Texto de Fênix Faustine

Nem a tristeza, nem a desilusão, nem a incerteza…

Nem o medo, nem a depressão…

Nada me impedirá de sorrir…

Por mais que sofra meu coração…

Nada me impedirá de sonhar…

Nem o desespero nem a descrença…

Muito menos o ódio ou alguma ofensa…

Mesmo errando e aprendendo, tudo me será favorável…

Para que eu possa sempre evoluir, preservar, servir, cantar, agradecer, perdoar, recomeçar…

Quero viver o dia de hoje, como se fosse o primeiro…

Como se fosse o último, como se fosse o único…

Quero viver o momento de agora, como se ainda fosse cedo, como se nunca fosse tarde… Conservar o equilíbrio e fortalecer a minha esperança…

Quero caminhar na certeza de chegar.

(Imagem: internet)

Poesia da casa – Se eu fosse poeta

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Eu queria ser poeta para falar da minha paixão
e assim conseguir mostrar meu amor por você;
eu queria escrever um poema usando a caneta da alma  
e a tinta do sangue do sentimento mais doce. 
Escrever sobre o brilho ímpar dos seus olhos e 
da meiguice de suas mãos e do gosto único da sua boca    
Descrever o arrepio que me percorre todas as vezes em que você 
me enlaça e me aperta em um abraço de ternura e me  beija. 

Do torvelinho de sentimentos que me confundem, me arrebatam 
e me fascinam e me fazem sonhar  quando penso em você.        
Da saudade doída que não me deixa um só instante nessa vida. 
E da vontade de você que me persegue em todos os segundos.  
Se eu fosse poeta eu descreveria tudo isso em um poema 
que pudesse traduzir em palavras tudo o que sinto 
Escreveria sobre nossos sonhos e todos os nossos planos;   

Sobre a esperança de estarmos sempre juntos nessa vida 
e assim um dia, felizes, morrermos no abraço final.      
Escreveria da alegria de ouvir sua voz e sua risada todos os dias. 
E da ansiedade ao ouvir seus passos a cada volta sua  
Se eu fosse poeta escreveria um poema vindo direto do coração 
só para poder dizer, todos os dias, com emoção, 
O quanto eu amo e vivo apenas porque você existe 

E ainda escreveria que você é a imagem da minha felicidade    
Queria ser poeta para conseguir, apenas com minhas palavras, 
não só falar de amor, mas também tocar seu coração 
E que quando você lesse esse meu poema, escrito para você, 
pleno de pura paixão, escrito com a essência de minha alma, 
Você olhasse longamente no fundo nos meus olhos, 
e entre lágrimas, emocionado, dissesse: Te amo! 
Só para isso eu queria ser poeta. 

Mas não sou... 

(Imagem: foto de Maria Alice)

A mulher certa – Fabrício Carpinejar

Você somente se apaixona pela mulher que lhe tira do sério.

Você somente se apaixona pela mulher que vive brigando.

Você somente se apaixona pela mulher que sabe provocá-lo.

Você somente se apaixona pela mulher que desafia sua opinião.

Você somente se apaixona pela mulher que leva desaforo para sua casa.

Você somente se apaixona pela mulher que não pode dominar ou convencer.

Você somente se apaixona pela mulher que faz tudo diferente de sua mãe.

Você somente se apaixona pela mulher que jamais entende, que é um mistério, que é motivo de metade da conversa com seu terapeuta.

Você somente se apaixona pela mulher que teima com sua memória.

Você somente se apaixona pela mulher que tem a coragem de ser espontânea, não se acovarda com o que os outros vão pensar.

Você somente se apaixona pela mulher que derruba suas mentiras.

Você somente se apaixona pela mulher que conhece todos os seus segredos.

Você somente se apaixona pela mulher que cala sua boca com um beijo.

Você somente se apaixona pela mulher que não tem medo de criticá-lo.

Você somente se apaixona pela mulher que implica quando começa a beber e pede para ir embora quando a festa estava ficando boa.

Você somente se apaixona pela pessoa errada.

A mulher de sua vida é a sua inimiga preferida. Como não consegue vencê-la, traz para seu lado.

(Imagem: banco de imagens Google)

Pela revolução dos cravos (Memória)

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Em algum canto de jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar

Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

Da série “Foi poeta, sonhou e amou na vida” – 27 – Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) foi um dos maiores poetas brasileiros do século XX. “No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho” é um trecho de um de seus poemas mais conhecidos.

Drummond foi também cronista e contista, mas foi na poesia que mais se destacou. Foi o poeta que melhor representou o espírito da Segunda Geração Modernista com uma poesia de questionamento em torno da existência humana.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira de Mato Dentro, interior de Minas Gerais, no dia 31 de outubro de 1902. Era filho dos proprietários rurais, Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade. Iniciou seus estudos em sua cidade natal e em 1916, ingressou em um colégio interno em Belo Horizonte. Doente, regressou para Itabira, onde passou a ter aulas particulares.

Em 1918, Drummond foi estudar em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, também em colégio interno, mas foi expulso por “insubordinação mental”.

De volta para Belo Horizonte, em 1921, começou a publicar artigos no Diário de Minas que reunia adeptos do Movimento Modernista Mineiro. Em 1922, ganhou um prêmio de 50 mil réis, no “Concurso da Novela Mineira”, com o conto Joaquim do Telhado.

Em 1923, por insistência de sua família, Drummond matriculou-se no curso de Farmácia da Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte. Em 1925 concluiu o curso, mas nunca exerceu a profissão. Nesse mesmo ano, fundou A Revista, que se tornou um veículo de afirmação do Modernismo Mineiro.

Drummond lecionou português e Geografia em Itabira, mas a vida no interior não lhe agradava. Voltou para Belo Horizonte e empregou-se como redator no Diário de Minas.

Em 1928, Drummond publicou o poema No Meio do Caminho, na “Revista de Antropofagia” de São Paulo, provocando um escândalo com a crítica da imprensa. Diziam que aquilo não era poesia e sim uma provocação pela repetição do poema, como também pelo uso de “tinha uma pedra” em lugar de “havia uma pedra”.

Em 1930, dentro das diretrizes da Segunda Geração Modernista, Drummond publicou seu primeiro livro intitulado Alguma Poesia, no qual retrata a vida cotidiana, as paisagens, as lembranças, com certo pessimismo, deixando transparecer sua ironia e humor. Também fazem parte do livro os poemas: No Meio do Caminho, Cidadezinha Qualquer e Quadrilha, tipo de poema em que o amor, antes de ser descrito é questionado e revela um sentido oculto, o amor como desencontro.

Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, cronista, contista e tradutor Sua obra traduz a visão de um individualista comprometido com a realidade social.

Em 1942 publicou o livro de prosa Confissão de Minas Em 1950, Drummond estreou como ficcionista com a obra Contos de Aprendiz.

Desde 1954, Drummond colaborava como cronista no “Correio da Manhã” e, a partir do início de 1969, passou a escrever para o “Jornal do Brasil”.

Em 1967, para comemorar os 40 anos do poema No Meio do Caminho, Drummond reuniu extenso material publicado sobre ele, e publicou Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de um Poema.

Poeta da Segunda Geração Modernista, a maior figura da “Geração de 30”, embora tenha escrito ótimos contos e crônicas, Carlos Drummond se destacou como poeta.

A poesia da Segunda Geração Modernista foi essencialmente uma poesia de questionamento em torno da existência humana, do sentimento de estar no mundo, das inquietações sociais, religiosa, filosófica e amorosa e, Drummond é o poeta que melhor representa essa geração.

Seu estilo poético é permeado por traços de ironia, observações do cotidiano, de pessimismo diante da vida e de humor. Drummond fazia verdadeiros “retratos existenciais” e os transformava em poemas com incrível maestria. Foi também tradutor de autores como Honoré de Balzac, Federico Farcia Lorca e Molière.

Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade. (Fonte: ebiografia)

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.



No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.


Quadrilha

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.