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Para pensar 30

Espaço para Ana de Melo

Amo o silêncio,
quando dentro de mim tudo é tempestade e barulho.
Assim, eu me abandono à insustentável leveza do meu ser,
como se o silêncio fosse água.
Pode o silêncio ser uma música isenta de som?
Como se eu pensasse numa melodia e ela tocasse baixinho, no silêncio de mim.
Na memória de uma canção longínqua.
(Foto-pexels-markus-spiske)
Poesia da casa – O nada

Um silêncio que fala
No meio do que não há
Na floresta já extinta
No leito seco de um rio
Um porto que não se usa
Um velho barco esquecido
A inutilidade do ser
O vazio de tardes tristonhas
Como o ar antes da chuva
Nos dias nublados da vida
A alma inquieta procura
Um norte que pode existir
Perdido na bruma intensa
Onde o amor foi escasso
Do grito preso na garganta
No momento que se fez eterno
No nada que tudo preencheu
(Imagem: foto de Maria Alice)
Poesia da casa – Até o fim

Leve como o nada
Dura como a pedra
A palavra, a pancada
A pedrada, a traição
Se tudo desmorona
Na força da queda livre
A alegria, a emoção
Os sonhos, a vida
Não há mais esperança
Não há salvação
Estarei à sua espera
Na porta do inferno
(Imagem: banco de imagens Google)
Dia de poesia – Cecília Meireles – Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
(Imagem: foto de Maria Alice)