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Porque é outubro. Porque há paixão – semana Vinicius de Moraes

Por seres quem me foste, grave e pura
Em tão doce surpresa conquistada
Por seres uma branca criatura
De uma brancura de manhã raiada
Por seres de uma rara formosura
Malgrado a vida dura e atormentada
Por seres mais que a simples aventura
E menos que a constante namorada
Porque te vi nascer de mim sozinha
Como a noturna flor desabrochada
A uma fala de amor, talvez perjura
Por não te possuir, tendo-te minha
Por só quereres tudo, e eu dar-te nada
Hei de lembrar-te sempre com ternura.
(Imagem: banco de imagens Google)
Porque é outubro – Eu sei que vou te amar
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Porque é Outubro – Semana da paixão, aniversário do Poeta maior
Ele foi mais que um poeta. Foi o maior Poeta brasileiro do Século XX. Poeta, escritor, embaixador, compositor, cantor, vagabundo oficial.. ele, só ele poderia ser tudo isso, e muito mais, bebericando seu interminável uísque pelos palcos, sentado em um banquinho com o infalível cigarro e o inseparável violão… Afinal, como ele pensava e dizia “O uísque é o melhor amigo do homem: é um cachorro engarrafado.“
Vinicius de Moraes, ou melhor VINICIUS DE MORAES, porque ele foi maiúsculo na criação, na emoção, na vida… Vinicius partiu sabendo quantas paixões curtiu em seu viver, mas nunca saberá quantas despertou…
Em comemoração à data de seu aniversário – 19 de outubro – esta semana será dedicada a sua imensa obra, com a publicação e divulgação de alguns textos e canções…

Soneto de carnaval
Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.
Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.
E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim
De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.
(Imagem: banco de imagens Google)
Pelo Dia Mundial do Escritor

Para pensar 37
