Mulher difícil – A.D.

Nem todo mundo pode ter a sorte de estar com uma mulher difícil.

Sorte sim, porque mulheres difíceis são como água limpa de uma cachoeira, são fortes, brilhantes, sinceras.

Mulheres difíceis não se conformam, elas podem ser tão cruéis quanto o diabo e adoráveis quanto o mais belo dos anjos.

Elas fogem muitas vezes, ficam irritadas e às vezes gritam descontroladamente, mas sempre olham nos seus olhos…

Sempre.

Elas são difíceis porque são inteligentes, muito inteligentes, incontroláveis.

Elas têm os olhos quase sempre tristes, quase sempre felizes.

Elas sabem amar, mas amar duro, amar forte, sem limites! você não pode pará-las quando elas amam, como você não pode parar uma tempestade quando ela chega.

Estar ao lado desse tipo de mulher é vender sua alma para o diabo, significa abraçar a loucura, porque ser louco é o que te fazem sentir.

Aí você olha para trás e pensa que talvez sem ela você teria ficado melhor, mais calmo, mais sereno, talvez sim, talvez não…

Mas com ela você sentirá vida e depois disso sem ela você quererá morrer!

Tem quem abandone esse tipo de mulher, quem vai embora… mas posso garantir que ninguém as esquece… porque elas são terrivelmente complicadas e insubstituíveis.

Eu diria que são edição limitada, assim são nomeadas. (A.D.)

(Imagem: banco de imagens Google)

Dia de poesia – Eugenio de Andrade – Urgentemente

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É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios 
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz 
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente 
permanecer.

(Imagem: foto de Maria Alice)

Poesia da casa – Era preciso

Um dia ela partiu. Silenciosa. Mansa. Sem dramas.
Se lágrimas brotaram, deslizaram frias e quietas.
Uma parede se ergueu e tudo foi então separado
O que era passado, ali mesmo permaneceu
O futuro começava naquele primeiro passo
De costas para o passado, nem uma única vez
Ela olhou para trás ou pensou em voltar.
Porque ela ficou. Ficou por muito tempo.
Por mais tempo que gostaria de ter ficado.
Mas era necessário seguir adiante. 
Até que um dia, ela se foi. Partiu.
Juntou cacos e pedaços. Mas ainda conseguia,
Mesmo assim, ser inteira. E partir
Com tristeza pelo que ficou e ansiedade pelo
Que virá. Com um adeus para o que já não há
E alegria pelo que será. Pela vida. Pela paixão.
Porque se muito foi perdido para sempre
Conservou dentro de si o encanto da paixão
E por isso partiu para sempre. Íntegra. Intensa.
Dona de si, de sua vida, de seu futuro.
Sempre soube que se um dia partisse, seria
Para sempre. Jamais voltaria. E jamais voltará.

(Imagem: foto de Nelson O’Reilly Filho)

Pelo dia dos (e)namorados

No dia dos namorados

Queria uma carta de amor

Uma carta escrita com carinho

Cheia de palavras de amor

Que viesse em um papel delicado

Com letra tremida de paixão

Tinta carregada de ternura

E perfume de muita saudade

Que aquecesse meu coração

Alegrasse minha existência

E que me provocasse

Na boca um terno sorriso

Enquanto dos olhos escorresse

Uma lágrima de emoção,

Trazida com muito cuidado

No bico de um rouxinol.

Mas se não puder mandar a carta

Se não gostar de escrever

Se não tiver esse papel, nem essa tinta

Se não souber essa letra e nem tiver

De emissário um rouxinol, não faz mal

Venha então pessoalmente

Para me dizer essas palavras

Com voz de muita paixão

E nos olhos muita ternura

Nas mãos não quero flores

Nem mesmo quero presentes

De nada que há em lojas eu preciso

Quero apenas mãos trêmulas de desejo

E um abraço que mate toda essa saudade.

Poesia da casa – de saudade

Sou feita só de saudade. 
Não sou massa nem sou visível.
Esse corpo fraco que ocupo não é meu.
Pairo sobre os mortais preocupados em viver.
Não tenho esses sentimentos de apego à vida
E muito menos de ter medo da morte.
Flutuo, leve, em um mundo de pesos-pesados
Não sei lidar com os humanos. 
Nem com suas vontades.
Porque minha essência é a saudade
Sou apenas sentimento.
E um único sentimento.
De saudade me alimento.
Com saudade adormeço
Por saudade amanheço
Só de saudade eu vivo
E de saudade hei de morrer.

(Imagem: banco de imagens Google)