Perfume de mulher – dirigido por Martin Brest, música de Carlos Gardel
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No quadrinho

Para hoje…

Texto de Carla Marques – Espera-me e eu voltarei

Se eu um dia
te deixei
de escrever
não foi porque te
e s q u e c i …
Foi porque o que
te esqueceste
de levar e
deixaste em mim…
Ainda não cicatrizou
e dói cada vez
que lhe mexo,
às vezes basta
uma palavra e
o mar fica agitado,
as ondas tornam-se
demasiado grandes
e sinto-me a
a f o g a r …
É isso…
deixar os sentimentos
lá no fundo,
manter-me à tona
a boiar sem ter de
suster a respiração…
Ficar ali a ver
as nuvens a viajar,
as marés a passar,
sem mergulhar!
Não me esqueci
apenas
não quero
lembrar!
(Imagem: foto de Maria Alice)
Invernos (memória)
“… E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível.” (Ruben Alves)

“Não é inverno, ainda…”, alguém vai dizer.
E eu respondo: “quem disse que não?”
Porque inverno não é apenas uma estação do ano, quase desconhecida aqui nesse país tropical. Inverno é uma estação da alma. Inverno é uma estação da vida.
Quando nos condenaram a esse isolamento social, colocaram-nos no inverno social.
Quando deixamos de voar porque precisamos de outra asa para formar um par, estamos no inverno afetivo.
Quando mais do que sozinhos, estamos sem a pessoa que amamos e queremos a nosso lado, nossa alma está no inverno.
E, por fim, quando a juventude já ficou muito longe, a maturidade também se foi, juntamente com as forças e as ilusões, já não somos mais capazes de sonhar, estamos no inverno da vida.
Quantas vezes derrapamos, tropeçamos, caímos na vida. Mas continuamos. De algum lugar insuspeito tiramos as forças e retomamos a luta. Por nós, por alguém, por outros.
Não podemos parar na queda e continuar caídos, ou seremos tragados pela crueza do existir.
Então sempre nos levantamos. E nossa força não reside em não cair. Mas em se levantar depois da queda e seguir adiante.
Quedas reais e figuradas.
Em minha vida, mais figuradas do que reais. Mas quedas. Algumas feias. Que machucaram muito. Deixaram cicatrizes – feias tatuagens na alma, que era tão delicada.
Leio novamente essa frase do insuperável Rubem Alves.
E penso, que, realmente, sempre descobri um novo verão dentro de mim.
Por isso segui em frente. Por isso estou aqui. Em pleno inverno da vida, descobrindo, ainda invencíveis verões.
Mas, para atingir esses verões, terei de passar, com toda a paciência, por outras primaveras.
(imagem: banco de imagem Google)
Dia de poesia – Mario Benedetti – Táctica y estrategia

Mi táctica es mirarte aprender como sos quererte como sos mi táctica es hablarte y escucharte construir con palabras un puente indestructible mi táctica es quedarme en tu recuerdo no sé cómo ni sé con qué pretexto pero quedarme en vos mi táctica es ser franco y saber que sos franca y que no nos vendamos simulacros para que entre los dos no haya telón ni abismos mi estrategia es en cambio más profunda y más simple mi estrategia es que un día cualquiera no sé cómo ni sé con qué pretexto por fin me necesites.
(Imagem: banco de imagens Google)