
Para pensar 36

Blog de de Alice – Alinhavando letras
A todas as pessoas que passaram pela minha vida; às que ficaram e às que não ficaram; às pessoas que hoje são presença, àquelas que são ausência ou apenas lembrança… – desde 2008 –



Ouve, tão longe, os acordes de uma tarantella. Fecha os olhos e volta no tempo.
Houve um tempo em que foi feliz. Jovem, sorriso fácil e aberto, sempre dançando, levando, como única bagagem, a despreocupação.
Tan-tan-ran-tan-tan-tan-ran-tan-tan-tan-tan-tan-tan-tan… volta a sorrir.
Como era bom dançar a tarantella.
Ainda de olhos fechados, enxerga Napoli, Capri, Campania, Penisola sorrentina, Costiera Amalfitana, Mar Tirreno…
Sul da Itália, aquele lugar do mundo no qual Deus mais caprichou.
Caprichou no mar, na terra, nas praias, nas montanhas (até um vulcão ali Ele colocou para dar mais emoção), e caprichou nas pessoas.
Que sofreram, enfrentaram guerras, privações, erupções, inundações. Mas nunca deixaram de sorrir. De dançar. De cozinhar e criar os melhores doces do universo.
Caprichou quando deu o limão siciliano para esse povo inigualável, que, dentre inúmeras inovações, criou o maravilhoso limoncello.
O sol do sul. As paisagens que não existem em nenhum outro local conhecido. A beleza das pessoas. Os amores de verão.
Tudo ao som da tarantella.
Conclui, agora, já no final da melodia, que sua vida fora uma animada tarantella, às margens de uma praia da região amalfitana.
A grande roda que se fez, e onde rapidamente os dançarinos trocavam de par, sem perder o compasso do ritmo acelerado.
Quantos rodopios, quantos desencontros, quantos reencontros.
E, no final, felizes e ofegantes, cada um voltava a seu par inicial, seu velho porto, para, sorridentes, esperarem a próxima dança.
Infelizmente, muitos tiveram de sair da roda mais cedo e não viram a próxima dança.
Outros simplesmente desistiram.
Mas, para todos os que ficaram, a vida mandou ao menos mais uma dose de limoncello e mais uma tarantella.


Quero que entres pela minha casa, sem pedir permissão.
Que te instales na minha vida sem pedir licença, como se este sonho fosse só teu e esta casa já pertencesse aos dois.
Peço-te que me assustes com tuas palavras doces, frases de um coração apaixonado, para que o meu pesadelo seja suicidado pelo teu sonho.
Quero despertar a cada dia, com a luz do sol, que soube afastar a escuridão que existia na minha vida, por culpa deste amor que semeaste no meu jardim, que passou a ser um sonho apetecível com o cheiro a jasmim que trazias no teu corpo e que agora está entranhado em mim.
(Imagem: foto de Maria Alice)