Memória, há 02 anos – Dicionário emocional

ADEUS: quando o coração que parte deixa metade com quem fica

AMIGO: alguém que fica para ajudar quando todos já se foram

CIÚME: quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo

CARINHO: quando não encontramos nenhuma palavra para expressar que sentimos e deixamos que as mãos falem por nós      

LEALDADE: quando se prefere morrer a trair o outro

LÁGRIMA:  quando o coração pede aos olhos que falem por ele

MÁGOA: espinho que colocamos no coração e depois esquecemos de retirar

PESSIMISMO: quando perdemos a capacidade de ver em cores

SOLIDÃO – quando estamos cercados de pessoas mas o coração não vê ninguém por perto

(desconheço a autoria)

(Imagem: foto de Carlos Eduardo Ferreira)

Dia de Poesia – Fernando Pessoa – Na véspera de nada

Na véspera de nada

Ninguém me visitou.

Olhei atento a estrada

Durante todo o dia

Mas ninguém vinha ou via,

Ninguém aqui chegou.


Mas talvez não chegar

Queira dizer que há

Outra estrada que achar,

Certa estrada que está,

Como quando da festa

Se esquece quem lá está.

(Imagem: Ilustração de Ilustr. S. Hee – Correia do Sul, 1963)

Momento de poesia – Victor Hugo – Demain, dès l’aube

Quando um pai não supera a morte de uma filha…

Demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,
Je partirai. Vois-tu, je sais que tu m’attends.
J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.
Je ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.

Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,
Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,
Seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées,
Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.

Je ne regarderai ni l’or du soir qui tombe,
Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,
Et quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe
Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.

Memória – Poesia da casa – De passagem

Veio com brisa tão leve
- Uma pluma a flutuar
Não tinha nenhum destino
Só um desejo: passar

E como se fosse um beijo
Roubado sem um abraço
Deixou o rastro apertado
De um nó onde fora laço

Se não podia ficar
Se era só de passagem
Por que ficou tanto tempo
Antes de seguir viagem?

Não há antes nem depois
Só o instante da magia
Daquele beijo furtivo
Mas dado com maestria

Uma passagem tão breve
Deixou a fieira de pena
Que traz de volta a saudade
Ao sentir a brisa serena 

Passou o tempo cruel 
E o trinco da madrugada, 
Chegado o fim do caminho 
Então não resta mais nada

(Imagem Wattpad)