liberdade.
Essa mulher livre assume seus atos e não precisa de muleta nem de desculpas. Simplesmente vive e aceita a vida como ela é. Enxerga outras cores, escuta outros sons, vive em outro mundo – sem correntes nem prisões.
A liberdade não está exatamente nos atos que ela pratica. A liberdade está na sua alma, no seu pensar. A liberdade é sua essência. Exerce essa liberdade dizendo “Não”. Porque liberdade é a possibilidade de dizer “Não” às situações que não admite. Seja usar burca, seja não poder exercer uma profissão, seja não poder externar uma opinião, seja decidir ter ou não ter filhos.
Essa mulher vê o mundo com seus próprios olhos, e, se, por acaso, marcha em outro passo, é porque ela ouve a batida de outro tambor que não aquele do pelotão. A mulher livre não é a ovelha negra da família. Geralmente ela é o próprio lobo. Que respeita sua família, mas não pode ser enquadrada em uma forma que não é seu número.
Sua solidão não é negativa nem traz sofrimento. É seu modo de ser.
Não são muitas as mulheres realmente livres, porque até nos dias de hoje, as mulheres são direcionadas a se tornarem apêndices. Dos pais. Dos irmãos. Dos maridos. Dos patrões.
As mulheres livres não são escravizadas por vozes que ditam modas ou modismos. Vaidosas, sim, mas no limite da vida saudável. Não se conduzem em razão das determinações estéticas ditadas por quem não é livre, nem bonito, nem exemplo. Não são passíveis se serem contidas por opção do mercado visando o consumismo, nem por outras mulheres, nem por imposições sociais absurdas.
Aquelas que, sem medo, ousam exercer sua liberdade, são tachadas de loucas.
É mais fácil rotular do que apoiar ou tentar entender.
Loucas, malucas, doidas. Porém livres.
(Imagem: banco de imagens Google)
Poesia da casa – Nosso mapa
Na paisagem do teu corpo
Desenho os traços do meu querer
Encontro montes, picos e colinas,
Planícies, savanas e campinas
No relevo de teu peito
Descanso meu turbilhão
Repouso o meu cansaço
Revivo todo meu desejo
No rebojo desse impulso
Ofereço o remanso de meu ventre
Para que tua voragem
Se complete em meu caminho
Juntos seguimos as trilhas
esboçadas pela vida
nos atalhos de um seguir
que nos torna apenas um
Quando vens eu te recebo
Na intensidade da entrega
e riscamos, enfim, juntos,
o mapa de nossa paixão.
(SP, fevereiro 2023)
(Imagem: banco de imagens Google)
A mulher e a patroa – Martha Medeiros

Há homens que têm patroa. Ela sempre está em casa quando ele chega do trabalho. O jantar é rapidamente servido à mesa. Ela recebe um apertão na bochecha. A patroa pode ser jovem e bonita, mas tem uma atitude subserviente, o que lhe confere um certo ar robusto, como se fosse uma senhora de muitos anos atrás.
Há homens que têm mulher. Uma mulher que está em casa na hora que pode, às vezes chega antes dele, às vezes depois. Sua casa não é sua jaula nem seu fogão é industrial. A mulher beija seu marido na boca quando o encontra no fim do dia e recebe dele o melhor dos abraços. A mulher pode ser robusta e até meio feia, mas sua independência lhe confere um ar de garota, regente de si mesma.
Há homens que têm patroa, e mesmo que ela tenha tido apenas um filho, ou um casal, parece que gerou uma ninhada, tanto as crianças a solicitam e ela lhes é devota. A patroa é uma santa, muito boa esposa e muito boa mãe, tão boa que é assim que o marido a chama quando não a chama de patroa: mãezinha.
Há homens que têm mulher. Minha mulher, Suzana. Minha mulher, Cristina. Minha mulher, Tereza. Mulheres que têm nome, que só são chamadas de mãe pelos filhos, que não arrastam os pés pela casa nem confiscam o salário do marido, porque elas têm o dela. Não mandam nos caras, não obedecem os caras: convivem com eles.
Há homens que têm patroa. Vou ligar pra patroa. Vou perguntar pra patroa. Vou buscar a patroa. É carinho, dizem. Às vezes, é deboche. Quase sempre é muito cafona.
Há homens que têm mulher. Vou ligar para minha mulher. Vou perguntar para minha mulher. Vou buscar minha mulher. Não há subordinação consentida ou disfarçada. Não há patrões nem empregados. Há algo sexy no ar.
Há homens que têm patroa.
Há homens que têm mulher.
E há mulheres que escolhem o que querem ser.
(Imagem: banco de imagens Google)
Espaço para Pedro Duarte Domingos Martins

Antes de morrer Antes de partir Antes de a minha alma se separar Da mortalidade do meu corpo Quero que saibas que não peço perdão Não peço perdão por te ter amado Como nunca ninguém te amou Não te peço perdão Por me ter apaixonado por ti Tu foste durante muito tempo A luz que guiou a minha alma Que inspirou as minhas poesias Eu amo-te... Sei que não sou perfeito Mas tudo o que fiz Foi sempre de coração Para te fazer feliz Não vou dizer se foi muito ou pouco Porque fraco é o amor que se pode medir Amar alguém de verdade é amar sem medida É sentir no olhar de quem se ama O sentimento mais bonito Que existe nesta vida Não existem amores escolhidos por acaso As almas se reencontram por uma razão Mas ainda não era o momento certo Mas a cada vida que passa eu sinto Sinto que estou cada vez mais perto E que aos poucos também a tua alma desperta E um dia esse circulo Um dia finalmente se completa E tu vais finalmente ver Para além do brilho do meu olhar Vais conseguir olhar para mim Como eu olho para ti E em cada vida A minha alma de poeta Vai alimentando a tua alma com amor Até ao dia que nossos corpos Não sejam mais precisos E nesse dia meu anjo eu sei Que num abraço apertado Nos tornaremos imortais...