A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –
Dá-me um abraço que seja forte
E me conforte a cada canto
Não digas nada que o nada é tanto
E eu não me importo
Dá-me um abraço fica por perto
Neste aperto tão pouco espaço
Não quero mais nada, só o silêncio
Do teu abraço
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
E estando longe, estive tão perto
Do teu abraço
Dá-me um abraço que me desperte
E me aperte sem me apertar
Que eu já estou perto abre os teus braços
Quando eu chegar
É nesse abraço que eu descanso
Esse espaço que me sossega
E quando possas dá-me outro abraço
Só um não chega
O amor, esse tear global
de águas rendadas
costurando distâncias
com os fios prateados das ondas.
Rendadas velas, caravelas
marinheiros bordados a bordo
cirandando a humanidade.
A simetria do cosmo encarnado
fiando nossos meridianos
no redondo rosto azulado
Em crises de desabafos da chuva
todos os prantos da vida.
Refletidas na superfície cristalina
frívolas muralhas do mundo
erguidas de dentro de nós
com suas vestes antigas
de ruínas cerzidas
cheirando à naftalina.
Quando os meus filhos disserem aos meus netos o quanto eu os amava; e quando os meus netos disserem aos meus filhos que guardam lembranças minhas e de mim sentem saudade, não terei morrido nunca: serei eternidade!